O distanciamento social controlado, sem a necessidade do lockdown que gera incontáveis prejuízos à atividade econômica, é uma alternativa para se derrubar a transmissibilidade do coronavírus sem que se afete, irreversivelmente, a geração de renda no Rio Grande do Norte. A afirmação tem base em uma análise detalhada realizada ao longo da pandemia e reforçada nos últimos dias pela equipe do Mais RN – núcleo de inteligência e estratégia da FIERN para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte – e compõe o estudo “Observatório da Covid”.

A análise foi feita com base em números de acesso público, disponibilizados pelo Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde; pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Laboratório de Inovação em Saúde (Lais), de municípios do RN, do Ministério da Saúde e da Confederação Nacional da Indústria – CNI.

O Observatório Covid aponta que o distanciamento social com toque de recolher todos os dias entre 20h e 6h e, aos domingos, durante o dia inteiro – definido pelo Decreto Governamental de 05 de março de 2021 – provocou a queda da taxa de transmissibilidade do coronavírus a um número inferior a 1 pela primeira vez em meses, o que deverá provocar um reflexo na diminuição do número de casos até o final deste mês de março. Ou seja: sem a suspensão das atividades econômicas, já havia um reflexo positivo.

Correlação entre distanciamento e casos

O estudo deixa clara a correlação entre as curvas de transmissibilidade, o número de novos casos e o quantitativo de óbitos desde o início da pandemia. O índice de transmissibilidade significa quantas pessoas podem ser infectadas a partir de uma pessoa doente. Quando esse índice se mantém abaixo do valor 1, significa que a transmissão da doença está controlada. Ao se analisar um pico de transmissibilidade, constata-se que ele vai repercutir no número de óbitos entre 13 e 23 dias depois.

Desde o início da pandemia, de acordo com os dados do Governo, municípios e UFRN, esse índice vinha permanecendo superior a 1. No entanto, a partir de 15 de março, caiu para a casa do 0,90, o que é um indicativo do efeito do distanciamento social realizado no início do mês a partir do toque de recolher.

“Esse estudo foi realizado de forma minuciosa e mostra que há uma alternativa que equacione um esforço conjunto para a redução do avanço da pandemia com as pessoas permanecerem trabalhando para sua subsistência e das empresas em que atuam”, afirma o presidente da FIERN, Amaro Sales. Ele destaca que, atualmente, a situação econômica do Estado está muito mais agravada do que quando foi enfrentada a primeira onda, no ano passado.

“Naquele primeiro momento, houve um socorro da parte do poder público, com medidas como o auxílio-emergencial de R$ 600,00 a suspensão de contratos, o socorro por meio de empréstimos às empresas, e mesmo assim chegamos a índices históricos de demissões, como em abril de 2020. Agora, a situação está ainda mais complicada porque a economia chegou ao seu limite, o que tem se refletido em uma drástica queda da arrecadação e da produção industrial”, comenta o presidente. “Por isso, é preciso se pensar alternativas em que possa se combater o vírus e manter a atividade econômica, enquanto a vacina não chega para todos”, ressalta Amaro Sales.