07 de Maio de 2025

UFRN: Curso promove formação em Línguas Indígenas de Sinais

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Abrangendo conhecimentos nativos dos povos indígenas brasileiros, o Curso de Formação de Tradutores e Intérpretes em Línguas Indígenas de Sinais (TILIS), vinculado ao Departamento de Práticas Educacionais e Currículo (DPEC) do Centro de Educação (CE) da UFRN, tem como objetivo ensinar técnicas de tradução e interpretação das línguas de diversos grupos indígenas. Podem participar tanto alunos dos cursos de Letras-Português e Libras, quanto professores da educação básica e a comunidade interna. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio da página pública do Sigaa, na seção Extensão > Cursos.

Grade de horários do curso. Foto: Captura de tela/Reprodução

Com realização virtual e carga horária de 180 horas, o curso oferece, ao todo, 200 vagas, sendo veiculado pela plataforma AVAPROEX. Cada disciplina (ver grade de aulas mais abaixo) contará com dois encontros síncronos às sextas-feiras à noite.

Para embasar as aulas, os organizadores adotam uma série de estudos sobre a inclusão e a escolarização de indígenas surdos. Um exemplo é a pesquisa realizada sobre a Língua Indígena Ka’apor de Sinais, estudada por Jim Kakumasu em 1968. O linguista canadense observou que uma tribo Ka’apor, no Maranhão, desenvolveu uma língua própria de sinais, tornando toda a comunidade bilíngue, com fluência tanto na língua falada quanto na de sinais, ambas nativas dos povos locais. As culturas estudadas, que servem de fundamento para as aulas — desde os Pataxó, passando pelos Guarani Kaiowá, até os indígenas da etnia Terena — têm em comum a escolarização de indígenas surdos. Assim, os elementos culturais de cada grupo geram características próprias, que também serão abordadas ao longo do curso. A seguir, a grade de aulas, que serão realizadas entre julho e dezembro:

Diálogo com indígenas

O curso é organizado pela professora Flávia Roldan, do DPEC. Pesquisadora em práticas pedagógicas no contexto da educação de surdos, a docente atua tanto no curso de Licenciatura em Letras-Libras quanto no de Pedagogia da universidade, além de participar de programas de pós-graduação no CE e no Instituto Metrópole Digital (IMD).

“Pretendemos manter um diálogo com os territórios indígenas do RN — Amarelão (localizado na zona rural de João Câmara) e Katu (em Canguaretama e Goianinha). Estamos tentando organizar a aula inaugural já com a participação de um representante desses territórios”, informa a professora.

A cultura indígena do Rio Grande do Norte também vai ter espaço no curso; na imagem: Cacique Luiz Katu, da comunidade homônima. Foto: Ascom/Goianinha.

 O aprendizado colaborativo e a conexão cultural são frentes cruciais para a realização do curso. Em vista disso, é essencial que haja inclusão e acessibilidade, já que isso promove acesso pleno à comunicação e à educação, segundo Flávia. Assim, há a necessidade de haver Tradutores Intérpretes em Línguas Indígenas de Sinais (TILIS).

“A presença de TILIS elimina barreiras de comunicação entre surdos e ouvintes dentro dos territórios indígenas, promovendo a interação social e o aprendizado colaborativo […]. Além da preservação e fortalecimento linguístico-cultural, o aprendizado bilíngue e Intercultural e o desenvolvimento de materiais didáticos bilíngues são culturalmente relevantes para o ensino e aprendizado das línguas de sinais indígenas”, explica a docente do DPEC. 

Vinculada ao Ministério da Educação, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) realiza parceria com o curso, ajudando a promover as aulas de técnicas de tradução e interpretação de sinais. Demais dúvidas sobre o curso podem ser sanadas por meio do e-mail: projetotilis.ufrn@gmail.com.

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Sobre Juliska

Juliska Azevedo é jornalista natural de Natal-RN. É gerente de comunicação do Sistema FIERN e sócia da agência Ska Comunicação, atuando como assessora de comunicação e consultora para instituições e lideranças. É pós-graduada em Assessoria de Comunicação e cursa MBA em Liderança e Gestão e Inteligência Artificial, pela Saint Paul/Exame; tendo atuado como professora no ensino superior.

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