22 de Junho de 2026
Festas juninas e Copa do Mundo exigem atenção especial ao consumo excessivo de álcool
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Com a chegada das festas juninas e da Copa do Mundo, períodos marcados por encontros e celebrações, o consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar entre os brasileiros. No entanto, dados do relatório Álcool e a Saúde dos Brasileiros, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), revelam um cenário de baixa percepção dos riscos associados ao consumo excessivo: 82% dos consumidores abusivos acreditam que bebem de forma moderada, enquanto apenas 9% reconhecem a necessidade de mudar seus hábitos.
Segundo Zacarias Ramalho, docente de Psicologia da Estácio, a compreensão limitada dos riscos associados ao consumo de álcool favorece a continuidade de padrões nocivos relacionados à bebida, influenciados por fatores sociais, transtornos mentais preexistentes e predisposição genética.
“Muitas pessoas tendem a normalizar hábitos prejudiciais e a minimizar os impactos do álcool na saúde física e mental. Por isso, é importante observar sinais como o isolamento social, a perda de interesse por atividades antes prazerosas e a ingestão frequente e excessiva da bebida, que podem indicar o início de um quadro de dependência”, explica o especialista.
O alerta do psicólogo encontra apoio em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reforçam que não existe uma quantidade segura de consumo de álcool que seja isenta de riscos à saúde. A substância é considerada tóxica, pode causar dependência e está classificada como cancerígena do Grupo 1.
Nesse contexto, o psicólogo ressalta que o álcool pode estimular comportamentos impulsivos e comprometer a capacidade de autocontrole emocional e moral. “Em muitos casos, a dependência química funciona como um mecanismo de fuga diante de conflitos e situações adversas, levando o indivíduo a perder o domínio sobre suas próprias ações”, afirma.
Além disso, Zacarias Ramalho reforça a importância do tratamento para o uso abusivo de álcool que “deve ser conduzido de forma acolhedora e livre de julgamentos”. “A família deve oferecer escuta, acolhimento e incentivo para que a pessoa busque ajuda especializada. Também é importante identificar os gatilhos emocionais e sociais que levam ao consumo excessivo, desenvolvendo estratégias para prevenir recaídas”, finaliza.
Consumo consciente e apoio especializado
Para quem deseja aproveitar as festividades com mais equilíbrio, a nutricionista Eva Andrade recomenda atenção às escolhas de bebidas e à hidratação ao longo do dia. “É importante intercalar o consumo de bebidas alcoólicas com água e priorizar opções não alcoólicas, como água de coco, sucos naturais sem adição de açúcar e bebidas com baixo teor de sódio. Além de favorecer a hidratação, essas escolhas ajudam a reduzir a sobrecarga hepática e minimizam os efeitos do consumo excessivo”, orienta.
As cervejas sem álcool também podem ser uma opção estratégica para quem deseja evitar os efeitos do etanol no organismo. “Entre os benefícios das versões sem álcool estão a diminuição do impacto das bebidas no fígado, a melhor hidratação, especialmente relevante em longas horas de festa, e a redução do valor calórico”, complementa Eva.
Porém, a nutricionista reforça que, mesmo nas versões sem álcool, o consumo deve ocorrer com moderação. “Pessoas com restrições metabólicas, como diabetes, precisam observar atentamente a composição nutricional e os níveis de açúcar. O equilíbrio é fundamental para que a escolha realmente contribua para a saúde”.