15 de Setembro de 2026
Projeto leva saberes dos Congos de Combate e da cultura afro-brasileira a quilombo e escolas públicas
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Uma tradição transmitida entre gerações e mantida viva em São Gonçalo do Amarante (RN) ganha novas ações de formação, memória e educação cultural. Mestre dos Congos de Combate de São Gonçalo do Amarante, Gláucio Teixeira realiza, neste mês de setembro, o projeto Afrovivência do Congo: Memória, Batuque e Dança, iniciativa que parte de sua trajetória junto à manifestação cultural e dos saberes preservados e transmitidos por gerações de brincantes. As atividades serão realizadas nos dias 28 e 30 de setembro e 2 de outubro, passando por Macaíba, Natal e São Gonçalo do Amarante. A programação acontecerá no Quilombo de Capoeiras e em duas escolas públicas.
A programação será iniciada no dia 28 de setembro, na Associação Quilombola dos Moradores de Capoeiras, na zona rural de Macaíba. No dia 30, a atividade será realizada na Escola Estadual Prof. Zila Mamede, na Zona Norte de Natal. O encerramento acontece em 2 de outubro, na Escola Municipal de 1º e 2º Grau Dr. Roberto B. Freire, em Santo Antônio do Potengi, São Gonçalo do Amarante.
Por meio de atividades formativas e vivências culturais, o projeto abordará temas relacionados à história dos Congos de Combate, à cultura afro-brasileira, ao letramento racial, à memória, à música e à dança. A proposta é criar espaços de aprendizagem e troca entre mestres, brincantes, estudantes, professores e comunidade.
Com mais de 100 anos de história no Município, a tradição dos Congos está ligada à comunidade do Sítio Breu, às margens do Rio Potengi, e foi transmitida ao longo de diferentes gerações. Entre os mestres que fazem parte dessa trajetória estão João Menino, Lucas Teixeira e Sérvulo Teixeira, até chegar à atual liderança de Mestre Gláucio Teixeira.
Mais do que uma apresentação artística, os Congos de Combate constituem uma manifestação cultural que articula dança, música, teatralidade, religiosidade e memória. O auto dramático reúne personagens como a Rainha Ginga, o Rei Henrique Cariongo, o Embaixador, o Mestre e os brincantes. Cânticos, instrumentos e movimentos de combate ajudam a contar uma história marcada pela ancestralidade negra e pela resistência cultural.
Em 2010, após o falecimento de seu avô, Mestre Lucas Teixeira de Moura, Gláucio assumiu a responsabilidade de dar continuidade ao grupo. Além de manter as apresentações, o trabalho desenvolvido ao longo dos anos envolve a preservação das músicas e das memórias dos antigos mestres, assim como o incentivo à participação de crianças, jovens e novas gerações.
“Esse processo de transmissão é um dos eixos da Afrovivência do Congo. A proposta não é apenas apresentar a manifestação ao público, mas proporcionar o contato com os conhecimentos construídos e preservados por quem mantém viva essa tradição centenária da cultura popular”, explica Mestre Gláucio Teixeira.
Patrimônio, memória e educação
Os Congos de Combate integram a história cultural de São Gonçalo do Amarante e constituem uma expressão viva da ancestralidade africana e da cultura afro-brasileira no território potiguar.
Ao aproximar memória, educação e experiência cultural, a Afrovivência do Congo pretende contribuir para a circulação desses conhecimentos e sua transmissão às novas gerações.
"É a partir dessa experiência como mestre, brincante desses saberes que desenvolvo a Afrovivência do Congo, transformando conhecimentos vivenciados e transmitidos entre gerações em ações de formação e compartilhamento com diferentes comunidades", explica o mestre.
O projeto é realizado com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Mais informações sobre participação e inscrições serão divulgadas pelos canais oficiais dos Congos de Combate RN.