14 de Setembro de 2026
II Semana de Psicologia debate sobre a saúde mental dos professores na Estácio em Natal
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A partir desta segunda-feira (14) até a sexta-feira (18) acontece a II Semana de Psicologia da Estácio em Natal, com o tema “Rever sentidos: uma experiência de reflexão, cuidado e prevenção para quem ensina”. A edição é voltada à saúde mental de profissionais da área da Educação e conta com uma programação que reúne palestras cujos temas tratam da jornada profissional, relações humanas e os vínculos que sustentam as práticas educativas.
Os encontros serão realizados no auditório da instituição, localizada na Av. Alm. Alexandrino de Alencar, 708 - Alecrim, e mediados pelos docentes de Psicologia. A abertura será conduzida pelo coordenador do curso e mestre em Neuroengenharia, Helington Costa.
“Falamos muito sobre a saúde mental dos alunos, mas quem diariamente acolhe, ensina, medeia conflitos e sustenta emocionalmente o ambiente escolar também precisa ser escutado”, afirma o neuropsicólogo.
Ainda segundo ele, essa discussão não deve transferir ao educador a responsabilidade individual de lidar com uma rotina potencialmente desgastante. “Se o professor está adoecendo, não podemos simplesmente ensiná-lo a suportar melhor uma rotina que talvez esteja exigindo demais dele. Precisamos discutir também as relações de trabalho, a organização institucional e as condições concretas para que esse profissional exerça sua função”, explica.
O evento é aberto ao público e as inscrições são gratuitas através do link: https://forms.gle/
Cenário nacional dimensiona o adoecimento mental entre professores
Um estudo conduzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em 2025, com base em dados do INSS e do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, aponta que o transtorno ansioso generalizado e estresse crônico estão entre os principais motivos para o afastamento de docentes de suas atividades profissionais no Brasil.
Segundo o levantamento, os pedidos de licença por esses quadros passaram de 38,6% em 2012 para 58,3% em 2024, ocorrendo principalmente entre os profissionais da educação infantil. Além disso, entre os docentes do nível médio, também destacam-se reações relacionadas ao estresse grave, transtornos de adaptação e depressão.
Essa realidade é explicada pela própria rotina dos professores, que envolve uma carga emocional intensa. “O professor trabalha diariamente com emoções, conflitos, expectativas e relações. Ele precisa ensinar quando o aluno não quer aprender, estabelecer limites sem romper vínculos, mediar conflitos e acolher situações difíceis, muitas vezes enquanto também está emocionalmente cansado”, destaca Helington Costa.
Nesse contexto, o especialista completa que o cuidado precisa ser compreendido de forma coletiva. “O educador não precisa ser treinado para suportar tudo. Ele necessita ser reconhecido como um profissional que também tem limites, necessidades emocionais e direito a condições de trabalho que protejam sua saúde mental”.