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7

Jul

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[ARTIGO] Os perigos da retomada: o que você precisa saber sobre saúde e segurança antes de voltar ao trabalho?

Por Alexandre Pierro

A flexibilização da quarentena já é uma realidade para muitos locais no país. Cidades da Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, reabriram o comércio nesta semana – inclusive, com alguns já registrando aglomerações. Pouco a pouco, vamos voltando a sentir o gosto do que conhecíamos como normal, ainda que o dia a dia nas ruas ainda esteja cheio de restrições.

Para as empresas que estão planejando a volta ao trabalho, porém, ainda há muitas dúvidas. Mesmo com a liberação das atividades, é preciso estar atento às recomendações do poder público, além de organizações como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Questões de saúde e segurança no trabalho nunca estiveram tão em voga, principalmente depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou a Covid-19 como uma doença ocupacional, o que, na prática, representa que as empresas podem ser auditadas caso seja comprovado um risco de contaminação no local de trabalho.

Hoje, a principal recomendação é evitar aglomerações. E, para isso, algumas medidas devem ser levadas em consideração. A primeira delas é entender que o trabalho não começa só quando o colaborador chega na empresa, mas desde o momento em que ele sai de casa. Todo o trajeto deve ser considerado.

Neste momento, é importante verificar se é possível flexibilizar as jornadas de trabalho, permitindo o trabalhador realizar suas atividades em casa e ir até o escritório somente em alguns dias da semana e evitando que os colaboradores utilizem o transporte público em horários de pico, se expondo ao risco de contaminação. Isso também permite distribuir de uma maneira mais organizada as entradas e saídas de funcionários, sem que haja muitas pessoas ao mesmo tempo nas empresas.

Alguns cargos administrativos, por exemplo, não precisam estar todos os dias no trabalho. Muitas empresas, principalmente na Europa, já adotavam medidas como essa justamente por entender que não é necessário ir trabalhar todo dia fisicamente. Se nada disso for possível, há casos de empresas que contrataram vans para garantir o deslocamento dos funcionários com segurança. O custo desses serviços costuma ser equivalente ao que ela desembolsaria com vale-transporte.

Outra ponderação é em relação a organização dos espaços de trabalho, com mesas a pelo menos dois metros de distância umas das outras. A higiene pessoal também precisa estar alinhada à higienização do posto de trabalho, equipamentos como mouse, notebook e itens de uso compartilhado. Isso sem falar no uso de sanitários compartilhados, cuja limpeza deve ser feita com mais frequência. Empresas que possuem refeitórios precisam reorganizar o espaço e os horários das refeições, de modo a evitar aglomerações.

A ventilação dos espaços deve ser uma prioridade. Não adianta ter um distanciamento considerado adequado se o ar condicionado do escritório não estiver com os filtros limpos e não houver troca de ar, ainda mais porque fica cada vez mais evidente que a Covid-19 é transmitida pelo ar. Recentemente, um grupo de 239 cientistas afirmou que partículas do novo coronavírus permanecem no ar em ambientes fechados, com capacidade de infectar as pessoas.

Especialmente em momentos como este, a análise e gestão de riscos podem contar com o auxílio de uma consultoria especializada, que saberá traçar os planos de implementação de mudanças alinhados à cultura da empresa. Além disso, empresas certificadas pela ISO 45.001 possuem métricas para avaliar tudo que diz respeito a saúde e segurança ocupacional de seus funcionários. Isso ajuda em momentos como esse porque permite atuar com a prevenção e não com a reação a eventos adversos.

O momento pede ação e planejamento. Não é possível expor os colaboradores a um risco ainda maior do que eles já enfrentam no dia a dia. É hora das empresas praticarem o zelo e a empatia, buscando minimizar o contágio entre funcionários e, inclusive, clientes. A PALAS conta com um programa de consultoria chamado Cuidar em que desenvolvemos estratégias de retomada para as empresas com base na ISO 45.001 e nas recomendações da ANVISA e da OMS. É preciso estar preparado para o futuro e todas as possibilidades de enfrentamento à doença. Assim, poderemos dar o primeiro passo em direção a retomada econômica e garantir a manutenção do sustento de tantas famílias brasileiras.

*Alexandre Pierro é sócio-fundador da PALAS e um dos únicos brasileiros a participar ativamente da formatação da ISO 56.002, de gestão da inovação.

7

Jun

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[ARTIGO] Por que devo registrar a marca do meu Negócio?

Por Rochelle Barbosa

Quem empreende em qualquer lugar do mundo e que monta seu próprio negócio, a primeira coisa que pensa (ou deveria pensar) é como será visto/chamado no mercado, afinal de contas, é preciso criar uma referência para o público consumidor daquele produto específico ou prestação de serviços, uma maneira de se diferenciar dos concorrentes. É nesse exato momento que surge a marca do negócio!

A realidade é que nos dias atuais, criar o nome de uma marca é tarefa árdua e requer muita criatividade, tendo em vista que muitas são as que já têm registros no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), autarquia no Brasil em que são realizados os registros de marcas.

Mas então, por que devo registrar a marca do meu negócio? Quais os benefícios e garantias isso me traz? A resposta é simples: o registro da sua marca vai trazer mais segurança na sua operação, bem como vai evitar possíveis problemas no futuro.

O sistema de registros de marcas no Brasil é atributivo, isso significa dizer que, via de regra, o dono da marca é aquele que primeiro realiza o registro junto ao INPI. E é importante que se diga que registro da empresa na junta comercial, leia-se, da razão social empresarial, não confere proteção de marca, pois razão social e registro marca são coisas distintas. Se você quer ter a proteção nacional da sua marca é no INPI que ela deve ser registrada.

A lista de benefícios do registro da marca é extensa, mas os mais importantes aspectos são: exclusividade em território nacional no ramo de mercado em que foi registrada, poder impedir que terceiros usem sua marca indevidamente, a possibilidade de licenciamento ou cessão dessa marca mediante pagamento de royalties e outro ponto primordial é evitar prejuízos no futuro em ter que mudar sua marca porque outra empresa registrou antes de você! Imagine, depois de estar consolidado no mercado, ter investido valores consideráveis em mídias, propagandas, fardamento de funcionários, papelaria e afins, ter que mudar de marca e refazer todo o trabalho junto ao seu público consumidor.

Então, se você criou o seu negócio, acorda todos os dias e se dedica e doa seu suor à sua empresa, é por que você acredita na sua marca e quer crescer, tornar-se uma referência no seu ramo de mercado, amanhã pode querer se tornar uma franquia e para isso precisa ter pelo menos um pedido de registro de marca no INPI, portanto, seja diligente e cuide do bem mais precioso do seu negócio que é sua marca: registre-a.

No Brasil, segundo dados estatísticos do INPI (www.inpi.gov.br), no ano de 2016 foram depositados 166.368 pedidos de registro de marcas, em 2017 foram 186.103 e em 2018, foram 204.419 pedidos protocolados, o que mostra que a cada ano os empresários brasileiros se conscientizam dessa importância.

E um aspecto que não pode ser esquecido é que com a internet e as redes sociais, todo mundo é visto! Foi-se o tempo em que empresas de outros estados não tinham conhecimento de uso indevido de sua marca por outras empresas. E, mais, você não quer que seu cliente busque sua empresa no Instagram e ache a do seu concorrente, quer?

E, por fim, para que tudo saia conforme o planejado, procure um profissional qualificado e honesto para lhe assessorar em todo o processo, pois o que você, empreendedor, tem que focar é em prosperar, não perder energia e dinheiro com problemas que podem ser evitados!

 

*Rochelle Barbosa é advogada especialista em propriedade intelectual e CEO da Metrópole Marcas e Patentes. Siga no Instagram @rochellebas e @metropolemarcas. 

31

Mai

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[ARTIGO] O Brasil perdido na crise do coronavírus, por João José Forni

* João José Forni

Não bastasse o País estar enfrentando a maior crise dos últimos 150 anos, com a pandemia do coronavírus, até agora o governo não entendeu que só a união das forças de especialistas em saúde, técnicos, políticos e demais poderes da República, num grande pacto, poderá contribuir para vencer a pandemia e as crises dela decorrentes, como a crise econômica e o divisionismo político. O Brasil talvez seja o único país do mundo com elevado número de pessoas contaminadas e de mortes que tem um governo que puxa para um lado e os demais agentes - governadores, prefeitos, Judiciário, Congresso -puxando para o outro.

O que significa isso? Que será muito difícil sair dessa crise sem um custo elevadíssimo em vidas humanas e em perdas na economia. Desde março, quando o isolamento social começou a ser adotado por vários estados, o presidente da República e o grupo fiel e fanático de seguidores boicotam e atrapalham as ações de governadores e equipes médicas de infectologistas e especialistas em saúde. O Gabinete de crise criado pelo governo federal em março, com 26 pessoas, pouca ou nenhuma contribuição trouxe à gestão dessa crise. Em poucos dias dele não mais se ouviu falar. Sumiu, da mesma forma que apareceu. Até porque, esse governo tem extrema dificuldade de trabalhar em equipe. Nenhum comitê de crise funciona com eficácia, numa crise, com mais de dez a 12 pessoas, como recomendam especialistas. O ideal são equipes pequenas, de extrema confiança, selecionadas rigorosamente, com poder de decisão e autonomia para poder intervir na crise.

Abono salarial

Um das medidas certas que o governo tomou nesse momento foi o abono assistencial para uma massa de brasileiros que já estavam sem emprego; ou perderam o emprego, em função da pandemia. Além de milhões que nos últimos anos foram para o trabalho informal. A Caixa tem feito um esforço monumental para fazer chegar esse abono lá na ponta, no interior do país, para mais de 50 milhões de brasileiros. Deve ser a maior operação de bancarização da história moderna.

É o que tem amenizado esse momento muito difícil para milhões de brasileiros. Eventuais falhas que estão aparecendo no processo, inclusive fraudes, de certo modo eram previstas. Dada a dimensão da empreitada, até porque milhões de pessoas sequer tinham conta em bancos ou registro na Receita Federal.

No âmbito econômico, há um entrave que o governo ainda não conseguiu resolver. As empresas, principalmente as pequenas e descapitalizadas, que precisam de capital de giro ou de financiamento para tentar desafogar as finanças e preservar pelo menos parte dos empregos, não estão tendo acesso fácil ao crédito. Apesar da promessa do ministério da Economia, o que se constata são principalmente pequenos e médios empresários se queixando de que os bancos exigem garantias exageradas e elas acabam preteridas pela burocracia e pelas exigências rigorosas. Isso consagra a máxima que diz: os bancos só emprestam dinheiro com facilidade para quem não precisa.

Mas as crises econômica e política são apenas agravantes desse momento. O vetor principal, como não poderia deixar de ser, está na área de saúde. Tudo isso acontece no momento em que o País atinge a triste marca de 25,6 mil mortos pelo coronavírus e 415 mil infectados (167 mil recuperados), até 28 de maio, tornando-se o 2º país do mundo em número de pessoas contagiadas pelo vírus. Alguns estados, principalmente no Norte, Nordeste e em São Paulo e Rio de Janeiro, estão com o sistema de saúde no limite. Dezenas de pessoas em estado crítico, esperam atendimento até mesmo sentadas, sem um leito com respirador nas UTIs.

A saúde perdida

Se a saúde concentra todas as atenções, o Brasil teve a crise agravada, quando o presidente demitiu o ex-ministro Mandetta, porque ele divergia da linha seguida pelo governante, contrário ao isolamento. O ministro assumiu a liderança do combate ao coronavírus. O Presidente não escondia o desconforto com as medidas corretas, tomadas pelo ministro, boicotando as recomendações do ministro, que é médico, alinhadas com as orientações da OMS..

Outro motivo de crise foi a pressão do presidente para que Mandetta assinasse um documento recomendando o uso de hidroxicloroquina e a cloroquina, remédios usados no tratamento da malária e que passaram a ser indicados nos casos mais graves do coronavírus. Esses medicamentos não têm, em qualquer lugar do mundo, eficácia comprovada no tratamento da Covid-19 e foram até proibidos em alguns países da Europa, pelos efeitos colaterais que podem levar à morte. Nesta semana, a reconhecida revista Lancet publicou um novo estudo mostrando que os dois produtos sozinhos ou combinados não têm benefícios comprovados no tratamento da Covid-19. O presidente só conseguiu o intento, após demitir o segundo ministro, o médico Nelson Teich em menos de 30 dias da posse, exatamente pelo mesmo problema. O resultado dessa disputa absurda foi a crise na área da Saúde se agravar, no pior momento da pandemia, quando estamos atingindo o “pico” das infecções.

A falta de um líder

Desde o primeiro caso de coronavírus no país, o presidente da República e, por extensão, uma gama de ministros que militam ao redor do presidente, não assumiram com a intensidade devida a gravidade da crise. Além da falta de um líder nacional nesse momento, o presidente, várias vezes, deu sinais de que discordava do isolamento e queria a volta das atividades econômicas, navegando em sentido contrário ao do próprio ministério da Saúde e da orientação adotada em todo o mundo, durante a pandemia. Segundo Fernando Abrucio, “A primeira característica dos governos mais bem-sucedidos foi a combinação de ciência e humanismo. Seus líderes usaram evidências científicas para construir as políticas públicas, mesmo que haja diferenças entre as respostas dadas por tais países. (...) Esses governantes não tiveram medo de falar verdades inconvenientes quando foi preciso, porque optaram por soluções racionais e não pelo pensamento mágico”. São exemplos os líderes da Nova Zelândia, Taiwan, Coreia do Norte, Dinamarca, Finlândia e Alemanha, para citar alguns.

No Brasil, o processo chegou a tal nível que o STF resolveu dar um basta, atribuindo a autonomia aos governadores e prefeitos para determinar como o estado ou o município deveriam conduzir a reação à pandemia. É isso que, em parte, tem amenizado o caos, pelo menos em grande parte dos estados.

É notório que o grande insumo dessa crise é informação e comunicação. As pessoas estão com medo, inseguras, não sabem direito o que fazer. Nos lugares onde a pandemia se agravou, faltam leitos de UTI para pacientes mais graves. Lamentável que tenhamos de aceitar brasileiros morrendo em casa, asilos ou em UPAs e enfermarias, sem a possibilidade de pelo menos serem medicados numa UTI, com os recursos apropriados.

O Brasil teve tempo para se preparar. Em janeiro, a pandemia se agravou na China. Por que, imediatamente, o governo federal e os estaduais não formaram equipes de gestão de crise, especializadas em Saúde – que deveriam funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana e, desde então, tivessem planejado e se preparado para o cenário que hoje enfrentamos? Em março, a Itália era o exemplo do que poderia acontecer, quando se perde o controle da saúde e do grave risco dessa pandemia. Pagou caro, por isso.

A disputa política, tendo como cenário a pandemia e seus desdobramentos, não ajuda quem está precisando de assistência médica urgente. O Brasil já está sendo reconhecido no mundo como um mau exemplo na condução dessa crise, indo para um caminho perigoso, de milhares de mortos, pela maneira descoordenada do governo federal no comando da crise.

Ao agir dessa forma, cada um fazendo como julga melhor, propicia até mesmo o absurdo desvio de recursos, num momento crucial, como apurou a Polícia Federal, no Rio de Janeiro e outros estados, nesta semana. No meio da tempestade, com o navio soçobrando, o comando da embarcação carece de um timoneiro que inspire confiança. Estamos entregues a pessoas que aparentam não estar com foco na saúde, mas interessadas nos dividendos políticos e talvez na próxima eleição, sem manifestar pesar e nem dor pelo grande número de corpos que diariamente colocamos embaixo da terra. Lamentável, sob todos os aspectos.

 

* Jornalista, Consultor de Comunicação e autor do livro “Gestão de Crises e Comunicação – O que Gestores e Profissionais de Comunicação precisam saber para enfrentar Crises Corporativas”.

10

Abr

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[ARTIGO] A Prestação de Serviços Educacionais e a COVID19

*Por Paulo Coutinho

As relações contratuais firmadas anteriormente à epidemia do “Coronavírus” (COVID-19) serão profundamente afetadas pelas consequências advindas da necessidade do isolamento social imposto a partir da decretação do estado de calamidade pública pelos Governos Federal e Estadual.

Alguns setores da economia encontraram soluções tecnológicas que permitem a continuidade de seus negócios, sem a interrupção completa de suas atividades ou dos serviços oferecidos.

Os salões de grande parte dos restaurantes estão vazios, mas muitos deles conseguiram manter sua atividade através da utilização dos aplicativos de entrega remota. Muitos comerciantes varejistas também encontraram nesses aplicativos uma saída para a continuidade dos negócios.

As instituições de ensino privado também encontraram na tecnologia a solução para manter suas atividades, implementando através de links e plataformas online o sistema de aulas por vídeo, que permitem a interação entre alunos e professores e a continuidade do ano letivo.

Tais tecnologias já eram utilizadas em muitos cursos de graduação e pós-graduação e, com a chancela do Ministério da Educação, foram responsáveis por colocar no mercado de trabalho milhares de profissionais devidamente qualificados.

Nada obstante, começam a surgir demandas judiciais questionando o pagamento das mensalidades escolares, com base no Código de Defesa do Consumidor, que asseguraria a revisão contratual diante de fatos supervenientes (no caso a pandemia da COVID19). Já há, inclusive, decisão judicial que determina a suspensão da cobrança das mensalidades, mesmo com a manutenção das aulas em formato virtual.

Mas é preciso ter muita cautela na aplicação dessa teoria nas situações em que as instituições de ensino continuam a disponibilizar virtualmente os serviços educacionais!

O atual cenário de imprevisibilidade econômica atinge não apenas os alunos/contratantes, como também as escolas/prestadoras dos serviços, que precisam manter sua estrutura funcionando para que as aulas “virtuais” não sejam também interrompidas, com a consequente perda do ano letivo, prejuízo que seria ainda maior. O momento, repito, exige muita cautela e razoabilidade!

Não há como manter as escolas/faculdades funcionando de forma virtual sem que estas instituições tenham como remunerar professores e demais funcionários que são necessários à prestação desses serviços, além de arcar com os custos operacionais para a implementação das aulas online. A pior perspectiva, nesse cenário, é imaginar o fechamento definitivo de escolas/faculdades, suprimindo a possibilidade de retorno das atividades presenciais.

Exigir que escolas e faculdades mantenham a prestação dos serviços, mesmo que de forma virtual, sem a contraprestação consistente no pagamento das mensalidades, é atentar não apenas contra a garantia constitucional de que a cada trabalho será garantida a respectiva remuneração, como também, e mais grave ainda, condenar essas instituições à falência, levando à bancarrota não apenas os que investiram na instituição, mas também aqueles que dela dependem para garantir o seu sustento e o de suas famílias.

O bom senso e a razão é que devem pautar essas discussões, sendo certo que a negociação direta e consensual é a que melhor pode levar a um equilíbrio econômico na relação aluno x escola/faculdade em tempos de COVID19.

*Advogado especializado em Direito Empresarial, ex-Presidente da OAB-RN.

5

Abr

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[Artigo] O mundo em hibernação procura uma saída

*Artigo de Marc Bassets, publicado originalmente no Jornal El País e traduzido por João José Forni

O planeta, para um alienígena que aterrisasse hoje em dia, ofereceria uma imagem estranha, entre pacífica e perturbadora. Mais de um terço da humanidade está em casa, privado da liberdade de movimento, tão essencial e que todos tomamos por garantido. As ruas, vazias, como as estradas sem carros. Céu limpo sem aviões. As fronteiras fechadas. Os líderes? Trancados também e administrando o melhor que podem - cada um por conta própria, insanamente, quase sempre atrasado, apesar dos sinais - a maior crise que eles certamente terão que enfrentar em suas vidas. Os cidadãos? Confuso com o vírus que foi detectado na China em dezembro passado e que matou mais de 28.900 pessoas (1) e afetou cerca de 200 países. Angustiado por sua saúde e pelos vizinhos, e pela crise econômica que, segundo a unanimidade dos especialistas, está chegando. O mundo entrou em hibernação.

"Estamos vivendo um momento histórico de desaceleração, como se freios gigantes parassem as rodas da sociedade", explica, do seu confinamento na Floresta Negra, o filósofo alemão Hartmut Rosa, que dedicou boa parte de seu trabalho a estudar o que ele chama a desenfreada "aceleração" das sociedades capitalistas. "Nos últimos duzentos anos ou mais, o mundo estava indo cada vez mais rápido", argumenta. “Se você observar o número de carros, trens, navios, aviões, tráfego e movimento, aumenta continuamente. É verdade que havia bolsões de desaceleração, por exemplo, após os ataques de 11 de setembro de 2001: o tráfego aéreo foi menor por algumas semanas. Mas tudo isso foi interrompido. Vivemos um momento único de calma".

O choque elétrico deixou os humanos atordoados, em um estado que mistura calma, como Rosa diz, com inquietação, sem espaço físico para se mover ou espaço mental para saber como serão a vida, a cidade, o país e o mundo em dois. ou três meses ou em um ano.

É um triplo sacudida. Sanitário primeiro: a doença desconhecida, Covid-19, e o vírus que a causa, a temível SARS-Cov-2. Não existe vacina, então são as medidas chamadas não farmacêuticas que são aplicadas, na sua forma mais extrema: confinamento. Não apenas infectados ou suspeitos de estarem infectados, mas cidades e regiões inteiras a princípio - Wuhan na China desde janeiro, Lombardia e grande parte do norte da Itália em 8 de março - e, nos dias que se seguiram, como se os dominós caíssem um após o outro, grandes e pequenos, países desenvolvidos e em desenvolvimento. De toda a Itália à Índia, passando por Espanha, França, Reino Unido e uma parte considerável dos Estados Unidos e da América Latina: cerca de 3 bilhões de pessoas ainda estão caladas.

O segundo baque é barato. Os governos assumem que a desaceleração da atividade - rotas comerciais mundiais, já interrompidas quando o coronavírus parecia nada mais do que um mal chinês, foi bloqueada - causará uma recessão global. Em 2020, a contração do PIB será de 2,2% na zona do euro, segundo a agência de classificação Moody's, e de 2% nos Estados Unidos. O número de candidatos a subsídios de desemprego neste país bateu um recorde: nunca, desde meio século atrás, começou a se registrar, foi tão alto, mais de três milhões. As quantias que foram injetadas ou serão injetadas para amortecer o colapso de empresas e trabalhadores - cinco trilhões de dólares apenas para os países do G20 - e as intervenções dos bancos centrais dão uma idéia das dimensões do desastre que está tentando evitar ou amolecer. O que for preciso (o que for preciso), o coro mágico que Mario Draghi, então Presidente do Banco Central Europeu, entregou em 2012 para salvar o euro, é cantado novamente e funcionou. Todo mundo, não apenas os bancos centrais, promete "o que for preciso", mas oito anos após a intervenção de Draghi, o primeiro ato da crise desencadeia uma resposta em ordem dispersa. As fraturas da União Europeia reaparecem com toda a sua dureza. O vírus é global; as reações, nacionais.

Uma mudança no modelo econômico é proposta. O fim da globalização? "Possivelmente é inevitável passar por uma fase de desglobalização, isto é, de comércio reduzido e fluxo de capital entre países", escreve o economista francês Thomas Piketty em um e-mail para EL PAÍS. “Continuar como se nada não fosse uma opção. Caso contrário, o nacionalismo triunfará ”, adverte.

O terceiro golpe, além do golpe sanitário e econômico, é político. O vírus entrou em erupção no momento da retirada dos Estados Unidos e da afirmação nacionalista da China. A batalha, que não distingue fronteiras e, no papel, une o mundo pela mesma causa, é uma batalha pela influência entre as potências mundiais. “Agora a luta é contra o vírus. Mas o vírus será derrotado. E as pessoas vão voltar ao trabalho e entrar em aviões. Quando isso acontecer, a posição da Rússia e da China será comparativamente fortalecida, enquanto a dos Estados Unidos terá se enfraquecido ”, analisa o ensaísta americano Robert D. Kaplan. "Como a China é autoritária", acrescenta Kaplan, "ela conseguiu impor quarentenas extremas como nenhuma democracia é capaz. Por ter tantas empresas estatais, eles foram capazes de absorver o choque econômico do vírus. E a Rússia, sujeita a sanções, conseguiu ser mais auto-suficiente do ponto de vista econômico. Em vez disso, os Estados Unidos e a Europa, totalmente imersos no sistema de livre mercado, sofreram devastação econômica com o vírus".

Em poucas semanas, a história se acelerou, como em 1989, com a queda do Muro de Berlim, ou em 1914, quando o arquiduque Francisco Fernando foi assassinado. E, ao mesmo tempo, congelou. A humanidade nunca parou no local. Essa decisão coletiva nunca havia sido vista antes, embora, paradoxalmente, descoordenada: cada país se restringia a seu próprio ritmo, ignorando as lições do vizinho, repetindo seus erros e obstáculos e, finalmente, convergindo, com variações na intensidade do confinamento e exceções em países como a Coréia do Sul, que o administraram com medidas menos drásticas.

Não houve longas discussões parlamentares ou pressão social antes que a decisão mais importante deste século fosse decretada. A pressão que levou ao fechamento das fronteiras e ao fechamento dos cidadãos não foi a dos eleitores, mas a da locomotiva sem freios que - temia-se - causaria centenas de milhares ou milhões de mortes.

“É uma pandemia, pela primeira vez na história, em que o mundo está tecnologicamente interconectado e em que os mercados financeiros estão interconectados. Por isso, causou uma interrupção como nunca antes", diz Kaplan. A política soberana - o Estado - assume um papel central. Paralelamente, oprimido pelo inimigo invisível, sua impotência foi exposta. Daí as críticas pela lenta reação das autoridades. "Nos países democráticos, os governos são tão fracos que não puderam impor a decisão antes que ela se decidisse. Por isso estamos atrasados”, defende o sociólogo Dominique Schnapper em Paris. "Você pode imaginar o que teria acontecido se o governo tivesse decretado o confinamento há vinte dias? Não teria sido aplicado e teria causado um escândalo. Agora ele é acusado de chegar atrasado.

O mundo hiberna, sim, mas os contornos do mundo pós-coronavírus começam a se desenhar. Enquanto os profissionais de saúde lutam pela vida dos doentes e os pesquisadores perseguem a vacina contra o relógio, os líderes enfrentam o dilema condenado entre preservar a saúde pública e sobreviver à economia. "Este é o verdadeiro problema", diz Schnapper. “É preciso encontrar um equilíbrio entre os dois imperativos: o saneamento imediato e a necessidade de a sociedade continuar funcionando: continuar alimentando as pessoas e que não há colapso econômico. Não existe uma fórmula simples. A política é conciliar dimensões contraditórias".

Quanto mais duram os confinamentos, maior a probabilidade de mitigar a pandemia e menor a probabilidade de evitar a depressão econômica: este é um dos debates. Não é o único. O vírus e a corrida para derrotá-lo desencadeiam a competição entre modelos políticos. Ele enfrenta autoritários (China) e democráticos (Europa e EUA). E, dentro dos democráticos, opõe-se a populistas e moderados. A gestão dos Trumps ou Bolsonaros será medida com a da alemã Angela Merkel ou do francês Emmanuel Macron.

À medida que novas fronteiras são erguidas e a globalização é responsabilizada pela disseminação da epidemia, parece que o populismo e o nacionalismo emergirão mais fortes. Não é tão claro. Porque o medo - neste caso, uma ameaça real, não imaginária - reforça a confiança em cientistas e médicos: não é hora de experimentos ou soluções fáceis.

"Você poderia dizer que a crise gera os anticorpos do populismo", diz Laurence Morel, cientista político da Universidade de Lille, por telefone. “Não estou dizendo que isso fará desaparecer: o que será decisivo será a capacidade dos governos de resolver a epidemia e evitar conseqüências econômicas muito sérias. Serão os resultados. Sabemos que os populistas prosperam quando os governos não têm poder".

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

31

Mar

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[ARTIGO] Quem foi que disse que seria fácil?

*Por Amaro Sales de Araújo

Estamos todos muito preocupados com a pandemia do Covid-19 (coronavírus). Preocupados com as vidas humanas enfermas e em falência, mas, também, apreensivos com os reflexos da pandemia na economia. De certo, o que nos disse o Papa Francisco: só conseguiremos (sair de tão aguda crise) juntos.

Desde a semana passada, diante da gravidade da pandemia, o Sistema FIERN vem atuando em frentes diferentes. A primeira, em apoio a empresa industrial. Quase todos os serviços do Sistema FIERN estão disponíveis, remotamente pela internet ou por telefone e presencialmente para os casos necessários como, por exemplo, de Saúde e Segurança no Trabalho. Também criamos um atendimento jurídico para as empresas através do e-mail covid19-juridico@fiern.org.br e estamos, com outras instituições, conversando permanentemente com os Governos Federal e Estadual. Suspendemos todos os eventos, reuniões e proibimos aglomerações. Estamos atentos às recomendações da OMS, Ministério da Saúde e Secretarias do Estado e dos Municípios onde atuamos.

Em outra frente de atuação, em relação ao Governo Federal, tanto através da CNI, quanto diretamente junto a Superintendência da Secretaria de Trabalho e Previdência no Rio Grande do Norte que, aliás, fará a mediação, através de uma comissão tripartite, de eventuais conflitos e construção de acordos, com a participação das quatro federações representativas dos empreendedores potiguares. Já em relação ao Governo do Estado, entregamos reivindicações – e discutimos propostas – junto a SEDEC, Tributação e IDEMA, assim também, atuamos apoiando e divulgando as ações diretamente relacionadas ao Covid-19.

Uma preocupação adicional é que, realmente, o crédito chegue aos caixas das empresas, no mínimo, nos próximos 90 (noventa) dias. Foi feita uma carta – com cópia encaminhada para o ministro Rogério Marinho (MDR) – para os bancos BNB, Caixa, BB e AGN pedindo linhas de crédito mais ousadas, desburocratizadas e mais flexíveis, sobretudo, para capital de giro. É visível que as receitas da maioria das empresas sofrerão significativas quedas nos próximos meses, algumas das quais sequer terão como expedir faturas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, tem defendido que o Governo Federal estude, articule e, com outros organismos, amplie a realização de exames nas pessoas sobre o coronavírus em todo o Brasil para que, com maior e melhor diagnóstico, ocorra gradual e criteriosamente a abertura dos negócios e o funcionamento da economia. Não podemos ficar sem uma direção técnica de reabertura, assim como, também entendemos a dificuldade do momento, inclusive, para os médicos, pesquisadores e cientistas.

Não é uma situação fácil. Em tempos de Covid-19, as receitas mágicas estão surgindo. Mas, não é bem assim. Antes de qualquer coisa, precisamos nos ajudar mutuamente, apoiar os técnicos e as autoridades públicas, disseminar informações corretas e pedir, pela fé de cada um, que Deus nos ilumine e nos favoreça com suas bênçãos.

*Amaro Sales de Araújo é industrial, Presidente do Sistema FIERN e Secretário-Geral da CNI

25

Mar

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[ARTIGO] O Coronavírus seria o reset que muitos pediam?

*Por Arturo Arruda Câmara

Passados os primeiros dias do impacto da pandemia que para o mundo, é hora de refletirmos sobre os recados e oportunidades que podem estar por trás desse acontecimento histórico, científico e econômico. Quantos de nós não ouvimos em grupos de amigos, mesas de bares, discussões intelectuais ou até mesmo em pregações religiosas que o mundo estava precisando de um RESET, de um recomeço? Será que o CORONAVÍRUS não é a oportunidade que precisávamos para recomeçar tudo aquilo que tanto desejávamos?

O mundo já testemunhou a Gripe Espanhola (1918/1919), maior pandemia de gripe da história - com um terço da população do planeta infectada e 50milhões de vítimas fatais - a tuberculose, a cólera, o HIV (AIDS), já sofreu com as I e II Guerra Mundial, a nossa geração já se chocou com os desastres naturais (Terremotos, Furacões, Tsunamis, etc), já choramos com os ataques terroristas (11 de setembro), já discutimos sobre o capitalismo X Socialismo, já nos indignamos com as injustiças sociais, e porque não dizer que já nos cansamos da maior chaga de todas: a corrupção.

Corrupção que diferente daquilo que a maioria da população pensa ou julga, não é apenas aquele gesto ou atitude do político em se beneficiar das suas funções para conquistar vantagens próprias, corrupção que está bem mais presente na vida de cada um de nós do que podemos imaginar ou aceitar. Falo daquela corrupção que está por trás no “jeitinho brasileiro” de sempre querer se dar bem em tudo, seja furando uma fila, seja fingindo uma doença não existente para faltar ao trabalho, seja espalhando fake News, ou até mesmo se arvorando na guarda da legalidade para descumprir a lei em busca de um reconhecimento da categoria ou mesmo da nação.

O mundo, através do CORONAVÍRUS, está dando uma oportunidade a essa nova geração (a geração Z, os Nativos Digitais) para recomeçar tudo de novo, RESETAR, corrigir tudo aquilo que nos incomodava. Não adianta pedir para parar o mundo, se nós não temos aonde descer. Vamos nos inspirar nos inúmeros bons exemplos, nos gestos de cidadania, na preocupação com o próximo, na dedicação dos profissionais da saúde (colocando em risco suas próprias vidas em prol da humanidade), na cordialidade, na cumplicidade das relações comerciais que se preocupam em salvar a economia, na esperança... Vamos ser a luz e não o interruptor que apaga a luz.  

*Arturo Arruda Câmara é publicitário e sócio-diretor da Art&C.

1

Mar

Artigos

Como prosperar na crise

*Por Fábio San Martin

Onde está a luz do final do túnel? Em 2016 postei no Facebook um pequeno artigo falando sobre a crise que o Brasil está vivendo. Naquele tempo montei um cenário difícil e desafiador, acreditando que essa tormenta não seria “uma marola”, ou melhor, que ela não passaria em alguns meses. Cheguei a ser criticado por alguns amigos, por acharem que eu estava sendo pessimista.

No entanto, se olharmos os dados e o movimento financeiro, econômico, político e social, fica evidente que ainda se trata de uma condição AINDA muito delicada... Dólar superando os R$ 4,30, taxa de desemprego acima dos 11%, estagnação de investimentos, crise política, crise mundial – Corona vírus e gestão e Donald Trump, ceticismo do empresário e da população, economia estagnada... são tantos fatos e dados comprovando o momento de turbulência que nem eu consigo enumerar todos.

O que tudo isso quer dizer de fato? Muito simples, duas coisas... ainda vamos ter que enfrentar a crise em 2020 – até porque, embora as projeções apontem crescimento de 2% em 2020, muitos economistas já estão prevendo um ano de crescimento quase nulo, próximo de 0 (zero). Segundo, a Gestão pública não está conseguindo aprovar todas as reformas necessárias para acelerar a retomada econômica do Brasil. Com esse processo de retomada extremamente lento, faltam recursos para investir em infra estrutura e isso não atrai investidores para o país.

Se analisarmos o impacto das crises nos países e, especificamente no Brasil, veremos que esse tipo de situação causa prejuízos incalculáveis. No entanto, para toda regra existe uma exceção: muitos perderão e uma pequena fatia das empresas ganharão ou prosperarão.

E qual o segredo para em momentos de crise ser próspero? Posso dizer com absoluta certeza que não existe essa porção mágica. Por outro lado, as empresas que prosperaram em tempos de crise tiveram algumas características em comum. São elas:

♣ Foram resilientes... entenderam que o momento difícil exigia uma movimentação diferente da empresa. Revisaram planejamento estratégico, processos, produto, necessidades do marketshare, etc.;

♣ Investiram em pessoas, através de treinamentos, processos de meritocracia, cultura organizacional... porque via de regra, a mudança acontece na execução e isso tem a ver com gente;

♣ Realizaram trade offs (deixar de fazer coisas), porque é preciso rever produtos e serviços, para que eles estejam em sintonia com a nova necessidade do cliente;

♣ Implementaram ou implantaram um sistema de relacionamento com o cliente, para que suas reais necessidades pudessem ser entendidas; e

♣ Inovaram... descobriram novas formas de fazer negócios e de implementar seus produtos e serviços.

E por onde começar? Segundo Jim Collins – maior consultor da atualidade – primeiro pessoas, todo o resto depois. Sem as pessoas certas e bem preparadas, o planejamento, os processos e todo o resto se torna falho ou limitado. É preciso definir o time. Após isso, dar as ferramentas, alinhar estratégias e planos de ação, investir em treinamentos e CRIAR CONEXÃO com os clientes internos e externos.

Muitas empresas erram em suas estratégias porque realizam implementações pontuais e desconexas, sem um entendimento macro. Isso faz com que essas implementações tenham um efeito bem menor do que ele poderia gerar, causando uma sensação de limitação e impotência. Ou seja, não basta ter a intenção da mudança e a implementação de parte da intenção. É preciso consistência nessas mudanças.

E para começar, sugiro uma pequena reflexão: Como a sua empresa é vista hoje pelos seus clientes (internos e externos)? Como você gostaria que ela fosse vista? Como transformar esse gap em estratégia e ação? Pense nisso, não espere a situação piorar ainda mais. Inicie agora mesmo a mudança, antes que a falta dela acabe com o seu negócio.

*Fabio San Martin é administrador, consultor, Mentor, analista comportamental e diretor da San Martin & Niklas Desenvolvimento Humano e da NOV4 Gestão Empresarial. Também é sócio da All BPO Financeiro.

12

Jan

Artigos

Irã reconhece: “erro humano” derrubou avião da Ukraine Airlines

*Por João José Forni

Por trás das grandes crises, quase sempre há um “erro humano”. Assim a teoria de gestão de crises classifica os graves problemas que afetam as organizações, quando provêm de decisões humanas equivocadas. Após três dias de controvérsias sobre as causas do acidente, que derrubou o avião da Ukraine Airlines, com 176 pessoas a bordo, em Teerã, na 4ª feira, o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã reconheceu que o avião foi atingido por um míssil de defesa, culpando o “erro humano” e o "aventureirismo americano" pelo acidente. Ele apenas confirmou o que desde o início autoridades americanas e canadenses já tinham insinuado, após informações da inteligência dos dois países.

"A República Islâmica do Irã lamenta profundamente esse erro desastroso", escreveu o presidente iraniano, Hasan Rowhani, no Twitter. "Meus pensamentos e orações vão para todas as famílias de luto".

A queda do Boeing 737, voo PS752, quando decolava, no momento em que o Irã atacava bases americanas no Iraque, agravou um cenário da aviação, que não consegue se livrar da crise, principalmente nos últimos dois anos. O voo Teerã-Kiev tinha acabado de decolar do aeroporto iraniano. Após atingir cerca de 2.400 metros, aparentemente o avião pega fogo, tenta uma inflexão para a esquerda, numa tentativa de voltar, mas logo em seguida explode e cai em pedaços. Sabe-se agora que o piloto se comunicou com a Torre do aeroporto, pedindo para voltar. As imagens do acidente, vistas por várias câmeras, mostravam luzes que se aproximavam da aeronave, o que sugeria um objeto não identificado, como agora se confirma. Era um míssil lançado pela defesa iraniana.

As 176 pessoas que morreram no acidente, eram de várias nacionalidades: 82 iranianos, 57 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos

A terrível coincidência

A decolagem do avião ocorreu exatamente no momento em que o Irã lançava mísseis em direção ao Iraque, para atacar as bases americanas. No mínimo, uma ação imprudente do controle de voo iraniano, bem como das companhias aéreas, pois não são obrigadas a decolar.

O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse na entrevista que pediu que todos os voos comerciais no Irã fossem suspensos até que as tensões com os EUA esfriassem. Mas os membros das Forças Armadas autorizadas a fazer tal pedido do governo e da autoridade da aviação optaram por não fazê-lo. Outra dúvida, por que outras aeronaves decolaram naquela noite e não foram atacadas? Mesmo assim, as empresas aéreas, por segurança, deveriam ter tomado a decisão de não autorizar decolagens ou pousos naquele horário. Isso implicaria custos, naturalmente. Teria a Ukraine Airlines incorrido também num grave erro estratégico, ao autorizar a partida no momento do ataque?

A queda do Boeing 737 800 no Irã ocorre num momento extremamente delicado para a fabricante e a própria aviação. O grave acidente esteve por três dias envolto num grande mistério, com a causa do acidente se dividindo entre duas hipóteses: falha técnica do avião, logo após a decolagem, sem esquecer que a Ukraine Airlines assegurou ser um aparelho novo, revisado na semana passada. Nem se cogitou também em erros da tripulação, apontada pela empresa como bastante experiente.

A outra hipótese, mais plausível, o avião ter sido atingido erradamente por um míssil de defesa do Irã, no momento em que o país atacava bases americanas no Iraque. Alguns órgãos da imprensa americana e canadense divulgaram amplamente a versão do míssil, até mesmo com imagens. Segundo o jornal americano The New York Times, que deu o “furo” do míssil iraniano, o vídeo divulgado tinha sido confirmado por especialistas. Versão essa corroborada por algumas autoridades e que somente neste sábado o Irã confirmou.

Não bastasse a interminável crise com o 737 MAX, de forma confusa e pouco transparente conduzida pela Boeing, o acidente no Irã coloca em evidência a fragilidade com que um avião lotado de passageiros explode sem que o país onde ocorreu o acidente, o fabricante e a empresa aérea tivessem uma explicação pelo menos coerente sobre o que ocorreu. Sabemos que a transparência nunca é uma virtude cultivada pelos envolvidos nas grandes tragédias. E para agravar as dúvidas, o comandante iraniano, na entrevista, reconheceu que desde 4a. feira (8) sabia que o acidente tinha sido provocado por um míssil e avisou o seu governo. Foram três dias de omissão, quando todo o mundo já suspeitava de um ataque involuntário.

A princípio, o Irã ameaçou não liberar as famosas “caixas pretas”, que armazenam os últimos dados e gravações dos voos dos aviões. Com isso, ele estava desrespeitando leis internacionais que preveem a participação do país onde ocorreu o acidente, do fabricante e a da empresa responsável pelo avião, na apuração completa dos acidentes. Como ocorreu na investigação bastante demorada do trágico acidente do voo Air France 447, em maio de 2009, no Brasil, no trajeto Rio-Paris. A apuração envolveu também a França e o fabricante do avião. Nesse acidente, morreram 228 pessoas, sendo que as equipes levaram dois anos para localizar as caixas-pretas e apenas metade dos corpos dos passageiros pôde ser resgatada do mar, onde o avião caiu.

Lentidão e transparência

No caso do acidente da Air France, dez anos depois, o processo de investigação não terminou. A Justiça francesa rejeita acusação contra a Air France e culpa pilotos pelo acidente no voo Rio-Paris. Essa disputa jurídica só aumenta a dor das famílias que perderam os entes queridos. Assim também com o avião da Malaysia Airlines, atingido por um míssil russo, quando sobrevoava a Ucrânia (na época em disputa bélica com a Rússia), em viagem de Amsterdam para Kuala Lumpur, em 2014. Só agora, cinco anos depois, a investigação aponta rebeldes russos como culpados pelo lançamento do míssil que abateu o avião e matou 298 pessoas. Enquanto isso, as famílias, maioria de origem holandesa, continuam na briga jurídica.

Há uma terrível coincidência entre esse acidente ocorrido num conflito de guerra entre Ucrânia e Rússia e o atual. O FBI havia recomendado as empresas aéreas evitarem utilizar o espaço aéreo da Ucrânia, naquela época, exatamente por causa dos conflitos que utilizavam mísseis para atacar os adversários. A Malaysia Airlines optou por manter a perigosa rota. Quando o avião da Malaysia passava sobre a Ucrânia – e foi atingido por um míssil – vários outros aviões estavam aumentando o tempo da viagem (e o custo) para fugir do espaço aéreo ucraniano. 

Lentidão e pouca transparência parece ser a tônica dos acidentes aéreos, principalmente aqueles que incluem agravantes, como atentados, sabotagem ou desaparecimento. As exigências para o voo e as cobranças cada vez mais draconianas das empresas aéreas, de refeições, malas, assentos, limitação de peso e número de bagagens não parecem ter acompanhado o investimento no ativo mais precioso das companhias aéreas e dos fabricantes de aviões: a segurança e a transparência na relação de negócio entre empresa, clientes e órgãos reguladores. Definitivamente, a aviação mundial não está voando num céu de brigadeiro. 
 

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

7

Jan

Artigos

A verdade vencerá os vendedores ambulantes de Fake News

*Tradução e notas por João José Forni

O ano de 2019 se despediu sob o estigma das “fake news”.  Comandado pelo presidente da maior potência econômica do mundo, o termo “fake news” foi vulgarizado, sob o argumento de que tudo que não for “bom para mim” ou para “meu governo”, trata-se de "fake news". Com isso, confundindo a cabeça dos leitores, até a mídia começou a entrar em parafuso. E chegamos a 2020, um ano de eleição no Brasil, desconfiados de que isso vai piorar. Vai ficar difícil distinguir o que é verdade e o que é notícia falsa?  Dependerá muito de quem produz a notícia e de quem a dissemina.

O tema foi objeto de um instigante artigo no jornal The Times, de Londres, assinado pelo colunista Daniel Finkelstein. A linha do autor é que terminamos a década ameaçados por mentiras travestidas de notícias. Mas que nem tudo está perdido.

“Ignore os pessimistas que dizem que estamos presos em uma névoa de mentiras e distorções - nossa sede por fatos nunca foi tão forte. Esta foi a década da pós-verdade. A década de teorias de conspiração nas redes sociais, de Donald Trump e do ônibus do Brexit (1), dos envenenamentos da família Skripal (2) e dos russos na eleição de Hillary Clinton; de anúncios publicitários no Facebook e das “fake news”.”

“De qualquer forma, esse é o consenso. Quem sabe mais o que é e quem se importa? Mas não é um consenso do qual eu faça parte. Não é que eu não possa ver os perigos. Eu escrevi sobre notícias falsas e como é fácil passar. Só que estou fundamentalmente mais otimista. Acho que essa foi a década da verdade e acho que a próxima década continuará esse trabalho”.

Finkelstein está otimista com a nova década e recorda que aprendemos muito nos últimos anos. “Eu acho que estamos vendo isso de maneira totalmente errada. Essa foi a década em que começamos a acordar com as mentiras, a entender como elas são difundidas, a começar a desafiá-las e a ensinar uns aos outros como identificar a falsidade. Uma década em que começamos a reconhecer coisas para as quais fechamos os olhos, uma década em que começamos a perceber e parar de fingir”.

No início do século XIX, antes de os primeiros editores o estabelecerem como o jornal de registro, o The Times, de Londres (fundado em 1785) se financiou, em parte, ameaçando publicar fofocas sem controle, a menos que o interessado concordasse em pagar uma taxa de supressão, o que significa que, pagando, a fofoca não seria publicada. Não muito diferente do que hoje, dois séculos depois, acontece com certos blogs de jornalistas ou pseudojornalistas inescrupulosos, que literalmente “vendem” notinhas positivas para políticos e empresários ou trocam dinheiro pela retirada de eventuais “fofocas” negativas, plantadas por adversários. O The Times londrino construiu sua reputação a partir de 1817, abandonando essas práticas e aderindo à verdade, enquanto outras publicações continuaram sendo menos exigentes.

Segundo o autor, “Isso, é claro, supunha que o jornal pudesse estabelecer qual era a verdade. O maior inimigo da precisão era a ignorância, e não a facada. Havia uma verdade que podia ser estabelecida, mas que permanecia fora do alcance (poderia levar semanas para que um despacho chegasse do exterior e os correios talvez precisassem ser subornados para entregá-lo) e havia uma verdade que permanecia desconhecida porque o conhecimento científico requeria revelá-lo que não existia”.

“E havia o fato de que muitas pessoas não podiam avaliar a verdade porque não sabiam ler ou que não tinham acesso aos livros ou tempo para aprender com eles”.

O que o autor tenta demonstrar é que, portanto, as "fake news" sempre existiram, facilitadas pela obsessão pelo “furo” e a incapacidade crítica da maioria dos leitores. “Não foi apenas a ignorância que desviou as pessoas da verdade. Também era convenção social. É surpreendente agora ler sobre a vida de Jimmy Savile (3), por exemplo, e apreciar o quão aberto ele era sobre seu comportamento sexual predatório e os abusos de meninas menores de idade. No entanto, sua fama e poder o protegiam das consequências. As portas dos hospitais e palácios foram abertas para ele, enquanto a polícia o investigava." Finkelstein se refere ao comediante que durante anos era recebido nos altos escalões londrinos e, descobre-se anos depois, era um contumaz abusador de crianças e mulheres.

“Da mesma forma, um olho cego se voltou para o assédio sexual no local de trabalho, como ficou demonstrado a partir de 2017, pelo movimento Me Too, mesmo que tenha sido a experiência (traumatizante) de milhões de mulheres”.

A década da mudança

“Esta foi a década em que começamos a abrir os olhos para a verdade. Somos menos ignorantes, menos respeitosos, mais céticos. Apreciamos melhor como é fácil dizer algo falso na política e fugir impune, uma apreciação que é em si uma parte da verdade que surgiu da ciência política. Somos menos capazes e menos dispostos a varrer a verdade desconfortável para debaixo do tapete. Desafiamos mais”, diz o autor.

“Sim, Donald Trump é notavelmente descuidado com os fatos. Mas ele dificilmente é o primeiro presidente de quem isso pode ser dito. Ler as transcrições das fitas Watergate do presidente Nixon deve nos deixar de boca aberta na escala e extensão da mentira. A mesma atitude ocorre na conduta de Lyndon Johnson, na Guerra do Vietnã. Ou as façanhas de Bob Kennedy", completa o autor.

 “Algumas pessoas se convencem de que as mentiras de Trump não importam ou que suas mentiras são realmente a verdade. Mas não é verdade dizer que suas mentiras não têm consequências para ele. Seus índices de aprovação pessoal estão muito aquém dos créditos que os eleitores lhe dão por administrar a economia, o que o faz se destacar entre seus antecessores. Também vale ressaltar que, quando Trump nega a mudança climática e milhões concordam, houve décadas em que a verdade sobre a mudança climática foi ignorada por todos, porque simplesmente não sabíamos disso”.

“O ônibus famoso no referendo do Brexit (que circulava com informação falsa, como se descobriu depois) pode ter usado números duvidosos, mas isso é verdade para todas as eleições em que eu lutei. Dados dúbios sobre possíveis aumentos de impostos trabalhistas, números dúbios sobre cortes de gastos dos conservadores. O que mudou é que esses números e reivindicações políticas estão sendo contestados, verificados e refutados com mais vigor do que nunca”.

Diríamos que hoje está mais difícil mentir. E o exemplo pode ser tirado do novo governo brasileiro, no ano que passou. Quanta informação foi tentada ser passada como verdade e imediatamente contestada por formadores de opinião ou mesmo pelo público, fazendo o governo recuar? Pode-se até admitir que está muito fácil emplacar “fake news” com números ou informações que poucos irão checar. Mas também está muito fácil conferir e verificar se o que foi publicado é verdadeiro. Espalha “fake news” quem quer. 

“É claro que existem mentiras e mentirosos, preconceitos e distorções, escândalos que não podemos ver, comportamento pessoal inaceitável que ainda temos que desafiar, partes do nosso passado que ainda não enfrentamos. Mas foi nessa década que começamos a ver como a verdade central é para uma sociedade civil em funcionamento e uma democracia liberal ativa. Foi a década em que, com hesitação e com toda a falibilidade que temos, renovamos a luta em direção à luz. Aqui está uma nova década da verdade”.

Notas:

(1) Onibus do Brexit. Esse ônibus ficou famoso, por ter circulado ostensivamente durante a campanha pelo Brexit com a informação de que o Reino Unido enviava por semana para a União Europeia 350 milhões de libras (R$ 1.820 milhões), como transferência de renda, sendo que o sistema de saúde britânico era deficitário. A informação, como se comprovou depois e foi desmentida, era falsa. Mas, o estrago já havia sido feito. 

(2) O caso do envenenamento do ex-agente russo Sergei Skripal e de sua filha Yulia é uma tentativa de assassinato, através de um ataque químico, ocorrida às 16:15, em 4/02/2018, em Salisbury, Inglaterra, Reino Unido. A suspeita sempre foi de que os russos tentaram assassiná-los. 

(3) O escândalo do comediante Jymmy Saville, um famoso comediante que se apresentava na TV e em teatros, na Grã-Bretanha, apareceu em 2012, quase um ano após seu falecimento, quando centenas de vítimas de abusos sexuais começaram a denunciá-lo, apesar do prestígio que desfrutava na mídia (era contratado da BBC) e outras instituições. Crianças e mulheres vulneráveis e doentes foram abusados. Os britânicos se perguntaram como foi possível durante anos o comediante abusar de crianças e mulheres, inclusive na BBC, aproveitando sua popularidade, e ninguém ter descoberto ou denunciado?  

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

Fake News Gráfico

2

Set

Artigos

Natal será a capital da aliança entre Brasil e Alemanha

*Amaro Sales de Araújo

O Rio Grande do Norte será, em 2019, entre os dias 15 a 17 de setembro, sede do 37º Encontro Econômico Brasil-Alemanha! Natal, terra de tantos encantos, será também a capital da aliança entre os dois países, suas instituições e empreendedores. O EEBA, realização da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs e com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, trabalha, em síntese, para estreitar, ainda mais, as relações institucionais e de comércio entre as duas nações. Evento que será, para o Nordeste e, em especial, para o Rio Grande do Norte, um marco relevante nas relações comerciais internacionais, reconhecida a importância que tem a Alemanha, sob diferentes aspectos, para a economia brasileira.

Aliás, “escapando para o mundo” é uma das estratégias indicadas no Projeto MAIS RN, que ofereceu diagnóstico e linhas de atuação para o planejamento de desenvolvimento socioeconômico do nosso estado até 2035. Os negócios internacionais eram difíceis e complexos. O mundo mudou. Hoje os negócios são feitos com maior frequência e, apesar da burocracia brasileira, em um ambiente que tende a melhorar, considerando as medidas já anunciadas pelo Governo Federal de estímulo à produção e a pauta exportações/importações que se tornou imprescindível para o desenvolvimento nacional.

Juntamente com as instituições representativas dos empreendedores potiguares – FECOMERCIO, FETRONOR, FAERN – como também o SEBRAE e os Poderes Públicos, nos diferentes níveis de governo, vamos apresentar as potencialidades do Rio Grande do Norte e tentar atrair investidores, instituições e outros interessados em investimentos em nosso estado e na região Nordeste. Já temos uma caminhada persistente e de resultados nas relações com a Alemanha.

O Rio Grande do Norte, em particular, tem reiterado diálogo e aproximação com o estado da Renânia-Palatinado. O SENAI, casa que integra a FIERN, tem sido, por sua vez, um importante interlocutor com instituições alemãs no âmbito da inovação, tecnologia e qualificação profissional, além de outras perspectivas e providências de cooperação já efetivadas, a exemplo do projeto “Casa Passiva”.

Vamos, em resumo, estimular, trabalhar, articular para que o EEBA 2019 gere mais resultados, tornando Natal ainda mais conhecida dos alemães e com fundadas possibilidades de que o Estado consiga atrair investimentos diretos ou em parceria com grupos locais. O Nordeste e o Rio Grande do Norte devem ser considerados as novas fronteiras para o desenvolvimento nacional, considerando o extraordinário potencial turístico e a matriz econômica diversificada. A aposta por aqui, tendo apoio, segurança jurídica, ambiente destravado, é muito promissora! Façamos o que nos cabe e vamos em busca de bons parceiros. Com a Alemanha, no caso concreto, a aliança tem fundamentos de segurança, respeito e prosperidade.

*Amaro Sales de Araújo, industrial, Presidente da FIERN e Secretário da CNI.

21

Jun

Artigos

É hora de darmos as mãos, sob pena de ser tarde demais!

*Sílvio Bezerra

Na semana passada, participei de um seminário como presidente do SINDUSCON, sobre as “Perspectivas e desafios das carreiras públicas no terceiro milênio: como conciliar medidas para enfrentar a crise fiscal e financeira x proteção aos direitos fundamentais”.

Fiquei surpreso ao verificar que eu era o único empresário na plateia, composta 100% por autoridades públicas e pessoas do meio jurídico. Pensei comigo: será que estou sendo um intruso? O que eu tenho a ver com o tema?

As exposições iniciaram e para minha alegria pude constatar que todos os palestrantes demonstraram preocupação em reduzir os custos atuais das suas instituições, além de abordarem formas e ações que estão sendo implementadas objetivando a redução das despesas.

Também foi ponto pacífico entre todos que não há espaço para se propor aumento da carga tributária para cobrir esse déficit.

Senti falta da participação da iniciativa privada no debate. Quase ninguém lembrou que podemos e devemos ser parte importante nessa discussão. Afinal de contas, somos grandes pagadores de impostos e geradores de empregos.

O crescimento do empreendedorismo passa definitivamente pela melhoria do ambiente de negócios em nosso Estado. É preciso derrubar preconceitos contra os empresários. Não consigo ver um Estado/País próspero sem empresas saudáveis e pujantes e instituições públicas ágeis e enxutas.

Não faz sentido o Estado demandar dezenas de estudos pra licenciar um empreendimento, onerando absurdamente os custos, e após meses, e algumas vezes anos de trabalho e de espera pelas licenças, estas terem suas validades questionadas pelo próprio Estado.

De que valeram os estudos e as análises? O tempo e os recursos empregados? Para que foram apresentados?

Essa falta de sincronia e respeito entre os poderes públicos está destruindo o setor produtivo. Todo mundo sabe disso e ninguém faz nada! Qualquer documento expedido por um órgão oficial deveria ser respeitado e ter validade. E as fraudes punidas exemplarmente. Tenho convicção de que a maioria dos projetos é elaborada dentro da lei.

A maior parte da indústria da construção civil e imobiliária está em sérias dificuldades. Diante dessa gravíssima realidade, não faz sentido demandar o Judiciário para discutir assuntos pequenos que deveriam ser objeto de entendimento no âmbito administrativo. Acreditem, é isso que tem ocorrido! É comum funcionários públicos sugerirem que requeiramos na justiça as licenças para evitar que eles respondam processos judiciais, mesmo havendo o reconhecimento por eles dos nossos direitos. Chegamos a esse ponto!

Por que não dialogamos em busca de um entendimento? Há algum crime nisso? Não seria mais produtivo e benéfico do que apelar para os famigerados embargos que maculam a credibilidade e inviabilizam para sempre os empreendimentos?

O tempo urge! Em nome do crescimento do nosso estado/país, do desenvolvimento sustentável e do combate à crise em que nos encontramos, proponho uma “trégua definitiva” às entidades públicas que interagem com a iniciativa privada no dia a dia dos negócios, um pacto pela paz e pelo fim do preconceito contra o empreendedorismo.

Ser correto ou corrupto não é inerente à atividade exercida, mas sim ao ser humano. Existem bons e maus empresários e profissionais em todas as áreas. Em todas elas, os bons devem prevalecer. Precisamos de um voto de confiança pelo bem do empreendedorismo em nosso Estado/País. O diálogo franco e transparente é fundamental.

Queremos nos juntar às instituições públicas, para fazermos parte da solução a ser apresentada à sociedade como plano para o nosso Estado/País sair da crise.

*Sílvio Bezerra é Presidente do SINDUSCON-RN e Vice-presidente da FIERN - Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte.

 

21

Jun

Artigos

Coluna Turismo em Foco: Lei Geral do Turismo

Na Pauta: A diretoria da ABIH-RN acompanhada de alguns hoteleiros, reuniu-se  hoje com o senador Styvenson Valentim, na pauta,  a Lei Geral do Turismo, onde dois itens relacionados à hotelaria têm chamado a atenção: a  cobrança do Ecad nas áreas comuns e nos quartos de hotéis, onde esta é considerada de natureza privada; o outro item que tem chamado a atenção é o percentual exigido para quartos adaptados. A Lei estabelece que todos os hotéis devem ter 10% dos quartos acessíveis, e que esta adaptação deve ser realizada no período de 2 anos.

Entidades relacionadas aos meios de hospedagem, entregaram no dia 27 de maio, em Brasília um parecer técnico, que exclui a compatibilização do percentual exigido para quartos adaptados com a estatística oficial do IBGE. 

Comparando a outros destinos turísticos, nos EUA o percentual é de 2%, na França 4%, em Londres é de 5%, podendo chegar a 7,5% das unidades habitacionais a ser executada até 2030. Vale destacar que o fluxo turístico de Londres gira em torno de 18 milhões de pessoas anualmente, já o Brasil recebe cerca de 6 milhões. 

Próxima reunião
Na próxima semana, a hotelaria irá se reunir com os senadores Jean Paul Prates e Zenaide Maia.

Hotelaria assumirá pedágio em Foz do Iguaçu: Com o objetivo de atrair cada vez mais turistas, Foz do Iguaçu apresentou uma iniciativa inédita, a campanha “Vem pra Foz que o Pedágio é por nossa conta”.

A ação vale para operadoras, agências de viagens e empresas de transporte turístico de todo o país que comercializarem pacotes turísticos exclusivamente por ônibus, com hospedagem mínima de três diárias no hotel participante, terão o valor do pedágio pago pelo estabelecimento. A iniciativa começará a partir do mês de agosto. Mais de 20 hotéis e pousadas aderiram à campanha. 

Lei das Piscinas

Publicada essa semana no Diário Oficial do Município, a Lei Complementar que estabelece normas de segurança, obrigatórias, destinadas as piscinas coletivas e públicas do Município do Natal, visando a prevenção de acidentes. 

- Exigências: As exigências vão desde a utilização de capas de proteção que cubram toda a superfície,  barreiras, como grades e cercas, além das bordas das piscinas e as áreas de circulação em seu entorno, que deverão ser projetadas com o uso de material que aumentem a aderência, diminuindo as riscos de quedas, a colocação de placas indicando a profundidade.

- Prazo e sanções: Os estabelecimentos terão o prazo de 180 dias, a contar da publicação Lei (17.06), para se adequarem as novas exigências. O descumprimento, acarretará notificações, multa no valor de R$ 5.000,00, e até a suspensão do alvará de funcionamento e até interdição.

 A publicação completa está disponível no https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=378611

Novo regime tributário - QAv

A governadora Fátima Bezerra assinou o decreto que estabelece as novas regras para a redução da cobrança de impostos no querosene de aviação. O novo regime de concessão especial de tributação para as companhias aéreas estipula cinco alíquotas do ICMS que incide sobre o QAv, partindo dos atuais 12% e podendo chegar a até 0%. A concessão do benefício está vinculada ao cumprimento de metas, que inclui aumento e regularidade de voos, inclusive internacionais.

Caso as empresas não cumpram as exigências após um ano do pedido de concessão do benefício elas terão de devolver aos cofres do estado o montante que deixou de ser repassado no período em função da redução da alíquota.

Fortaleza dos Reis Magos: Na última quarta-feira (19) o Governo do Estado apresentou o projeto “Parque da Fortaleza dos Reis Magos”, que irá remodelar o entorno do Forte. O projeto irá dá um novo tratamento urbanístico e paisagístico na área.

O planejamento é de que a obra seja executada com R$ 19 milhões ainda disponíveis no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

Sustentabilidade

A Emirates firmou o compromisso de reduzir o consumo de plásticos de uso único a bordo de todas as suas aeronaves. Desde o dia 1º de junho a companhia aérea já substituiu, em alguns de seus voos, os canudos de plástico por itens de papel. Além dos canudos de plástico, mexedores de coquetéis de plástico também serão substituídos por alternativas ecológicas até o final do ano. Desde 2017, a companhia tem trabalhado em iniciativas de sustentabilidade de longo prazo, começando pelo uso das mantas ecoThread, que são feitas a partir de garrafas plásticas.

Chegaram ao Brasil os primeiros turistas com isenção de visto

Entrou em vigor, nessa segunda (17), a isenção de vistos para entrada no Brasil de moradores de quatro países: Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão, para fins de turismo, negócios, artes e esportes. A estadia dos estrangeiros que preencherem esse quesito sem visto será de 90 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90.

Os primeiros turistas dos Estados Unidos beneficiados com a isenção chegaram ao Rio de Janeiro no dia 17, e foram recepcionados pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e o secretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro, Otavio Leite.

Contato da coluna: gabiduartern@gmail.com

22

Mar

Artigos

Jovens “nem-nem”: Nem estudam e nem trabalham. De quem é a culpa?

Por Jaqueline Barbosa

Se você tem entre 15 e 24 anos, não estuda e nem trabalha, saiba que agora faz parte das estatísticas, 23% (2 a cada 10) dos jovens brasileiros não exercem nenhuma das funções citadas. A maior parte desse grupo é formado por mulheres de baixa renda. O número coloca o Brasil como um dos países com maior incidência de jovens "nem-nem", como são popularmente chamados, em toda a América Latina e do Caribe. Ficando atrás apenas do México, com 25% e El-Salvador, com 24%.

Os dados são do estudo "Millennials na América e no Caribe: trabalhar ou estudar?" realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, em dezembro de 2018. A palavra “millennials” faz referência a geração nascida após os anos 2000 em que se encontram a maioria dos mais de 15 mil jovens entrevistados. A pesquisa aponta como principais motivos da situação, problemas com habilidades cognitivas e socioemocionais, incluindo o capacidade de liderança, autoconfiança e trabalho em equipe, falta de políticas públicas, além de obrigações com a família.

Mesmo com os conflitos apontados, a pesquisa demonstra que os jovens nem-nem não estão completamente ociosos, 31% deles estão procurando trabalho, principalmente os homens e 64% se dedica a trabalhos de cuidado doméstico e familiar, principalmente as mulheres.

Diante desses dados, seria o mercado de trabalho que ao exigir cada vez mais habilidades, impede que os jovens estejam inseridos? Ou o governo que não oferece políticas públicas que oportunizem os adolescentes se capacitarem de forma correta? O desemprego no Brasil chegou a 11,9% ano passado, a educação é listada com um dos piores índices do mundo ocupando o 53º lugar entre 65 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), fatos que estão diretamente ligados.

Políticas públicas de incentivo, que se antecipem aos principais problemas enfrentados pelos jovens, como falta de experiência e gravidez/paternidade precoce, são necessárias e urgentes para que esta realidade, que atinge 17% da população do País, não continue aumentando e até comprometendo outros índices no futuro, como taxa de população ativa, que atualmente ainda é maior que a de dependentes.

Além da melhoria na educação, para que os professores tenham mais chance de ensinar e os alunos mais motivação para aprender, diminuindo assim a evasão escolar, medidas para reduzir a taxa de gravidez na adolescência, além uma maior oferta de creches, possibilitando as mulheres uma chance de conciliar trabalho e estudo, são algumas alternativas que podem diminuir as estatísticas em curto prazo.

Se tratando da oportunidade de se familiarizar com uma profissão e de obter experiência profissional, programas como o PRONATEC - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego - precisam ser fortalecidos e incentivados pelo poder público. Como também, a maior adesão do Programa Jovem Aprendiz pelo setor privado, que de 2012 a 2015 teve a participação de 1.3 milhões de jovens quando, na verdade, este é o número previsto para apenas um ano.

Tudo isso constata que, apesar de haverem oportunidades, elas ainda estão longe de atingir a todos os jovens, e além de desigualdade social, educacional e econômica, a situação causa privação de melhorias para todo o País, mas principalmente na vida de cada um deles. Mesmo que a falta de políticas públicas seja a maior responsável pelo quadro, em alguns casos, também é necessário que os pais, escolas e lideranças comunitárias se esforcem, dentro de suas realidades, para ajudar a reverter essa realidade.

Jaqueline Barbosa é Jornalista, especialista em Comunicação Digital, CEO da Pirâmide Conteúdo Digital e colaboradora do Blog da Juliska

8

Mar

Artigos

Nova Previdência já

*Amaro Sales de Araújo

A reforma da Previdência tem sido o tema mais discutido nos últimos dias e com merecida razão. Segundo dados do próprio Governo Federal a Previdência deve chegar, ao final de 2019, com um “rombo previsto em R$ 292 bilhões”. É muito dinheiro!

Ao anunciar as principais mudanças, o Governo admite que o Congresso Nacional deve melhorar a proposta, mas a economia nacional pede celeridade e equilíbrio. O debate, mesmo acalorado, não pode ser contaminado pela crença ideológica. O ponto focal é matemático, ou seja, como viabilizar uma Previdência que não leve o país à completa falência?

Os argumentos técnicos precisam ser, portanto, bem abalizados e ouvidos com atenção. Por outro lado, o sacrifício, realmente, precisa ser de toda a sociedade brasileira. Não será justo que apenas alguns paguem uma conta que é de todos. Neste sentido, é devido registrar que os empreendedores e suas instituições representativas acompanharão o assunto, mas já há um sentimento consolidado de colaboração para que a Reforma seja viabilizada. Não será fácil, mas é necessária.

As medidas agora tratadas serão fundamentais para o futuro. Estamos vivendo mais. Aliás, está é a boa notícia que marca o debate. No Brasil, em 1980 a esperança de vida ao nascer era de 62,52 anos. Em 2016, já era superior a 75 anos. Com a evolução tecnológica, a pesquisa para o enfrentamento de doenças e, sobretudo, a busca pela qualidade de vida, a pirâmide populacional vem mudando e a faixa de idosos é cada vez maior.

Assim, buscando uma Previdência equilibrada, vamos garantir que as próximas gerações terão, não apenas suas próprias aposentadorias, mas um Estado com condições de honrar suas obrigações. Por oportuno, obrigações que sejam razoáveis e sustentáveis. Para cada benefício ou direito que gere despesas para o Estado é importante que tenhamos, com clareza, o seu financiamento. Não é sustentável inserir na vida nacional direitos e obrigações que não sejam lastreados por um transparente modelo de financiamento.

A proposta do Governo Federal em relação a Previdência propõe duas colunas distintas: seguridade e assistência social. A política de assistência social é necessária, vital. Deve ser aperfeiçoada em tópicos que os especialistas já discutem: transparência, portas de saída, financiamento, regulação, dentre outros. A distinção, contudo, é relevante para que cada setor tenha clareza dos investimentos feitos e das metas que precisam ser alcançadas.

Se a reforma não tiver êxito no Congresso Nacional vamos ter um retrocesso imenso, gerador de uma crise mais aguda, com fundadas perspectivas de recessão econômica. Estamos vivendo um momento onde a economia emite sinais de vitalidade, apesar das turbulências políticas. É hora de aproveitarmos o início de um ciclo que pode ser virtuoso e aprovarmos a Reforma da Previdência para que o Brasil, de fato, se torne o país do futuro.

*Industrial, Presidente da FIERN e Secretário da CNI

Fonte: FIERN, disponível em: https://www.fiern.org.br/artigo-presidente-sistema-fiern-nova-previdencia-ja/