Jornalismo

4

Jul

Folha e Estadão estão entre eleitos pelo projeto do Facebook

Por Meio & Mensagem

O Facebook e o Centro Internacional para Jornalistas (ICFj, em inglês) anunciaram os 44 selecionados para o programa de apoio à veículos de notícias na América Latina durante a crise de Covid-19. Entre os eleitos de 12 países da região (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Paraguai, Peru, Uruguai) estão 14 veículos brasileiros: Folha de S.Paulo; Estado de S.Paulo; UOL; Nexo Jornal; Rede Gazeta; Agência Pública; Alma Preta; O Povo; Gazeta do Povo; Metro Jornal; NSC Total; Nós, mulheres da periferia; Estado de Minas; e TV e Rádio Jornal do Commercio.

Com o objetivo de fortalecer a cobertura sobre a pandemia, combater a disseminação de notícias falsas, investir em tecnologia e auxiliar jornalistas neste momento, o projeto destinará US$ 2 milhões à essas organizações de notícias latino-americanas, variando de US$ 10 a US$ 40 mil. Fora isso, 18 veículos participarão de um treinamento de dez semanas, liderado por Tim Griggs, ex-executivo do New York Times, voltado ao fortalecimento de seus negócios com receitas geradas pelos próprios leitores, o Acelerador de Receita de Leitores.

Relação da plataformas com as notícias

Esta não é a primeira vez que o Facebook investe em veículos de comunicação com o intuito de fomentar o jornalismo. Em abril do ano passado, a plataforma lançou dois projetos, Aceleradores de Vídeo Digital e Notícias Locais, no Brasil. Ambas fazem parte de um plano de investimento de US$ 300 milhões da empresa até 2021 em programas de notícias, parcerias e conteúdo. Já, em 2017, a plataforma lançou o projeto global Facebook para Jornalismo com o objetivo aproximar os usuários, engenheiros e desenvolvedores da plataforma à indústria jornalística e melhorar o sistema de distribuição de notícias. Ainda para tentar combater as fake news, em 2018, a companhia lançou o botão “contexto”, que acompanha links compartilhados na plataforma.

Apesar da plataforma ter anunciado diversas medidas, projetos, recursos e investimentos para combater a disseminação de notícias falsas, recentemente diversas marcas estão boicotando a plataforma por terem seus anúncios colocados ao lado de notícias com conteúdos falsos, entre elas estão: The North Face, Coca-Cola, Verizon, Unilever e Adidas.

Fonte: Meio & Mensagem, disponpivel em: https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2020/07/02/folha-e-estadao-estao-entre-eleitos-pelo-projeto-do-facebook.html

26

Jun

Google formaliza programa que pagará por conteúdo jornalístico; veículos brasileiros estão na primeira fase do projeto

O Google anunciou que pagará pelo conteúdo de notícias de editores como parte de um novo programa de licenciamento, informou o site The Verge. Segundo a empresa, veículos da Alemanha, da Austrália e do Brasil estão confirmados na fase experimental do projeto, que deve ser lançado no fim de 2020 ou no começo de 2021, dentro dos serviços Google News e Discover. Estado de Minas e Correio Braziliense, dos Diários Associados, e A Gazeta (ES) são os jornais brasileiros que integram a primeira etapa da iniciativa. Os alemães Der Spiegel, Frankfurter Allgemeine Zeitung, Die Zeit e Rheinische Post, e os australianos Schwartz Media, The Conversation and Solstice Media também são parceiros do Google.

O anúncio do Google ocorre depois que vários países intensificaram os esforços para que o gigante de buscas compense os editores pelo conteúdo de notícias distribuído nas plataformas da empresa norte-americana. A Austrália apresentou recentemente planos para forçar as plataformas de tecnologia a pagar por este conteúdo. Em abril, a autoridade de concorrência da França ordenou que o Google pagasse aos publishers franceses pelo conteúdo produzido por eles.

Além disso, a formalização da iniciativa do Google ocorre no momento em que o Facebook acaba de lançar uma nova guia de notícias nos Estados Unidos, na qual paga alguns editores participantes por seu trabalho. As reportagens e artigos são selecionados por uma equipe de editores humanos e os parceiros de publicação incluem o BuzzFeed, o The New York Times e o The Wall Street Journal. O Facebook está procurando expandir essa guia de notícias para a Europa, informou o jornal Financial Times.

O jornal britânico lembrou, entretanto, que essas ações foram, no passado, criticadas por incluir apenas alguns editores e por não pagar o suficiente. Até o momento o Google não informou os termos financeiros de seu novo projeto

"Hoje, estamos anunciando um programa de licenciamento para pagar às empresas de mídia por conteúdo de alta qualidade, que serão parte de uma experiência a ser lançada ainda este ano", disse Brad Bender, vice-presidente de notícias do Google, em um post no blog da companhia. "Começaremos com alguns países ao redor do mundo, e outros virão em breve."

Paywall

Em entrevista aos Diários e Associados, a coordenadora de parcerias editoriais do Google, Andrea Fornes, disse que a ferramenta oferecerá conteúdos normalmente disponibilizados no formato paywall, ou seja, exclusivo para assinantes. “Nós estabelecemos contratos com os publicadores para abrir esses produtos jornalísticos fechados, com a anuência deles. É uma espécie de demonstração, pensada para atrair mais assinaturas para os jornais, ao mesmo tempo em que fortalece a marca de veículos relevantes e divulga informações de qualidade, de maior profundidade, produzidas por jornalistas profissionais”, afirmou.

Ainda de acordo com Andrea Fornes, o produto também permitirá ao consumidor navegar pelas informações publicadas on-line com mais eficiência, critério e autonomia. “A gente acha que, hoje, o acesso às notícias está muito fácil. Com isso, o usuário se perde facilmente no mar de informações. Com esse produto, a gente espera trazer um pouco de foco. Porque o usuário terá à disposição produtos jornalísticos bem-feitos, curados pelos próprios veículos. E, ali, dentro desse leque, ele vai poder selecionar o que for do seu interesse. Essa é uma forma que o Google encontrou de triar minimamente as notícias que circulam por aí e fidelizar o usuário às fontes com as quais ele se identifica”, disse ela na entrevista aos Diários Associados.

Fonte; ANJ, disponível em; https://www.anj.org.br/site/component/k2/1-noticias/jornal-anj-online/29710-google-formaliza-programa-que-pagara-por-conteudo-jornalistico-veiculos-brasileiros-estao-na-primeira-fase-do-projeto.html 

22

Jun

Conferência online amanhã discute a cobertura jornalística da educação

A cobertura jornalística dos temas educacionais é tema da próxima conferência do I Ciclo de Jornalismo Científico e Popularização da Ciência, realizado pelo projeto Sala de Ciência (SCI/UFRN). A convidada é a jornalista Marta Avancini, editora pública da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), que discute “Jornalismo e Educação”. A discussão acontece na terça-feira, 23, às 14h30 com transmissão pelo canal do YouTube do Instituto Internacional de Física: youtube.com/iiptv.

Seja em forma de popularização da ciência ou na divulgação da situação dos novos formatos de ensino e da situação das instituições de ensino, a cobertura de educação é uma possibilidade que ultrapassa o limite profissional do jornalismo. Por isso, o debate é recomendado também para educadores, pesquisadores e comunidade em geral, principalmente os que têm filhos na escola ou estão na faculdade.

Marta Avancini é jornalista especializada em educação, direitos e humanidades. Consultora de organismos internacionais e instituições do terceiro setor para o desenvolvimento de publicações e conteúdo. Colaboradora do site Trem das Letras e da revista “Educação”. Foi repórter, editora e correspondente em Paris da “Folha de S.Paulo” e repórter do jornal “O Estado de S.Paulo”. Jornalista Amiga da Criança premiada pela Andi – Comunicação e Direitos da Infância desde 1999.

A mediação da conferência será realizada pelo diretor da Agência de Comunicação da UFRN (Agecom), José de Paiva Rebouças, e pelo jornalista do Instituto Internacional de Física (IIF/UFR), Cyro Souza. Participam do debate o Superintendente de Comunicação da UFRN, professor Sebastião Faustino, a pesquisadora do Centro de Educação (CE/UFRN), Cibelle Martins, o professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Esdras Marchezan, e a jornalista Cledivânia Pereira.

I Ciclo de Debates sobre Jornalismo Científico e Popularização da Ciência teve início no dia 2 de junho com a conferência “Entendendo o jornalismo científico”, ministrada pela jornalista e escritora Fabíola Oliveira. No dia 9, o jornalista e colunista da Folha, Reinaldo José Lopes, discutiu “Como divulgar a ciência”. No último dia 16, o projeto trouxe para o debate o jornalista Herton Escobar, da Superintendência de Comunicação da USP para tratar sobre “A divulgação científica na Universidade”. Todas essas conferências estão disponíveis no http://youtube.com/iiptv.

21

Jun

Brasileiros são os mais preocupados com desinformação on-line, diz estudo do Instituto Reuters

Os brasileiros são a população mais preocupada com a desinformação espalhada na internet, em especial via redes sociais, segundo a mais recente pesquisa anual Digital News Report, do Instituto Reuters, da Universidade de Oxford, realizada em 40 países.

O estudo mostra que 84% dos entrevistados no Brasil afirmam estar preocupados com notícias falsas na web. Além disso, 62% desconfiam das informações quando buscam notícias nas redes sociais. No entanto, cresce no país o uso dessas mídias para a busca de notícias, atualmente em um percentual de 67%.   

De forma global, 56% dos entrevistados dizem estar preocupados com a desinformação na internet. Segundo o estudo, 40% afirmam estar preocupados com a desinformação vinda dos políticos, enquanto 14% dizem temer a desinformação vinda de ativistas e 13%, dos jornalistas e organizações de notícias.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/1-noticias/jornal-anj-online/29584-brasileiros-sao-os-mais-preocupados-com-desinformacao-on-line-diz-estudo-do-instituto-reuters.html

11

Jun

Projeto Comprova inicia terceira fase com 28 veículos de comunicação

Depois de um expediente especial de 75 dias dedicado exclusivamente à verificação de conteúdos suspeitos sobre o novo coronavírus e a covid-19, o Projeto Comprova começa, nesta quarta-feira (10.junho.2020), a terceira fase de suas operações de combate à desinformação e a conteúdos enganosos na internet. 

Coordenada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a coalizão, que tem apoio do Facebook e do Google News Initiative, foi ampliada em 2020 para 28 organizações de mídia de todo o Brasil. Seis novos veículos de comunicação ingressam no projeto: Gazeta do Sul (RS), Correio do Estado (MS), Correio de Carajás (PA), Diário do Nordeste (CE), Estado de Minas (MG) e O Popular (GO).

O material produzido pelo Projeto Comprova pode ser republicado também por organizações que não façam parte da coalizão, já que os conteúdos têm licença Creative Commons, ou seja, podem ser republicados por qualquer veículo interessado, desde que haja atribuição ao Comprova e o conteúdo não seja alterado.

Nesta terceira fase, o Comprova vai retomar o monitoramento e a verificação de conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal e eleições municipais, além de continuar investigando boatos sobre a pandemia de covid-19.

As equipes do Comprova vão checar textos, imagens e áudios compartilhados nas diversas plataformas de redes sociais e em aplicativos de mensagens seguindo metodologias desenvolvidas pela First Draft, organização internacional que pesquisa desinformação e oferece treinamento para jornalistas que atuam no combate ao fenômeno. 

O objetivo dessa iniciativa é engajar cidadãos no combate à desinformação e limitar a circulação de boatos infundados sobre políticas públicas e de teor eleitoral em redes sociais e aplicativos de mensagens. A coalizão do Comprova verifica conteúdos suspeitos que se tornaram virais ou que tenham grande potencial de disseminar informações enganosas ou falsas.

O público pode denunciar conteúdos suspeitos ou falsos relacionados aos temas que estão no escopo do projeto e sugerir verificações por meio de um número de WhatsApp  –  (11) 97795-0022 – e por um um formulário no site.

Para Marcelo Träsel, presidente da Abraji, "o ingresso de novos integrantes no Comprova reforça o espírito colaborativo do projeto, um esforço de cooperação entre redações inédito na história do jornalismo brasileiro”. Ele acrescenta: “No atual contexto de guerrilha política baseada em desinformação e retrocessos na transparência, contar com parceiros em todo o Brasil para verificar conteúdo sobre políticas públicas e eleições municipais é fundamental.”

Claire Wardle, diretora e cofundadora da First Draft, saudou o retorno do projeto. "Estamos muito entusiasmados ao ver a continuidade do Comprova. Houve muitas iniciativas colaborativas de verificação de informações falsas relacionadas a eleições, mas o Comprova foi o primeiro a mostrar que as informações enganosas on-line não cessam com o fechamento das urnas e que projetos mais perenes são necessários. O Comprova confirma também por que os jornalistas, neste momento da história, precisam fazer o máximo possível para ajudar o público a navegar no poluído ambiente da informação".

As organizações de mídia envolvidas na terceira fase do Comprova são: A Gazeta, Gazeta do Sul, AFP, Band News, Band TV, Band.com.br, Canal Futura, Correio (da Bahia), Correio de Carajás, Correio do Estado, Correio do Povo, Diário do Nordeste (CE), Estado de Minas, Exame, Folha de S.Paulo, GaúchaZH, Jornal do Commercio, Metro Brasil, Nexo Jornal, NSC Comunicação, O Estado de S. Paulo, O Popular, O Povo, Poder360, Rádio Band News FM, Rádio Bandeirantes, revista piauí, SBT e UOL. 

Google News Initiative e Facebook Journalism Project ajudaram a financiar a terceira fase do projeto, e ambas as empresas estão fornecendo suporte técnico e treinamento para as equipes envolvidas. 

O Comprova é uma iniciativa da First Draft, liderada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), e tem como parceiros institucionais a ANJ (Associação Nacional de Jornais no Brasil), o Projor, a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), a agência Aos Fatos e a RBMDF Advogados. 

Os parceiros de tecnologia são CrowdTangle, NewsWhip, Torabit, Twitter e WhatsApp. Para mais informações: WhatsApp: (11) 97795-0022; Site: projetocomprova.com.br; Facebook: facebook.com/ComprovaBR; Twitter: twitter.com/comprova; YouTube: youtube.com/comprova; Linkedin: linkedin.com/company/projetocomprova

Com informações da Abraji

9

Jun

Estudo mostra que Covid-19 faz 52,5% dos brasileiros terem mais cuidado com fake news

Desde a chegada da Covid-19 ao Brasil, a população tem passado por diversas mudanças de rotina e de opinião: isolamento social, home office e hábitos de consumo são algumas dessas alterações, inclusive os hábitos de consumo de informação. De acordo com um estudo realizado pela NZN, os brasileiros estão mais preocupados com a veracidade das notícias que chegam até eles.

Os dados mostram que os canais em que mais se acompanham conteúdos sobre o assunto tem sido sites de jornais e revistas (56,1%), TV (51,2%) e páginas de autoridades no assunto (31,4%). Para que uma informação tenha credibilidade, os quesitos mais importantes incluem ser escrita por uma referência no assunto (60,3%) e conter dados de profissionais da saúde (57,7%). Informações do governo são quesito de credibilidade para apenas 22% dos entrevistados.

No levantamento, é possível verificar que, ao serem impactados por uma informação nas redes sociais, 56,7% dos entrevistados verificam em qual veículo a notícia foi originalmente publicada, 51,4% conferem a autoria e 48,3% se certificam de que a notícia está realmente no site oficial do veículo apresentado no post. Vale ressaltar que 20,9% dos entrevistados têm acompanhado informações via redes sociais, contra 10,4% que têm confiado no WhatsApp.

Do total, 52,5% dos brasileiros afirmam que por causa da Covid-19 passaram a ter mais cuidado com a veracidade dos conteúdos que consomem. Além disso, 39,2% têm buscado mais informações, 31,7% afirmam que estão sendo mais impactados pelas notícias, 23% se sentem mais ansiosos e 18% se sentem mais informados. Ao serem perguntados se o consumo da informação será alterado após a pandemia, 34,9% afirmam que buscarão notícias em sites de referências no assunto e 34,3% confirmarão a veracidade dos dados.

As fake news não foram, eliminadas, é claro, inclusive impactando iniciativas de empresas, como foi o caso da ação da Ambev. A empresa estava produzindo álcool em gel que seria doado para hospitais públicos. Contudo, algumas pessoas espalharam uma fake news dizendo que era uma doação para população e que quem quisesse receber deveria acessar links suspeitos para cadastro.

Para evitar esse tipo de situação é muito importante que as organizações também criem suas próprias audiências a fim de que seus conteúdos não corram riscos de sofrer distorções por outros canais. Além disso, ser referência no segmento torna a empresa com mais credibilidade para o público.

Fonte: B9, disponível em: https://www.b9.com.br/127289/estudo-mostra-que-covid-19-faz-525-dos-brasileiros-terem-mais-cuidado-com-fake-news/

8

Jun

Veículos de comunicação fazem parceria por transparência nos dados de Covid-19

Os jornais e sites de notícias Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo, Extra, G1 e UOL decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal sobre a pandemia de COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus. A iniciativa, segundo os veículos noticiosos, vem em resposta à decisão do governo do presidente Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre o avanço da doença no Brasil.

A partir do acordo, equipes do seis veículos vão dividir tarefas e compartilhar as informações obtidas para que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus. O balanço diário será fechado às 20h. O conteúdo terá leitura liberada para todos os acessos, incluindo não assinantes.

Segundo os veículos, “o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão”. Nesse sentido, primeiro o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h, dificultando ou inviabilizando a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite da última quinta-feira. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo, informaram os veículos que agora fecharam uma parceria. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação. 

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

Em razão dessas omissões, destacam os jornais e sites, a parceria entre os veículos de comunicação vai coletar os números diretamente nas secretarias estaduais de Saúde. Cada órgão de imprensa divulgará o resultado desse acompanhamento em seus respectivos canais. O grupo vai chamar a atenção do público se não houver transparência e regularidade na divulgação dos dados pelos Estados.

“Neste momento crucial, deixamos nossa concorrência de lado por um bem comum: levar à sociedade o dado mais preciso possível sobre a pandemia. Essas informações orientam as pessoas e as políticas públicas. Sem elas, o país mergulha em um voo cego. O jornalismo cumprirá seu papel”, afirmou Alan Gripp, diretor de redação de O Globo.

“A missão do jornalismo é informar. Em que pese a disputa natural entre veículos, o momento de pandemia exige um esforço para que os brasileiros tenham o número mais correto de infectados e óbitos”, afirmou Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo da Globo (TV Globo, GloboNews e G1). “Face à postura do Ministério da Saúde, a união dos veículos de imprensa tem esse objetivo: dar aos brasileiros um número fiel”.

“Numa sociedade organizada como a brasileira, é praticamente impossível omitir ou desfigurar dados tão fundamentais quanto o impacto de uma pandemia. Com essa iniciativa conjunta de levantamento de dados com os Estados, deixamos claro que a imprensa não permitirá que nossos leitores fiquem sem saber a extensão da covid-19” afirmou Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha de S.Paulo.

“É nossa responsabilidade cotidiana transmitir informações confiáveis para a sociedade. E, agora, no momento mais agudo da pandemia, precisamos assegurar à população o acesso a dados corretos o mais rápido possível, custe o que custar”, disse Murilo Garavello, diretor de Conteúdo do UOL.

“É triste ter que produzir esse levantamento para substituir uma omissão das autoridades federais. Transparência e honestidade deveriam ser valores inabaláveis na gestão dessa pandemia. Vamos continuar cumprindo nossa missão, que é informar a sociedade”, afirmou João Caminoto, diretor de Jornalismo do Grupo Estado.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/1-noticias/jornal-anj-online/29349-veiculos-de-comunicacao-fazem-parceria-por-transparencia-nos-dados-de-covid-19.html

8

Jun

UERN promove hoje webinário sobre jornalismo, ciência e meio ambiente com Sônia Bridi

O Laboratório de Narrativa Hipermídia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (HiperLAB/UERN), em parceria com a Globo, promove nesta segunda-feira, 8, às 16h, o webinário “Diálogo sobre jornalismo: jornalismo, ciência e meio ambiente” com a repórter especial do Fantástico, Sônia Bridi. A ação integra as atividades dos projetos HiperLIVES (HiperLAB/UERN) e do Globo no Campus.

“Dentro das atividades do projeto HiperLIVES temos buscado oferecer aos nossos estudantes e também ao público em geral a oportunidade de ouvir e interagir com profissionais do jornalismo que têm uma vivência importante na profissão e que se colocam à disposição de contribuir com a formação dos novos jornalistas. Através da parceria com o Globo Universidade vamos ofertar mais esta ação, e com uma jornalista que é referência em diversos aspectos, principalmente em humanismo e profissionalismo”, comenta o professor do curso de jornalismo Esdras Marchezan, coordenador do HiperLAB/UERN.

O HiperLAB/UERN é um projeto de extensão do curso de Jornalismo, do Departamento de Comunicação Social, vinculado à Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (DECOM/FAFIC/UERN). A participação no evento é gratuita, mas requer inscrição prévia, através do link: https://forms.gle/9SUE4M6Unj9egp4e6.

7

Jun

Abertas as inscrições para a principal premiação do jornalismo digital da América Latina

A Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA) abriu o período de inscrições para os Prêmios Digital Media LATAM 2020, que contemplam 11 categorias. A premiação está aberta a empresas e entidades da imprensa e da mídia que operam ativamente no setor na América Latina.

Podem participar os projetos que foram publicados ou realizados entre agosto de 2019 e agosto de 2020. As inscrições, que se encerram em 12 de agosto, podem ser feitas neste link. A entrega dos prêmios está programada para o dia 17 de novembro, durante a edição deste ano do congresso Digital Media Latam, a ser realizado na Cidade do México, no México.

Segue as categorias em disputa neste ano: Melhor site ou serviço de notícias para celular; Melhor uso do vídeo on-line (incluindo RV); Melhor visualização de dados; Melhor campanha de marketing digital para marcas de notícias; Melhor estratégia de conteúdo pago; Melhor campanha de conteúdo de marca ou publicidade nativa; Melhor compromisso de audiências; Melhor projeto de alfabetização de notícias; Melhor site de entretenimento ou esportes; Melhor projeto de áudio digital; Melhor projeto de jornalismo digital.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/1-noticias/jornal-anj-online/29226-abertas-as-inscricoes-para-a-principal-premiacao-do-jornalismo-digital-da-america-latina.html

7

Jun

Pesquisas alertam para agravamento do estresse emocional de jornalistas brasileiros

Os jornalistas brasileiros convivem com aumento do estresse e da ansiedade e enxugamento de benefícios e da renda mensal em meio à pandemia. Esses foram os resultados de pesquisa realizada pela Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês) de 26 e 28.abr.2020.

O levantamento on-line recebeu respostas de 1.300 jornalistas de 77 países. Brasileiros foram os que mais participaram, contabilizando 22% das respostas (289). Segundo números divulgados pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que capitaneou a pesquisa no Brasil, 61,25% (177) dos profissionais afirmaram ter notado aumento da ansiedade e do estresse. Outros 26% (75) relataram perda de benefícios e salário.

Entre o perfil dos participantes, 51,53% são mulheres e os outros 48,47% são homens. Enquanto 53% possuem vínculo empregatício formal, os outros 47% trabalham como freelancers. Os jornalistas também relataram ter convivido com restrições legais para executar o trabalho desde a chegada do novo coronavírus no Brasil. Um terço afirmou que tem coberto temas diferentes dos que acompanhava antes da crise de saúde.

A presidente da Fenaj, Maria José Braga, avalia que a pandemia e a postura de algumas empresas fomentaram a tensão já inerente à rotina dos profissionais. “Jornalistas são uma das categorias mais submetidas ao estresse, mas, agora, há duas mudanças significativas”, diz.

Braga elenca as alterações no ambiente de trabalho e os prejuízos nos vínculos empregatícios como potencializadores da ansiedade e do estresse para os profissionais. No primeiro caso, o trabalho remoto pode ser causador de ainda mais estresse. “Temos visto que o profissional fica em um alerta constante e que, muitas vezes, não há delimitação do horário da jornada”. No caso dos jornalistas que continuam na cobertura presencial, a necessidade de redobrar cuidados de prevenção e a possível exposição ao vírus também agravam a situação, segundo explica Braga.

Já no segundo caso, afirma que “a pandemia também foi usada como justificativa para medidas prejudiciais nas relações de trabalho, como a redução da jornada com redução salarial, ou mesmo a suspensão do contrato de trabalho”. 

Outras organizações também estão monitorando o agravamento da saúde mental na categoria por preocupações semelhantes às da Fenaj. O Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, realizou estudo recente sobre os impactos da pandemia na vida dos comunicadores, que terá os resultados publicados em breve.

Roseli Fígaro, coordenadora do CPCT, explicou à Abraji que 557 profissionais — sendo 75% jornalistas — responderam às perguntas de 5 a 30.abr.2020, período que corresponde ao início das políticas de afastamento social. As respostas vieram de 24 unidades da federação, além do Distrito Federal.

Os profissionais apontaram a reorganização da rotina profissional como um dos principais desafios enfrentados. Em relação aos principais medos, 60% colocaram em primeiro lugar o contágio pela covid-19, enquanto outros 40% mencionaram o medo do desemprego.

“Podemos dizer que, nas últimas décadas, as condições de produção dos profissionais da comunicação vêm piorando. A pandemia adiantou um processo que já estava em andamento: a virtualização das redações”, explica Figaro. A especialista questiona, no entanto, o custo dessas rápidas transformações para os jornalistas.

72% dos participantes da pesquisa afirmaram que houve intensificação da jornada de trabalho, tanto em relação ao ritmo quando às horas trabalhadas. As respostas indicaram um aumento que variou de 2 a 6h por dia.

“A redação virtual é bacana, mas é preciso pensar como se faz isso: o tempo de trabalho, a gestão e as plataformas usadas. Os custos operacionais têm sido todos do comunicador — computador, celular, internet, energia elétrica”, descreve a professora da ECA-USP. 

“O trabalhador está sendo levado ao extremo com o aumento de horas trabalhadas, a intensificação do ritmo e a renormalização ampla dos processos produtivos na qual ele tem que se reinventar por conta própria, sem qualquer manual”. A consequência, avalia, é o agravamento do estresse emocional.

Outra questão apontada pela pesquisa como delicada para o quadro de tensão dos comunicadores é a preocupação constante com a sociedade e o bem público. “Notamos uma consciência muito presente da função social dos comunicadores. Isso é importante, mas também traz uma preocupação a mais no decorrer do processo de produção”, explica Figaro.


Psiquiatra relata preocupação com jornalistas

 A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) também iniciou esta pesquisa, ainda aberta para a resposta de profissionais da imprensa. De acordo com Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP e da Associação Psiquiátrica da América Latina (Apal), a ideia surgiu de relatos informais coletados de jornalistas. Em um dos episódios, ele ouviu de profissionais da imprensa que jornalistas estavam com dificuldade de diferenciar se a falta de ar que passaram a sentir no dia a dia era um sintoma da covid-19 ou de um quadro de ansiedade. 

Estresse é uma palavra que não vem da medicina, é emprestada para medir a tolerância a algo. E o jornalista, que estava acostumado com uma rotina, agora já soma três meses trabalhando em uma situação atípica”, descreve. “Outro conceito importante nessa discussão é a resiliência, outra palavra emprestada pela medicina que está ligada à adaptabilidade. É importante reforçar que a adaptação de cada jornalista é diferente e deve ser respeitada”, completa.

A pesquisa da ABP com jornalistas dá continuidade a outros monitoramentos também feitos pela associação com profissionais na linha de frente do combate à pandemia. Todos sinalizaram preocupação com a saúde mental. No primeiro monitoramento, a pesquisa coletou respostas de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS). O levantamento, que esperava a participação de uma média de 2 mil profissionais, teve 220 mil respostas, e os dados ainda estão em análise.

De acordo com o presidente da ABP, o cenário que se desenha é de que a sociedade experimentará uma ‘quarta onda’ da pandemia, marcada pelo agravamento das doenças mentais. “Índices de suicídio, depressão, ansiedade, consumo de álcool e drogas aumentarão”, afirma.

Com informações da Abraji

28

Mai

Com saída de Cledivânia, Everton Dantas assume a direção de redação da Tribuna do Norte

O jornalista Everton Dantas será o novo diretor de Redação da Tribuna do Norte, em substituição a Cledivânia Pereira, que pediu desligamento e encerra nesta sexta (29) a trajetória de dez anos no jornal. Everton recebeu o convite do Diretor Executivo do Grupo, Daniel Cabral, que assumiu recentemente a função. Daniel foi chefe de Everton até 2019, quando os dois trabalhavam no Grupo Opinião – o primeiro como diretor de Jornalismo e o segundo como editor geral do portal OP9.

Cledivânia Pereira deixa na Tribuna, como legado da coordenação do projeto de mídias sociais da empresa, quase 950 mil perfis conectados nas redes sociais, o que torna o grupo Tribuna a maior rede de produção e distribuição de conteúdo jornalístico do Rio Grande do Norte. Ao longo de sua passagem pelo jornal, recebeu alguns prêmios jornalísticos que lhe deram o título de sétima jornalista mais premiada do Nordeste e uma dos 100 jornalistas brasileiros mais premiados. Entre 2014 e 2015, venceu 13 prêmios de jornalismo impresso e online com matérias publicadas no jornal, incluindo o Premio de Periodismo Económico Iberoamericano, da IE Business School, de Madri, em 2015.

Everton Dantas chega na Tribuna também levando na bagagem uma longa experiência em impresso. Na verdade, retorna, pois ingressou na TN como estagiário da editoria de Política em junho de 2001 – depois de uma passagem pelo Diário de Natal – e permaneceu por lá nove anos. Depois da experiência na Tribuna, assumiu outros desafios e voltou ao impresso como chefe de reportagem, editor e chefe de redação do Novo Jornal. Foi também um dos 18 selecionados no Brasil para desenvolver projeto de reportagem pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos. Como editor no Portal OP9, recebeu prêmios de jornalismo do Ministério Público e da Fecomércio, em 2019.

O blog deseja sucesso a Everton na condução da principal redação de impresso do Estado e toda a sorte a Cledivânia, que após dez anos de compromisso com o jornalismo diário na TN, vai se dedicar a novos projetos.

 

 

28

Mai

Projeto fará ciclo de debates sobre jornalismo científico

O projeto de extensão Sala de Ciência (SCi/UFRN), vinculado ao Instituto do Cérebro (ICe/UFRN) e à Superintendência de Comunicação (Comunica/UFRN), realiza em junho o primeiro ciclo de debates online sobre Jornalismo científico e popularização da ciência. A primeira live acontece no dia 2, às 14h30, com transmissão no canal do YouTube do Instituto Internacional de Física (IIF). A conferencista será a jornalista Fabíola Oliveira — vencedora do Prêmio José Reis e autora do livro Jornalismo científico , que trará o tema Entendendo o Jornalismo Científico.

Mestre em Ciências da Comunicação e doutora em Jornalismo Científico pela Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Fabíola atuou como professora universitária em diversos cursos no Brasil sobre o tema e deixou significativas contribuições para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Foi presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) e membro fundadora da Federação Mundial de Jornalistas Científicos (WFSJ). É autora ainda dos livros 100 Anos de Meteorologia no BrasilCaminhos para o Espaço e O Brasil Chega ao Espaço. Aposentada como jornalista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), atualmente se dedica a escrever sobre ciência e temas correlatos.

A mediação será feita pelo diretor da Agência de Comunicação da UFRN (Agecom), José de Paiva Rebouças, e pelo assessor de imprensa do Instituto Internacional de Física (IIF/UFRN), Cyro Souza. Participam ainda como convidados professores e pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais/UFRN) e Kênia Maia, do Departamento de Comunicação (Decom/UFRN), além da jornalista Mariana Ceci, da Tribuna do Norte. Estudantes vinculados ao SCi/UFRN também poderão interagir.

A proposta é realizar cinco encontros virtuais no mês de junho, um a cada terça-feira, tendo como conferencista uma referência no tema em nível nacional, seja no campo acadêmico ou profissional. Entre os convidados estão jornalistas da Folha de São Paulo, USP, projeto Jeduca e Revista Piauí. Todas as lives têm participação de pesquisadores, professores e jornalistas da UFRN e do estado. A programação completa será divulgada em breve.

27

Mai

Imortal Murilo Melo Filho parte deixando legado para o jornalismo e, para mim, a lembrança do carinho e incentivo

A foto, de 2015, registra o último encontro que tive com o jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras, Murilo Melo Filho. Na ocasião, ambos iríamos receber uma homenagem na Assembleia Legislativa pelo Dia do Jornalista. Aproximei-me e agradeci a ele a generosidade e carinho enormes que me dispensou quando eu, recém-admitida estagiária no Diário de Natal, nos idos de 2000, tive a oportunidade de fazer um perfil de página inteira falando de sua vida e vivências como jornalista e acadêmico. Murilo havia sido, entre outras coisas, o único jornalista brasileiro a cobrir a Guerra do Vietnã e a Guerra do Camboja. Conheceu inúmeros chefes de Estado e acumulou prêmios e medalhas ao longo de sua carreira. 

Ao ler a matéria que tinha escrito sobre ele no Diário de Natal, Murilo, gentilmente, dirigiu carta à direção do jornal e a mim, elogiando a qualidade do texto e prevendo um futuro promissor no jornalismo para aquela jovem estagiária. Incentivo precioso de um potiguar de renome para a menina que sonhava conquistar seu espaço no veículo que tanto admirava, para seguir uma carreira sonhada desde a infância. 

Quando o reencontrei, em 2015, contei que tinha feito carreira por 10 anos no jornal, sendo sua Editora Executiva quando encerrou as atividades por decisão dos Diários Associados, em 2012. Agradeci aquele tão importante incentivo em meu início de carreira, naquela época já tinha quase 15 anos, e ele, atencioso e gentil, repetiu os mesmos votos de êxito. Pouco depois, proferiu um belíssimo discurso sobre jornalistas e seu ofício no plenário da Assembleia. 

Hoje, ao saber da notícia de sua morte, pensei: vai-se um lorde, um homem de grande inteligência, um jornalista de vivências únicas e um potiguar de coração enorme. Murilo Melo Filho partiu por falência múltipla de órgãos, depois de três anos sofrendo as sequelas de uma AVC que o atingiu em 2017. 

Descanse em paz, Murilo Melo Filho. Obrigada pela honra de ter tido de você, palavras preciosas de um incentivo determinante à minha carreira. Até a próxima.

Juliska Azevedo

23

Mai

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e OAB realizam webinar sobre "Liberdade de imprensa, Justiça e segurança dos jornalistas"

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) realizam, em 27.mai.2020, a partir das 9h30, o seminário virtual "Liberdade de imprensa, Justiça e segurança dos jornalistas". O evento marca o lançamento do convênio entre as duas organizações, que fornecerá orientação jurídica básica para jornalistas vítimas de ameaças e assédio on-line. As inscrições devem ser feitas por meio deste link.

Participarão o procurador-geral da República, Augusto Aras; os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes; o presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz; o diretor da Faculdade de Direito da USP, Floriano de Azevedo Marques Neto; o coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa da OAB Federal, Pierpaolo Bottini; o presidente da Abraji, Marcelo Träsel; e a repórter especial da Folha de S. Paulo Patricia Campos Mello. 

O webinar marca também o lançamento da “Cartilha sobre medidas legais para a proteção de jornalistas contra ameaças e assédio on-line”, material que detalha, entre outros pontos, as características para reconhecer um abuso virtual e o passo a passo para denunciá-lo às autoridades brasileiras e às cortes internacionais de direitos humanos. Também explicará como vai funcionar a orientação jurídica do convênio entre Abraji e OAB Federal.

No centro das discussões, estarão os recentes ataques direcionados a jornalistas, especialmente durante a pandemia de covid-19, e os riscos que esses episódios representam para a democracia. Recente levantamento da Abraji e da rede latino-americana Voces del Sur, por exemplo, registrou ao menos 24 violações relacionadas ao contexto da covid-19 no Brasil de 01.mar.2020 a 21.abr.2020.

O ministro do STF Alexandre de Moraes classifica a censura e as recentes agressões contra profissionais da imprensa como um atentado às liberdades fundamentais do Estado Democrático de Direito. “Agressões contra jornalistas devem ser repudiadas pela covardia do ato, não podendo ser toleradas pelas instituições e pela sociedade”, pontua o magistrado, que também é professor da Faculdade de Direito da USP. 

Na mesma linha, o ministro Luís Roberto Barroso defende a liberdade de imprensa e o jornalismo profissional como formas de combater “o ódio, a mentira e a intolerância”. Já o procurador-geral da República, Augusto Aras, caracteriza as recentes agressões como “de elevada gravidade”.

O presidente da Abraji, Marcelo Träsel, lembra que liberdade de imprensa, assim como o direito de sigilo da fonte, são garantias estabelecidas pela Constituição Federal e por leis vigentes no país. O Artigo 220 da Carta Magna, por exemplo, estabelece que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”. Dispositivo semelhante também é assegurado pela Lei 2083, de 1953, que regula a Liberdade de Imprensa.


Confira programação completa do webinar e a descrição dos palestrantes:

Abertura

  • Felipe Santa Cruz é presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil no triênio 2019-2022. Graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e mestre pela Universidade Federal Fluminense (UFF), presidiu a OAB nos triênios 2013-2015 e 2016-2018; 
  • Floriano de Azevedo Marques Neto é diretor da Faculdade de Direito da USP. Graduado, doutor e livre-docente pela mesma instituição, é professor titular da USP.
  • Marcelo Träsel é presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Doutor em Comunicação Social pela PUC-RS, criou o curso de especialização em Jornalismo Digital da mesma universidade.
  • Patricia Campos Mello é  repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo, além de diretora da Abraji. Foi vencedora do Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do Committee to Protect Journalists (CPJ) em 2019.

Apresentação da cartilha 

  • Pierpaolo Cruz Bottini é professor do departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da USP. Mestre e doutor pela mesma instituição, coordena o Observatório de Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da OAB. 

Conferência “Liberdade de imprensa: fundamentos, importância e desafios” 

  • Alexandre de Moraes é ministro do Supremo Tribunal Federal. Professor do departamento de Direito de Estado da Faculdade de Direito da USP, é doutor e livre-docente pela mesma instituição;
  • Antônio Augusto Brandão de Aras é procurador-geral da República e e professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB); 
  • Luís Roberto Barroso é ministro do Supremo Tribunal Federal e  Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O seminário é uma realização da Abraji e do Conselho Federal da OAB, com apoio da ESPM e da Faculdade de Direito da USP.

Com informações da Abraji

21

Mai

Pesquisa: violência contra crianças pode crescer 32% durante pandemia

Um relatório da organização não governamental (ONG) World Vision estima que até 85 milhões de crianças e adolescentes, entre 2 e 17 anos, poderão se somar às vítimas de violência física, emocional e sexual nos próximos três meses em todo o planeta. O número representa um aumento que pode variar de 20% a 32% da média anual das estatísticas oficiais. O confinamento em casa, essencial para conter a pandemia do novo coronavírus, acaba expondo essa população a uma maior incidência de violência doméstica.

“À medida que o coronavírus progride, milhões de pessoas se refugiam em suas casas para se proteger. Infelizmente, a casa não é um lugar seguro para todos, pois muitos membros da família precisam compartilhar esse espaço com a pessoa que os abusa. Escolas e centros comunitários não podem proteger as crianças como costumavam nessas circunstâncias. Como resultado, nosso relatório mostra um aumento alarmante nos casos de abuso infantil a partir das medidas de isolamento social”, afirma Andrew Morley, presidente do conselho da World Vision International, segundo o documento tornado público nesta quarta-feira (20).

A íntegra do relatório, em inglês, pode ser consultada aqui. As medidas de distanciamento social, incluindo o fechamento de escolas, foram adotadas por 177 países e afetaram 73% de toda população estudantil mundial, fazendo com que a maior parte das crianças permanecesse praticamente todo o tempo em suas casas. 

O levantamento da ONG incluiu a revisão de indicadores emergentes de violência contra crianças, como relatórios de aumento de violência doméstica, crescimento do número de denúncias por telefone, informações dos escritórios de campo e estimativas feitas com base em epidemias anteriores. No caso do Brasil, a projeção é de um aumento de 18% no volume de denúncias de violência doméstica. Esse aumento deve chegar a 75% no Chile, 50% no Líbano e 21,5% nos Estados Unidos. 

Em abril, por exemplo, um balanço do governo de Bangladesh, compilado a partir de várias fontes, incluindo a World Vision, apontou que os espancamentos ou castigos físicos cometidos por pais ou responsáveis aumentaram em 42% e que os pedidos de ajuda nos serviços telefônicos de apoio subiram até 40% no país. Na Ásia, entre 3,5 milhões e 5,7 milhões de crianças poderão ser vítimas de violência nos próximos meses. Esse número é ainda maior na África, podendo atingir até 18,3 milhões a mais de vítimas. Na América Latina, as projeções indicam que a pandemia deve aumentar entre 2,9 milhões e 4,6 milhões o número de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica. 

Casamento infantil

Uma estimativa destacada pela World Vision, em seu relatório, é o aumento do número de casamentos forçados de crianças e adolescentes, que podem envolver 13 milhões de vítimas na próxima década, uma boa parte (4 milhões) nos próximos dois anos, como reflexo direto da pandemia. Segundo o relatório, os casamentos precoces de meninas adolescentes "podem ser percebidas pelos pais ou cuidadores como forma de reduzir encargos domésticos, ou um meio de obter renda ou obter empréstimos através de economias informais baseadas no dote".

Um relatório recente da Europol, a Polícia Europeia, mostra que a demanda por conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes aumentou durante a pandemia da covid-19. Dados compilados de outras partes do mundo, como Índia, Filipinas, Tailândia e Camboja também apontam o mesmo aumento. 

Fonte: Agência Brasil