Jornalismo

23

Jan

Jornalismo

As razões que fizeram os jornais crescerem em 2019

Deu no Meio & Mensagem

A circulação geral dos maiores jornais do País aumentou no ano passado. Impulsionado pelas assinaturas digitais, o desempenho desses títulos melhorou em um cenário de recente retração e queda nos números.

Na opinião de Pedro Silva, presidente do instituto Verificador de Comunicação (IVC), a transformação dos hábitos de consumo de conteúdo, o investimento dos veículos na qualificação de suas plataformas digitais e a complexidade dos cenários político e econômico do País atualmente pesaram para que os dados de circulação dos grandes jornais fossem positivos no ano passado na comparação com 2018. Os tópicos abaixo apresentam os motivos que, na visão do IVC, levaram as grandes marcas jornalísticas a encerrar o ano passado de forma mais positiva.

Notícias mais complexas
De acordo com Pedro Silva, é comum as circulações dos jornais aumentarem em anos de eleição. A regra, no entanto, não se aplica em relação a 2019, que registrou crescimento mesmo sem uma disputa eleitoral. Mas os desdobramentos dos resultados das urnas no ano passado colaboraram para que a demanda por notícias fosse mais alta no ano que passou. “Os assuntos mais discutidos ao longo do ano de 2019 era complexos e exigiam uma análise mais aprofundada. Embora estejamos em meio à proliferação de fake news, as pessoas buscam por informações de credibilidade quando precisam compreender melhor um assunto. A Reforma da Previdência é um bom exemplo. O assunto foi trabalhado na mídia há meses e as pessoas tinham curiosidade em entender como essas novas regras afetariam as suas vidas. Há, em todo o mundo, acontecimentos que precisam ser explicados de forma mais complexa e, nesse momento, as marcas jornalísticas consolidadas acabam prevalecendo”, analisa o presidente do IVC.

Alta do digital
Quando se analisa a circulação digital dos cinco maiores jornais do País, todos – com exceção do Zero Hora, do Grupo RBS – registraram crescimento em suas assinaturas digitais em 2019. Essa transição de hábitos de consumo de conteúdo mudou a relação das pessoas com o jornal, que deixou de ser algo pronto e estático para entrar na lógica de uma mídia dinâmica, alimentada continuamente. “Houve um tempo em que os assinantes das versões impressas dos jornais também ganhavam o direito de ter uma assinatura digital e isso acaba influenciando nos dados. Agora, quando conseguimos diferenciar essas assinaturas, percebemos que o digital já responde pela maior parte da circulação dos grandes jornais. Já há algum tempo, as pessoas estão lendo mais o digital do que o impresso”, diz Silva.

Regional, porém universal
Outro ponto que o presidente do IVC atribuiu para o aumento da média da circulação dos jornais é a postura mais universal das coberturas, sobretudo dos pequenos veículos. “Os jornais que eram bem focados nas notícias locais passam a se posicionar como veículos nacionais. A Folha de S.Paulo, por exemplo, apesar do nome, é um jornal nacional que acompanha os acontecimentos do Brasil e do mundo. Isso faz com que o interesse pelo conteúdo aumente em diferentes locais e, também, abre a possibilidade de o veículo conquistar novos mercados”, pontua.

Fortalecimento dos portais
O presidente do IVC também considera que, embora os dados de circulação digital refiram-se às edições “fechadas” dos jornais, que correspondem à determinada data, o consumo de conteúdo jornalístico nos portais dos veículos deve seguir em alta. “Estamos nos preparando para uma transição no consumo dos jornais e vemos que os websites dos veículos começam a ter um alcance ainda maior do que as próprias edições digitais pelo fato de oferecer informações sempre atualizadas. O impresso deve continuar caindo, essa é uma tendência inevitável, mas as pessoas continuarão em busca das informações jornalística no ambiente digital”, conclui Silva.

Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2020/01/23/as-razoes-que-fizeram-os-jornais-crescerem-em-2019.html

22

Jan

Jornalismo

Circulação dos maiores jornais do País cresce em 2019

Três dos cinco maiores jornais do País registraram crescimento na média da circulação do ano de 2019. Dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC) apontam que, no ano passado, a média das circulações da Folha de S.Paulo, O Globo e Super Notícia cresceu na comparação com a média anual de 2018.

Líder no segmento do País, a Folha registrou uma média mensal de 328.438 exemplares de acordo com o IVC. O número representa um aumento de 6,4% na comparação com a circulação registrada pela Folha no ano anterior. Para esse cálculo, o IVC considera a soma dos dados de circulação impressa com os de circulação digital.

Segundo colocado no ranking, o Globo registrou um aumento de 7,2% na circulação geral, em comparação com 2018, alcançando o número de 323.172 exemplares. O Super Notícia, de Minas Gerais, também ampliou sua circulação em 2019, alcançando uma média de 193.105 (3,1% superior à registrada em 2018).

Embora o Estadão tenha registrado uma ligeira queda de 0,8& na média geral de circulação em 2018, o veículo também cresceu quando se analisa somente a parte de assinaturas digitais. Nesse meio, o jornal viu sua circulação subir 5,5% em 2019 na comparação com o ano anterior.

O Zero Hora, de Porto Alegre, também teve um recuo em sua média geral de circulação (impresso + digital), que passou de 181.183 exemplares em 2018 para 163.594 no ano passado.

Fonte: Meio & Mensagem, disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2020/01/21/circulacao-dos-maiores-jornais-do-pais-cresce-em-2019.html

22

Jan

Jornalismo

Centro especializado dos EUA oferece cursos online de jornalismo colaborativo

Center for Cooperative Media oferece uma série de cursos on-line e gratuitos sobre jornalismo colaborativo entre janeiro e abril. Com duração média de uma hora, os cursos têm diferentes datas de exibição, que podem ser escolhidas pelo(a) aluno(a) no momento da inscrição.

Três módulos estão disponíveis: “Introdução ao jornalismo colaborativo”, “Como construir a colaboração no jornalismo” e “Fluxo de trabalho e tecnologia no jornalismo colaborativo”.

De acordo com Stefanie Murray, diretora do centro, os cursos podem fornecer inspiração a iniciativas de jornalismo colaborativo que crescem no Brasil e na América Latina através de uma visão geral de como esse modelo está sendo estudado nos Estados Unidos e dos diferentes tipos de projetos possíveis.

“Temos ouvido falar sobre muitos esforços de colaboração interessantes acontecendo na América Latina, e acreditamos que é um cenário propício para mais parcerias”, afirma.

Murray é responsável pela apresentação do curso de introdução ao jornalismo colaborativo. Os outros dois módulos são apresentados por Heather Bryant, fundadora do Projeto Facet.

Localizado na Universidade Estadual de Montclair, em Nova Jersey, Estados Unidos, o Center for Cooperative Media tem como missão o fortalecimento do jornalismo local e colaborativo. Os cursos foram financiados por uma doação da Fundação Rita Allen.

Fonte: Abraji, disponível em: https://abraji.org.br/noticias/centro-especializado-dos-eua-oferece-cursos-online-de-jornalismo-colaborativo

17

Jan

Jornalismo

Brasil registra mais de 200 ataques contra jornalistas em 2019

Em 2019, foram registrados 208 ataques a veículos de comunicação e a jornalistas, um aumento de 54,07% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 135 ocorrências, de acordo com o relatório Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, divulgado na última quinta-feira (16) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Dados do relatório mostram que, em 2019, houve dois assassinatos, 28 casos de ameaças ou intimidações, 20 agressões verbais, 15 agressões físicas, dez casos de censura e outros de impedimentos ao exercício profissional.

O relatório destacou o assassinato dos jornalistas Robson Giorno e Romário da Silva Barros, ambos com atuação em Maricá (RJ). Ainda foi assassinado outro membro da área de comunicação, o radialista Claudemir Nunes, que atuava numa rádio comunitária em Santa Cruz de Capiberibe (PE). Em 2018, foram quatro radialistas mortos em razão de suas atividades.

A federação informa ainda que diminuiu o número de casos de agressões físicas, tipo de violência mais comum até 2018. Em 2019, foram 15 casos que vitimaram 20 profissionais, segundo o relatório.

De acordo com a Fenaj, os políticos foram os principais autores de ataques a veículos de comunicação e jornalistas. O relatório registra 144 ocorrências (69,23% do total), a maioria delas tentativas de descredibilização da imprensa (114). Segundo o levantamento, o presidente Jair Bolsonaro foi o autor de 121 ataques em 2019, o equivalente a 58,17% do total de casos registrados no ano (208).

Regiões

O Sudeste é a região brasileira em que mais ocorreram casos de violência direta contra jornalistas, seguindo tendência registrada nos últimos seis anos. Em 2019, foram 44 ocorrências na região, representando 46,81% do total de 94 agressões, de acordo com o relatório. O estado de São Paulo foi o mais violento com 19 casos (20,21% do total), seguido do Rio de Janeiro (12), Espírito Santo (sete) e de Minas Gerais (seis).

A Região Centro-Oeste passou à condição de segunda mais violenta, com 18 casos, a maioria no Distrito Federal (13), seguido de Mato Grosso (quatro) e Mato Grosso do Sul (um).

No Sul do país, foram 15 casos de agressões. O Paraná foi o estado com maior número (oito), seguido do Rio Grande do Sul (cinco) e Santa Catarina (dois).

No Nordeste, foram 11 casos de agressões, sendo o Ceará o mais violento para a categoria, com sete ocorrências, seguido de Alagoas (dois), Bahia e Pernambuco, com um caso cada.

A Região Norte teve o menor número de casos de violência. Em 2019, foram seis ocorrências. No Amazonas e em Rondônia, foram dois casos em cada, e, no Pará e no Tocantins, um caso em cada.

Com informações da Agência Brasil

15

Jan

Jornalismo

OpenNews financia viagens de interessados em aprender mais sobre jornalismo de dados

OpenNews, organização mundial pertencente ao Community Partners e que conecta desenvolvedores, designers, jornalistas e editores para colaborar em tecnologias e processos abertos no jornalismo, lançou uma seleção para financiar viagens de jornalistas ao redor do mundo que desejam participar de eventos de jornalismo de dados ou tecnologia.

As inscrições estão abertas até o dia 21.jan.2020, priorizando os eventos que ocorrerão até o primeiro semestre de 2020. Todos os candidatos receberão uma resposta até segunda-feira, 27.jan.2020. A OpenNews afirma que prioriza inscrições de jornalistas negros e jornalistas de organizações de notícias locais, mas incentiva qualquer pessoa que trabalhe no cruzamento entre jornalismo e tecnologia a tentar a bolsa.

Os escolhidos receberão 500 dólares para o custo de participar de um evento (deslocamento, hospedagem etc) sobre jornalismo e tecnologia ou um evento de código aberto e cobertura total da taxa de inscrição (limitada a mil dólares). Veja mais detalhes e como se inscrever aqui (em inglês).

Fonte: Abraji, disponível em: https://abraji.org.br/noticias/opennews-financia-viagens-de-interessados-em-aprender-mais-sobre-jornalismo-de-dados

15

Jan

Jornalismo

Abertas as inscrições para os prêmios Ortega y Gasset de jornalismo

Estão abertas as inscrições para a 37ª edição dos prêmios Ortega y Gasset de Jornalismo, que destacam a defesa da liberdade, independência, rigor e honestidade como virtudes essenciais da atividade jornalística.

Os prêmios, criados em 1984 em memória do filósofo José Ortega y Gasset, reconhecem trabalhos jornalísticos publicados ao longo de 2019 e originalmente em espanhol, além da carreira de um profissional.  A premiação é dividida em quatro categorias: Melhor história ou pesquisa jornalística; Melhor cobertura multimídia; Melhor fotografia; e, por fim, o reconhecimento à carreira profissional de um jornalista com o prêmio Trajetória. As inscrições (aqui) podem ser efetivadas até 8 de março.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/25569-abertas-as-inscricoes-para-os-premios-ortega-y-gasset-de-jornalismo.html

7

Jan

Jornalismo

Inscrições abertas para novo prêmio mundial de jornalismo de dados

Estão abertas as inscrições para o Sigma Awards, um novo prêmio mundial para iniciativas de jornalismo de dados. A competição é patrocinada pela Google News Initiative e hospedado pelo Centro Europeu de Jornalismo DataJournalism.com. Interessados podem submeter trabalhos até 3 de fevereiro no site.
 
O prêmio é dividido em seis categorias: melhores reportagens baseadas em dados; melhor visualização; inovação; jovem jornalista; dados abertos; e melhores produtos/aplicativos de notícias.
 
Todos os projetos vencedores ganharão um troféu e uma viagem com todas as despesas cobertas pelo Festival Internacional de Jornalismo 2020, para até duas pessoas de sua equipe. O evento acontecerá em Perugia, Itália, de 1 a 5 de abril deste ano. Mais informações no site do prêmio

3

Jan

Jornalismo

Pesquisa mostra que geração Z valoriza o impresso e o conteúdo distribuído de forma integrada em diferentes canais

Os hábitos dos jovens nascidos nos anos 2000 são, lógico, digitais. No entanto, a chamada geração Z (nascidos a partir do fim dos anos 1990) guarda tempo e disposição para a leitura de conteúdos offline, incluindo edições impressas de jornais e revistas, revela estudo da MNI Targeted Media, da Meredith Corporation, proprietária de dezenas de publicações nos Estados Unidos. O levantamento mostra ainda que esse público sabe diferenciar as virtudes de cada meio e dá valor à informação distribuída dentro de um conceito linear nos vários canais digitais, eletrônicos e impressos.

A pesquisa, feita em parceria com as Universidades do Mississipi e Purdue, indica que 90% dos entrevistados confiam nas organizações jornalísticas quando buscam notícias. Sinaliza ainda que a Geração Z, que em 2020 deverá responder por quase 40% do mercado consumidor dos Estados Unidos, passa mais tempo lendo jornais e revistas impressos do que nas redes sociais, sites e blogs. Além disso, os jovens nascidos nos anos 2000 prestam mais atenção no que leem em papel do que acompanham na web.

A geração Z, continua a pesquisa, faz muito uso das redes sociais, mas de maneira distinta das de outras gerações. “Esses jovens usam as redes sociais para cultivar identidades e contar histórias, quase sempre dirigidas a audiências específicas”, diz o estudo. “Sabem como levar uma narrativa a pessoas adequadas e criar compromisso”.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/25319-geracao-z-valoriza-o-impresso-e-o-conteudo-distribuido-de-forma-integrada-em-diferentes-canais.html

2

Jan

Jornalismo

Portal NoAr, com 7 anos de atuação, anuncia o encerramento das suas atividades

O Portal NoAr acaba de anunciar em sua manchete principal, para leitores e anunciantes, que está encerrando suas atividades. O portal, criado há 7 anos, se posicionava como um dos mais acessados do Estado, e era dirigido pelos jornalistas Ricardo Rosado e Aluísio Lacerda. Na edição geral, desde a abertura do portal, estava a jornalista Ilana Albuquerque.

Os sócios-diretores do Portal também se associaram a um dos seus fundadores, o empresário Flávio Azevedo, na negociação que comprou parte do jornal Tribuna do Norte em julho do ano passado. Desde a divulgação da participação deles no novo negócio, havia ficado a incógnita sobre a permanência do Portal NoAr. O Blog da Juliska lamenta o encerramento das atividades do veículo, que fazia jornalismo informativo e de qualidade! Confira abaixo, na íntegra, a nota divulgada pelo Portal: 

O PORTAL NOAR SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO LTDA, empresa jornalística criada há 7 anos, comunica aos leitores, anunciantes, agências de propaganda e demais fornecedores que encerra suas atividades neste dia 02 de janeiro de 2020.

Aproveita para agradecer a confiança no trabalho jornalístico sempre pautado na ética, no respeito ao leitor, na defesa dos princípios da democracia, liberdade de expressão e pluralidade de opiniões.

Um agradecimento especial a todos os profissionais que durante este período nos ajudaram na produção de conteúdo jornalístico de qualidade. Muito obrigado

24

Dez

Jornalismo

Cresce o número de jornalistas presos indevidamente acusados de divulgar “notícias falsas”, segundo o CPJ

relatório anual divulgado pelo Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) no último dia 11 de dezembro apontou crescimento no número de jornalistas presos ao redor do mundo. Em 01 de dezembro havia pelo menos 250 comunicadores encarcerados por conta de seu trabalho.

Joel Simon, diretor-executivo do CPJ, enxerga os índices como “uma ameaça ao sistema global de informações do qual todos dependemos”. Os países que mais prendem jornalistas hoje são China, Turquia, Arábia Saudita e Egito. “Governos repressivos estão usando essas táticas cruéis para privar suas próprias sociedades e o mundo inteiro de informações essenciais”, afirma.

Mais uma vez, envolvidos na cobertura política têm mais chance de serem presos, seguidos por aqueles que investigam violações de direitos humanos e corrupção. E há mudanças em curso: o número de jornalistas incriminados por “notícias falsas” aumentou para 30, três a mais do que em 2018. Entre 2014 e 2019, 63 pessoas já foram parar atrás das grades enfrentando essa acusação -- apesar da falta de clareza sobre o conceito de “notícia falsa”.

Segundo o levantamento do CPJ, 11 países efetuaram prisões desse tipo nos últimos cinco anos: China, Turquia, Egito, Iraque, Síria, Etiópia, Ruanda, Irã, Camarões, Nigéria e Somália. Em todos os casos, há leis em vigor que criminalizam a disseminação de “notícias falsas” com definições vagas. 

Em Camarões, por exemplo, é ilegal divulgar “qualquer notícia sem poder apresentar provas de sua veracidade ou ter uma boa razão para acreditar que é verdadeira”. Na Etiópia, podem ser presos por até 20 anos “aqueles que publicarem declarações que possam incentivar, direta ou indiretamente, o terrorismo”. No Irã, as punições para quem publicar conteúdos que “prejudiquem a moral pública ou sejam falsos” vão desde longos anos na prisão até a pena de morte. As informações foram retiradas do guia sobre tentativas de combate à desinformação, do Instituto Poynter.

Assim como boa parte dos países que aparecem no guia, no Brasil a maioria dos esforços de combate à notícias fraudulentas estão direcionadas ao campo político. Em maio de 2018 — ou seja, pouco antes no início da disputa eleitoral — reportagem da Agência Pública apontou a existência de 20 Projetos de Lei para criminalização das “fake news”, com penalidades que iam do pagamento de multas até penas de oito anos de reclusão. 
 
O assunto não deixou de ser debatido após o fim da eleição presidencial. Atualmente, está em atividade no Congresso Nacional a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake news, criada em setembro de 2019 após proposição do deputado federal Alexandre Leite (DEM/SP). O grupo, com 15 senadores e 15 deputados, tem como objetivo investigar ataques cibernéticos e a utilização de perfis falsos que atentem contra a democracia e o processo eleitoral. Além disso, a CPMI das Fake News deve também, até 13.abr.2020, averiguar a prática de cyberbullying e a orientação de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio. 

Daniel Bramatti, presidente da Abraji, participou da reunião da comissão em 22 de outubro. Na ocasião, defendeu o posicionamento da associação, que não considera a judicialização um caminho adequado para combater a desinformação. “Sempre que houve uma oportunidade para combater esse fenômeno com lei e com justiça, o jornalismo saiu prejudicado”, disse. 

Cristina Tardáguila, diretora-adjunta da IFCN e fundadora da Agência Lupa, afirma que antes de dar qualquer passo para a criação de uma legislação, é necessário ter uma definição exata e correta do que são “notícias falsas”. “Fact-checkers e especialistas em desinformação do mundo inteiro têm encontrado imensa dificuldade de redigir uma definição precisa para essa expressão”, afirma. “Assim sendo, qualquer tentativa de legislar sobre o assunto corre o sério risco de tangenciar a censura ou o controle de informação.”

O presidente da CPMI das Fake News não compartilha da mesma visão. Por meio da assessoria de imprensa, o senador Angelo Coronel (PSD/BA) afirmou que há na judicialização um caminho para enfrentar o problema da desinformação. “Quem espalha mentiras na internet tem que ser penalizado, especialmente quem utiliza perfis falsos”, disse. “Temos que ter mecanismos jurídicos que obriguem operadoras, provedores, redes sociais e aplicativos de mensagens a rastrear e chegar a quem utiliza perfil falso ou seja, o anonimato, para atingir um adversário político, um desafeto, ou mesmo uma empresa concorrente.”

Questionado sobre o risco de a criminalização ter efeitos negativos sobre a liberdade de expressão, o parlamentar afirmou que “uma coisa nada tem a ver com a outra”. “Opinião é opinião e isso sim é liberdade de expressão, que é garantida pela nossa Constituição e assim continuará sendo. Informação falsa, com o intuito de conquistar votos em uma eleição, por exemplo, ou atacando sem provas adversários, não é liberdade de expressão. Isso é crime sim, e precisa ser punido."

Fonte: Abraji, disponível em: https://www.abraji.org.br/noticias/cresce-o-numero-de-jornalistas-presos-indevidamente-acusados-de-divulgar-noticias-falsas-segundo-o-cpj

23

Dez

Jornalismo

Apple News e ABC News firmam parceria para cobertura ao vivo das eleições nos Estados Unidos

Apple News anunciou um acordo com a ABC News para a cobertura eleitoral nos Estados Unidos no próximo ano. Com a parceria, a Apple News fornecerá ao público uma cobertura em vídeo ao vivo das próximas eleições presidenciais no país, incluindo os primeiros debates que acontecerem. O anúncio ocorre apenas alguns dias depois que o Comitê Nacional Democrata disse que faria uma parceria com a Apple News para o debate que já acontece no dia 07/02, em New Hampshire.

Espera-se que a colaboração da Apple com a ABC News seja lançada ao mesmo tempo que o debate, para que os usuários possam acessar transmissões ao vivo do debate, juntamente com a cobertura das eleições completas para 2020. Segundo a Apple, a colaboração com a ABC News vai durar até o começo de 2021, com cobertura de ambas as convenções, debates presidenciais, eleições gerais e a posse do presidente eleito.

Para James Goldston, presidente da ABC News: “Esta eleição é uma das mais importantes da história moderna, e essa parceria sem precedentes com a Apple News entregará nosso jornalismo político de classe mundial a mais pessoas do que nunca. Isso permitirá que milhões de pessoas compreendam mais profundamente os principais problemas, candidatos e eventos, fornecendo informações diretas, insights e contexto durante todo o ciclo de 2020”, disse em comunicado.

Desde 2016, a Apple trabalha para incluir uma cobertura eleitoral especial em seu aplicativo de notícias. A empresa já investiu em acordos com organizações como Fox News, Vox e Axios durante as eleições de meio de mandato de 2018. No ano passado, os editores da Apple News selecionaram artigos de opinião e cobertura de campanhas em guias dedicadas às eleições para análise dos usuários.A Apple não descreveu seu acordo com a ABC como exclusivo, mas se recusou a comentar se buscará outras parcerias para a sua cobertura eleitoral.

Fonte: Portal B9, disponível em: https://www.b9.com.br/119102/apple-news-e-abc-news-firmam-parceria-para-cobertura-ao-vivo-das-eleicoes-nos-estados-unidos/

22

Dez

Jornalismo

Abraji e Farol lançam especial sobre o que espera o jornalismo brasileiro em 2020

Sob condições adversas, o jornalismo se readaptou. E deverá passar por mudanças ainda maiores em 2020. Essa é aposta dos jornalistas e pesquisadores brasileiros convidados pela Abraji e pelo Farol Jornalismo para projetar os caminhos que a profissão deve seguir no próximo ano. O especial O jornalismo no Brasil em 2020, que reúne dez artigos sobre temas como segurança dos jornalistas, colaboração e empreendedorismo está disponível gratuitamente no Medium.

Nesta quarta edição, o panorama é dos mais complexos. A hostilidade em relação à imprensa, combinada ao contexto político, cria um ambiente de imprevisibilidade para a profissão. As eleições municipais, que irão acontecer no segundo semestre de 2020, também receberam a atenção dos 10 autores desta edição. 

Renata Neder, do Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ), acredita que o próximo ano “será de enormes desafios para a proteção e segurança de jornalistas”. A situação do país, que ocupa a 9ª posição no Índice Global de Impunidade (a edição de 2019 mapeou 13 países em que há cinco casos ou mais de impunidade que envolvem crimes contra jornalistas), pode piorar ainda mais se houver um aumento de casos de assédio judicial e de agressões contra jornalistas.

O agravamento desse problema é abordado no texto de Guilherme Amado, vice-presidente da Abraji e repórter da revista Época. Ele lembra como a mudança no eixo de poder se refletiu em truculência e no dia a dia de quem cobre política em Brasília. Agora que esse tipo de comportamento deixou de ser uma surpresa, espera-se que a imprensa tenha uma posição mais madura diante dos desafios de 2020. O apontamento feito por Amado na edição de 2019 se concretizou: a colaboração cresceu no meio jornalístico, tanto por questões financeiras, quanto para alcançar mais audiência. 

Para o editor do Comprova José Antonio Lima, parcerias entre órgãos de mídia profissionais serão fundamentais "para que o jornalismo continue atuando para preservar o interesse público e para fortalecer as coberturas locais". Em sua segunda edição, o projeto Comprova, coalizão de mídia que reuniu 24 veículos no país, verificou notícias enganosas sobre políticas públicas do governo federal.

Mais uma vez, a importância do jornalismo local aparece nas análises. O cenário não é promissor, já que seis em cada dez municípios do país não dispõem de informação jornalística local, segundo a versão mais recente do Atlas da Notícia. Mas Nina Weingrill, co-fundadora da agência e escola de jornalismo ÉNois, chama a atenção para uma questão cuja importância transcende a cobertura de cidades e bairros, e questiona a própria definição do jornalismo. 

O pesquisador da Unisinos Rafael Grohmann fala de um tema caro aos jornalistas diante de um cenário de transformação da profissão: empreendedorismo. “Os jornalistas têm se reconhecido como trabalhadores e buscado novas formas de organização do trabalho que confrontem lógicas individualistas", afirma. Essa mudança de pensamento gera mudanças tanto em veículos pequenos, como em redações tradicionais, segundo o pesquisador.

Paula Miraglia, cofundadora do Nexo Jornal, afirma que em 2020 “o engajamento da audiência ganhará ainda mais centralidade" a partir de três eixos: levar a sério a ideia de comunidade, olhar para novas métricas e cultivar a relação com o público. Para tanto, é necessário identificar e compreender os lugares e as formas usadas pelas pessoas para se informar.

Portanto, "estudar novos canais de distribuição tem sido tarefa necessária para quem produz narrativas", escreveu Ana Naddaf. A diretora de conteúdo do jornal O Povo projeta que os podcasts chegarão com força às hard news, as newsletters apostarão em contextualização e os stories vão se consolidar como a porta de entrada de um novo público. Presente em 98% dos telefones móveis brasileiros, o WhatsApp segue sendo um desafio para a distribuição e também quando se pensa no compartilhamento de informações de origem duvidosa. 

Adriano Belisário desenha um horizonte distópico não só para 2020, mas para a próxima década. O coordenador da Escola de Dados Brasil aponta que as deep fakes devem aparecer com força nas eleições municipais. "Vídeos manipulados por algoritmos vão se tornar cada vez mais comuns e sofisticados, impondo desafios maiores no combate às ações de desinformação ou manipulação da opinião pública", escreveu.
 
A resposta à desinformação vem de duas frentes principais: fact-checking e educação midiática. Sobre este segundo tópico, Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, defende que a abertura do jornalismo é fundamental para que as pessoas entendam o seu funcionamento e a sua importância para a sociedade. "Está na hora de 'abrir a cozinha' do jornalismo e 'quebrar os tabus' da profissão. Mostrar o passo a passo, os critérios adotados, os manuais criados pelos veículos, quem são os autores das matérias, quem são os proprietários das empresas, quem financia os veículos", escreveu.

Fábio Takahashi, editor de jornalismo de dados da Folha de S.Paulo, acredita que essa transparência se repetirá no campo em que ele atua. “A cultura de ampliação da divulgação das metodologias (e até dos códigos) dão mais transparência e segurança aos resultados encontrados". Tais práticas ampliam também a possibilidade de colaboração, já que outros jornalistas podem se beneficiar do trabalho realizado por um colega.

Fonte: Abraji, diponível em: https://abraji.org.br/noticias/abraji-e-farol-lancam-especial-sobre-o-que-espera-o-jornalismo-brasileiro-em-2020

20

Dez

Jornalismo

Número de comunicadores assassinados em 2019 é o menor em 17 anos, segundo relatório

O número de jornalistas assassinados pelo exercício da profissão caiu em 2019 ao nível mais baixo em 17 anos, à medida que conflitos regionais se estabilizaram, segundo relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado na terça-feira (17). Pelo menos 25 jornalistas foram mortos neste ano, o número mais baixo desde 2002, quando 21 foram assassinados em conexão com seu trabalho. Em 2018, a organização havia registrado 56 homicídios.

A Síria e o México são os países mais mortíferos para jornalistas. O número de casos na Síria, onde pelo menos 134 jornalistas foram mortos na guerra, entretanto, está diminuindo desde 2012. A estimativa do CPJ é a de que neste ano pelo menos sete jornalistas foram mortos na Síria.

No país latino-americano, pelo menos cinco jornalistas foram mortos em represália a suas atividades informativas em 2019, em comparação com quatro no ano passado e seis em 2017. O CPJ está investigando outros seis homicídios ocorridos no México este ano para determinar se o jornalismo foi o motivo. O CPJ também investiga a morte de 25 outros jornalistas em todo o mundo para determinar se a atividade informativa foi o motivo.

Fonte: ANJ, disponível em: https://www.anj.org.br/site/component/k2/73-jornal-anj-online/25147-numero-de-comunicadores-assassinados-em-2019-e-o-menor-em-17-anos-diz-comite-para-a-protecao-dos-jornalistas.html

10

Dez

Jornalismo

Prêmio Pulitzer anuncia premiação à reportagem em formato de podcasts

O sucesso dos podcasts de notícias é tanto que ao conselho do mais icônico prêmio de jornalismo do mundo, o Pulitzer, anunciou que em 2020 haverá uma premiação especial para reportagens de áudio. A distinção ainda é experimental e, caso o segmento siga em crescimento, pode entrar para a lista permanente do Prêmio Pulitzer.

“O renascimento do jornalismo em áudio nos últimos anos deu origem a uma extraordinária variedade de histórias de não ficção. Para reconhecer o melhor desse trabalho, o Pulitzer Board está lançando uma categoria experimental para homenageá-lo”, disse a administradora do prêmio, Dana Canedy, em comunicado. A premiação será concedida a “jornalismo em áudio que serve ao interesse público, caracterizado por reportagens reveladoras e narrativas esclarecedoras".

Poderão concorrer jornais, revistas, serviços de TV a cabo, sites de notícias on-line que publicam regularmente e emissoras de rádio dos Estados Unidos.

9

Dez

Jornalismo

Grupo Opinião encerra as atividades do portal OP9, lançado para integrar o Nordeste

Deu no Blog de Thaísa Galvão:

Anunciado há pouco o fim do Portal OP9, do grupo Opinião no Rio Grande do Norte.

O grupo, dos mesmos donos do Sistema Hapvida, é detentor de 51% da TV Ponta Negra. O Portal hoje foi premiado pelo Ministério Público. Os jornalistas que comandavam o OP9 foram demitidos.

O lançamento do portal foi anunciado em primeira mão pelo Blog da Juliska, em maio do ano passado. O portal mantinha equipes nos estados onde o grupo opinião atua. Aqui em Natal o comando era dos editores  Marline Negreiros e Everton Dantas.