Prevenir por meio da informação. É com essa premissa que o Projeto "Sífilis Não", desenvolvido a pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lança a terceira campanha de conscientização contra a infecção. O tema da campanha, intitulada "Eu sei. Você sabe?", visa alertar a população sobre a importância de conhecer as características da sífilis e como ela se manifesta, além de incentivar a prevenção e busca de tratamento por parte de quem está infectado. O projeto “Sífilis Não” é uma ação interfederativa desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde  e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 100 municípios que concentram mais de 60% dos casos de sífilis no país. 

A campanha - que teve o lançamento de sua identidade visual nesta terça-feira (7), nas redes sociais do projeto  -  será em formato digital, e busca alcançar principalmente segmentos populacionais específicos, como jovens, gestantes, população LGBT, definidas levando em conta as características dos públicos mais suscetíveis à infecção pela sífilis no Brasil, com base em dados dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde. No site da campanha www.sifilisnao.com.br estão disponíveis informações sobre a doença e também materiais de comunicação para download. 

A escolha do mês de outubro para o lançamento da campanha se dá em virtude do Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, que acontece todos anos no 3º sábado do mês de outubro. Em 2020, a data será no próximo dia 17. 

Casos de sífilis vem aumentando no Brasil

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, causa feridas nos órgãos genitais, às vezes com manchas no corpo, febre e ínguas. Apesar de remontar à Idade Média, ainda hoje pode ser considerada uma epidemia.
Somente em 2018, o Brasil registrou 18 casos de sífilis adquirida por hora, num total de 158.051 registros da infecção. O número é 28,3% maior que em 2017, de acordo com dados do Ministério da Saúde. 

Em gestantes, foram 62.599 casos – ampliação de 25,7% dos casos na comparação com 2017. Já em bebês, foram registrados 26.219 casos de sífilis congênita (transmitida a mãe para o bebê), representando aumento de 5,2% em relação a 2017. Em 2010, ano em que a notificação compulsória da sífilis adquirida passou a ser obrigatória em serviços de saúde de todo o Brasil, foram registrados 3.929 casos.

O avanço da infecção, aliado à queda dos números de uso de preservativos, tem gerado preocupação nas autoridades de saúde. Pesquisas demonstram que o uso do preservativo vem caindo com o passar do tempo, principalmente entre o público jovem. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) todos os dias ocorrem 1 milhão de novas infecções sexualmente transmissíveis. Hoje, o Brasil vive um cenário de epidemia, com crescimento contínuo dos números de casos desde o início da notificação.

Para o controle da doença no Brasil, o Ministério da Saúde compra e distribui preservativos, testes rápidos de diagnóstico e oferta tratamento com penicilina. Em 2019, foram enviados aos estados 12,1 milhões de testes diagnósticos, o que corresponde um aumento de 17% em comparação com 2018, quando foram enviados 10,3 milhões de testes.