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18

Abr

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[ARTIGO] Cibersegurança terá ainda mais desafios em 2021

*Por Américo Alonso

Este ano deve ser ainda mais desafiador para a cibersegurança. Mesmo que as empresas já tenham evoluído em sua transformação digital ao longo do último ano – com a maior atenção para o trabalho remoto –, ainda há muito o que trabalhar na parte de segurança cibernética. O fato é que as tecnologias avançam, os processos ficam mais sofisticados, mas as pessoas continuam sendo a “perna” mais frágil desse tripé. Basta uma falha humana para comprometer toda uma rede corporativa.

Por isso, é importante ter em mente que, para manter seus sistemas, redes e dados seguros, são necessárias diversas ações – incluindo tecnologias e conscientização de funcionários. Em nível global, 2021 vai ser um ano muito particular. Além da pandemia – que requer maior atenção por causa do trabalho remoto –, há a retomada dos negócios, das operações e a adaptação a um cenário completamente diferente do que vivíamos meses atrás. 

Nesse sentido, em relação ao mercado, estamos vendo um aumento em áreas como segurança em nuvem, segurança em internet das coisas (IoT), ambientes industriais (OT) e identidade digital. Isso porque temos a necessidade de manter o trabalho remoto, o que fez que muitas empresas acelerassem a adoção de nuvem, aumentando as medidas de segurança para garantir que os dados fossem gerenciados de maneira segura.

Além disso, a LGPD coloca o assunto de segurança dos dados nos boards das organizações. O aumento de dispositivos conectados requer maior abrangência e efetividade das plataformas de segurança, o que faz necessário atuar de forma mais rápida e orientada à inteligência, como o caso das soluções de Managed Detection and Response (MDR). Sem o tradicional limite do escritório, é necessário garantir, ainda, que o acesso seja realizado por identidades verificadas, e isso requer soluções que permitam um provisionamento e uma manutenção das identidades ao longo de todo o ciclo de trabalho do funcionário na empresa, não somente o provisionamento.

Por isso, considero que os riscos de agora são os mesmos que tínhamos nos mundo “pré-pandêmico”, mesmo que boa parte das empresas se considere adaptada ao novo cenário. O ecossistema de segurança é muito ágil. Ainda temos os clássicos riscos de ataque ao perímetro e ataques de denegação de serviço distribuída (DDoS). Mas os atacantes modernos utilizam o elo mais fraco, que, geralmente, é o ser humano. Dessa forma, ataques de phishing têm evoluído como uma porta de entrada para ameaças mais sérias, como o ransomware. Além disso, o alvo dos atacantes já deixa de ser trocar a página da organização na internet e passa a ser obter dados de forma a vendê-los na dark web.

Dito isso, acredito que as empresas precisam compreender que, para obter a cibersegurança, é necessário dar início a uma jornada de digitalização e de comprometimento por parte das pessoas. As tecnologias – mesmo as mais avançadas – precisam estar em conformidade com o conhecimento dos funcionários. Os desafios devem continuar fortes em 2021. As empresas de tecnologia e fornecedoras de soluções, no entanto, têm trabalhado para suprir as necessidades das organizações pelo mundo. Com isso, devemos encontrar cada vez mais novos serviços e produtos dedicados a manter a segurança. 

*Américo Alonso é Chief Quality, Security & Data Protection Officer da Atos para América do Sul

17

Abr

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[ARTIGO] Com a tecnologia 5G, o futuro deve ser para todos

*Por Marcelo Sato

Em 2020, ano marcado pelo trabalho remoto, ensino à distância, shows virtuais e encontros online com amigos e familiares, o Brasil atingiu a marca de 122 milhões de pessoas conectadas  à internet, sendo 88% desses usuários detentores de dispositivos móveis, segundo o mais recente relatório da ComScore. Nesse contexto, muito tem sido falado sobre a tecnologia 5G e o quanto ela representará o próximo passo em termos de conectividade. No entanto, no país, apenas a rede 5G DSS está disponível no momento. Essa rede, que não chega a ser o 5G de que se tanto fala, mas proporciona mais velocidade e uma latência menor nas aplicações, chegou ao Brasil por iniciativa das operadoras e serviu como primeiro passo para que o país, hoje, dê início a implementação da tecnologia do 5G standalone em todas as capitais - uma meta prevista para ser concluída em 2022 e que tem potencial para gerar um impacto de $1.2 trilhão na economia do País e um aumento de $3.08 trilhões na produtividade até 2035.

Para entender a diferença entre o 5G DSS e o 5G, antes é preciso esclarecer que, mesmo dependendo das redes atuais para funcionar e sendo esta uma curva de implementação mais rápida do que a ocorrida do 3G para o 4G, o 5G DSS é uma tecnologia com padrão 5G NR (New Radio) e, portanto, um avanço tecnológico em comparação ao 4G.  Ainda que com um desempenho superior ao da geração anterior, o 5G DSS, no entanto, não atinge a velocidade alcançada pelo 5G, que pode chegar a até 1,8 Gbps.

A chegada da conexão de quinta geração, novidade que ainda causa dúvida e curiosidade em parte da população, é um avanço tecnológico sem precedentes e irá impactar - de diversas maneiras - a vida de todos os brasileiros. Afinal, a tecnologia 5G irá viabilizar façanhas tecnológicas ao possibilitar que não apenas novas aplicações sejam desenvolvidas, como também sejam realizadas em tempo real. Telemedicina, aplicações AIoT (Artificial Intelligence of Things) e carros autônomos são exemplos de como essa tecnologia chegará ao Brasil para renovar o mercado e acelerar também o desenvolvimento de setores que são a base de nossa sociedade, como saúde, transporte e educação.

A relevância desses avanços em conectividade, em um âmbito nacional, traz destaque ao fato de que é fundamental que o 5G seja, além de implementado e comercializado, extremamente democratizado. Com a necessidade do distanciamento social e todas as mudanças de comportamento que a pandemia trouxe, o impacto das novas tecnologias se estende a todas as esferas do cotidiano e, portanto, não deve ser limitada a alguns. Em um momento em que somos lembrados sobre a importância do senso coletivo, é importante que o futuro chegue ao Brasil como um todo e não apenas para uma parte da população.

Em 2022, ano em que se impõe a missão de levar essa nova tecnologia aos quatro cantos do país, o mercado, com respaldo da iniciativa pública, terá um importante papel para garantir que todos tenham acesso a essa porta para o futuro. Às operadoras, cabe oferecer acesso à rede 5G por meio de planos acessíveis, enquanto empresas de tecnologia, como a realme, têm o compromisso de oferecer dispositivos que permitam essa conexão a um mundo de possibilidades. Afinal, o futuro é para todos. 

*Por Marcelo Sato é Gerente de Vendas Sênior da realme no Brasil

16

Abr

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[ARTIGO] As doenças de Beethoven

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

A história da medicina inclui a vida e a obra de grandes médicos, ou de outros profissionais, cujas biografias revelam suas contribuições para o crescimento dessa área de estudos.  Ao longo dos séculos, desfilam nomes de homens e de mulheres, cujas vidas foram capazes de modular a saga que tem Hipócrates (460a.C.-377a.C.) como marco principal. Porém, poucos percebem que as vidas de grandes vultos da humanidade, em particular as doenças que sofreram, também importam para a história da medicina. Como separar, por exemplo, as obras-primas de van Gogh (1853-1890) da doença mental que o afligiu de forma constante?   A vida de van Gogh compõe uma página da história da medicina. Da mesma forma, a vida e as doenças de Beethoven, um dos maiores gênios da música em todo o mundo, também compõem outra página similar, pois suas enfermidades foram muito mais do que a bastante conhecida surdez.

Ludwig van Beethoven nasceu a 15 de dezembro de 1770, em Bonn, Alemanha, e faleceu a 16 de março de 1827, em Viena, Áustria.  O pai, músico da orquestra da corte, rude e alcoólatra, ao perceber o talento do filho, agiu com extremo rigor, no afã de obter ganhos com as apresentações do menino, opressão também sofrida por outro gênio da música, Amadeus Mozart.  Aos 11 anos, Beethoven começou a receber aulas de música, além de literatura e de filosofia, do culto e renomado compositor Christian Neefe, seu grande mestre.  Em 1792, o mais celebrado músico europeu vivo, Franz Joseph Haydn (1732-1809), logo após conhecer Beethoven, convidou-o a morar em Viena para ser seu aluno, o que ocorreu pouco tempo depois.

Em 1796, Beethoven começou a sentir perda da audição, progressiva e constante, fato que o levou, cinco anos depois, a escrever: “Eu estava a ponto de pôr fim à minha vida, devido a um mal incurável que, nos últimos seis anos, se agravou, nas mãos de médicos incompetentes.  A única coisa que me impediu de fazer isso foi minha arte”. Beethoven não teve uma infância feliz e foi infeliz com as mulheres, pois conheceu  apenas amores platônicos. Não casou e não deixou filhos.  Quase a vida toda sofreu de colite frequente (Doença de Crohn?), furunculose, episódios de hemoptise, hepatite, dores ósseas e reumáticas, otites, entre outras mazelas.  Sua certidão de óbito atestou cirrose hepática.  Nos últimos dias, pobre e cansado, pediu ajuda aos amigos de Londres, os quais, por meio da Philarmonic Society, mandaram-lhe 100 libras.  O dinheiro chegou tarde mas serviu para pagar os funerais.  Aos amigos, no leito de morte, ele teria dito:  “Aplaudi, amigos, a comédia acabou”. No entanto, há quem defenda que as últimas palavras do autor das nove mais famosas sinfonias foram:  “Vou ouvir no céu”. 

Para a história da medicina, Beethoven é um exemplo de paciente que, vítima de várias doenças, mesmo assim, revelou-se um singular gênio da música. 

*Reitor do UNI-RN

14

Abr

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[ARTIGO] Saúde, sim. Economia e futuro, também! (por Amaro Sales)

*Por Amaro Sales de Araújo

Decorridos mais de doze meses da pandemia da Covid-19, voltamos à mesma mesa de negociações e, novamente, diante de quase

todos os temas já tratados em 2020. Um triste aniversário; o mesmo pesadelo. 

Mas há uma novidade na caminhada. Aliás, uma extraordinária novidade: a vacina! A campanha mais célere de vacinação deveria ser o grande foco de atuação para todos os Governos. As medidas de proteção, evidentemente, são necessárias e devem ser persistentemente lembradas e seguidas, além da ampliação dos leitos para enfermos da COVID - 19 nos hospitais. Entretanto, precisamos pedir com maior veemência o aumento de doses diárias da campanha de vacinação e a consequente maior imunização da população. Vacina já! 

A vacinação diminuirá, certamente, o número de enfermos graves e, consequentemente, o obituário. São mais de 330 mil brasileiros já falecidos! Um número bastante expressivo e, dentre eles, mais de 4.000 potiguares! Neste sentido, para mitigar os efeitos da pandemia e contribuir na ampliação da imunização, o Sistema FIERN (FIERN/SESI/SENAI/IEL), numa parceria com a Prefeitura Municipal do Natal, lançou o “Ação pela Vida” com 25 pontos de vacinação contra COVID - 19, sendo 15 em sistema drive thru e 10 para pedestres, instalados no Complexo CTGAS-ER/SESI Clínica. 

Não tem sido fácil! Por outro lado, não podemos simplesmente parar. Já diminuímos muito a velocidade (em tudo). Os empreendedores sentem; o desemprego sobe; a circulação de renda diminuiu significativamente. Precisamos encontrar um equilíbrio na contenção das gravíssimas situações sanitária e econômica. Não é um exercício fácil, mas precisa ser feito. 

Neste sentido, com o novo Decreto do Governo do Rio Grande do Norte, diversas atividades voltaram a funcionar. Acredito que, atendidos os protocolos de segurança, todas as atividades econômicas precisam reabrir. No próximo ciclo, com a edição de um novo Decreto Estadual, esperamos que seja restabelecida a autorização de funcionamento para mais atividades. Compreendemos o esforço geral pela diminuição do contágio e, como decorrência, das internações hospitalares. Mas, as aglomerações de pessoas, em regra, não estão nas lojas comerciais ou em empreendimentos da agricultura e da indústria. A energia de contenção deve se voltar, efetivamente, para as evidências de maior risco e as empresas, atendendo aos protocolos de prevenção, não podem mais parar. É importante lembrar, também, que o isolamento social é apenas uma das estratégias. Não é a única! 

As outras medidas adotadas em relação a ampliação de leitos hospitalares, auxílio financeiro para pessoas carentes, distribuição de alimentos e máscaras, todas devem ser celebradas e aplaudidas, independente de quem as efetivem. Não podemos partidarizar o assunto ou tratar com politicagem um tema tão complexo. A sociedade espera medidas céleres e efetivas, seja de qualquer dos Poderes ou Governos! 

Precisamos escrever um novo capítulo... Algo que nos leve a um futuro melhor. Precisamos começar, agora, com mais vacinas, contínua prevenção e o trabalho. Muito trabalho! 

 

*industrial, presidente do Sistema FIERN e diretor da CNI.

2

Abr

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[ARTIGO] Novos cenários da Educação: quem é o aluno no pós-pandemia?

*Por Prof. Dr. Carlos Fernando Araújo Junior

Frente ao momento atípico que o mundo enfrenta por conta da pandemia da COVID-19, estudantes têm apostado no ensino a distância não só como forma de manter o distanciamento social, mas de seguirem focados em seus objetivos de vida. E é diante desse novo cenário da educação, que o professor Dr. Carlos Fernando Araújo Júnior, Pró-Reitor de Educação a Distância da Cruzeiro do Sul Virtual, avalia que a Educação a Distância (EAD) virou protagonista na capacitação de inúmeros profissionais para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e que demanda agilidade.

De acordo com o último censo da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), 76,3% dos adultos entre 26 e 40 anos, já preferiam cursos a distância em 2019, o que significa aproximadamente 9 milhões de alunos na modalidade digital no Brasil. Estima-se que durante a pandemia mais de 1 bilhão e 600 milhões em todo o mundo migraram para opções EAD.

“A educação a distância (EAD) ganhou força nos últimos anos e tem se tornado protagonista na vida de milhões de pessoas que desejam investir na carreira sem abrir mão da flexibilidade e da facilidade de acesso ao aprendizado. Além disso, o EAD é opção para quem quer otimizar tempo e ainda garantir reconhecimento no mercado de trabalho”, explica o professor e Pró-Reitor Carlos Fernando Araújo.

Segundo o especialista, a pandemia se tornou uma oportunidade de derrubar preconceitos e mostrar os diversos benefícios dessa modalidade, como o modelo EAD 4.0 da Cruzeiro do Sul Virtual, que conta com encontros presenciais e virtuais, e que será uma tendência no pós-pandemia. “Esse momento de distanciamento social oportunizou a educação para características positivas, com novos significados e adaptações. O EAD 4.0, por exemplo, tem como objetivo unir os dois mundos com aulas 100% on-line e encontros presenciais e veio para proporcionar momentos em que o aluno estuda de forma remota, mas ainda possui o contato com professores e colegas de classe”, analisa Araújo.

Para o especialista, para que isso seja possível, o aluno do EAD, por si só, já dispõe de um perfil diferenciado, e com os novos cenários da educação ocasionados pela pandemia, é importante conhecer quem é o aluno atual e do pós-pandemia. “Quem ingressa no EAD, entende que a modalidade exige disciplina, autonomia, proatividade, organização e muita responsabilidade, e vem atender a um perfil de aluno mais centrado e que busca sua constante capacitação, características exigidas pelas empresas e para o mercado de trabalho cada vez mais competitivo”, reforça o especialista.

O professor explica que com as mudanças das relações de trabalhos e o aumento exponencial do home office, o mercado de trabalho passou a exigir também um novo perfil corporativo, e no pós-pandemia, isso ficará cada vez mais forte. “É um novo mundo da educação à distância. Ela veio para ficar e preparar esses profissionais com protagonismo, liderança, boa comunicação, organização, iniciativa e pensamentos crítico para o mercado”.

Por esse motivo, Carlos Fernando Araújo reúne, por fim, as principais características do aluno preparado para viver o momento no pós-pandemia:

Disciplina: ser uma pessoa disciplinada ajuda bastante na conquista do diploma em um curso a distância. Ter a liberdade de montar seu próprio cronograma de estudos é sim algo muito vantajoso, mas isso não terá o mínimo efeito se o aluno não estiver disposto a seguir firme no seu propósito.

Organização e autonomia: essas características também têm tudo a ver com o perfil do aluno EAD. Afinal, como montar uma boa rotina e segui-la com responsabilidade se a pessoa não for organizada e não tiver autonomia?

Protagonismo: ser protagonista é ser o personagem principal da sua narrativa. Esse aluno não apenas absorve conteúdo, mas também agrega. Pesquisa informações, expõe ideias, debate e cria.

Para saber mais sobre as mais de 130 opções de cursos de graduação a distância oferecidas pela Cruzeiro do Sul Virtual, acesse: https://www.cruzeirodosulvirtual.com.br/graduacao

*Prof. Dr. Carlos Fernando Araújo Junior  é Pró-Reitor de Educação a Distância da Cruzeiro do Sul Virtual

25

Mar

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[ARTIGO] Heróis ou Mártires?

*Por Daladier Pessoa Cunha Lima

Em conversa com um amigo, disse-lhe que as equipes de saúde de UTI deviam merecer atenções iguais às que são atribuídas aos tripulantes de aeronaves. E expliquei que os riscos do excesso da fadiga humana para a segurança de voo são os mesmos para os cuidados médicos aos pacientes graves.  Sabe-se que o ser humano, em especial a mente humana, precisam alternar períodos corretos de trabalho e de repouso, a fim de manter um estado de alerta capaz de garantir ações rápidas e efetivas, no momento certo.  Porém, na “prática a teoria é outra”, ou seja, existem muitos fatores que interferem para a não adoção de medidas tais como essas, para as equipes de saúde. São medidas fáceis de defender e difíceis de aplicar, até mesmo em tempos normais, quanto mais em tempos tão adversos como os que vivemos nos dias atuais.

Na vigência dessa terrível pandemia, talvez a pior de todas as pestes que já acometeram os seres humanos, estou sempre a pensar na angústia dos profissionais que atuam na linha de frente do combate à Covid 19.  Em texto recente na Folha de S. Paulo, o médico e professor Carlos Magno Fortaleza, da Unesp, escreveu:  “Desconsolados, assustados, cansados, muitas vezes acreditamos ter chegado ao limite.  Nós vamos continuar, porque não há opção. (...) Atravessaremos noites transportando pacientes, conduzindo atendimentos de urgência e velando obsessivamente pela função respiratória de cada pessoa afetada pela peste.” O autor, então, cita o escritor Samuel Beckett (1906-1989), irlandês, Prêmio Nobel de Literatura de 1969, quanto à dúvida que aflige pessoas quando estão no limiar entre desistir ou manter a luta, e conclui:  “E assim, exauridos, oscilando entre a fé e o desconsolo, no limite das nossas forças porém movidos pelo inescapável senso do dever, vamos em frente. (...) Sim, é preciso continuar”.

 A enfermeira Cristiane Lamarão, de Porto Velho, é um exemplo das agruras que dominam os profissionais da saúde que trabalham em UPAs ou em hospitais voltados para o atendimento aos pacientes com Covid 19.  O caso dela é de extremo sofrimento, pois ela perdeu o próprio marido, o enfermeiro Raimundo Lamarão, 51 anos, contaminado pelo vírus no dia a dia da profissão.  Viúva, agora ela não conta com o esposo para dividir os cuidados dos filhos de 17, de 15 e de cinco anos.  Cristiane lança um grito de alerta:  “Vi colegas morrendo.  Chego a intubar até quatro pacientes em um plantão.  Perdi meu marido, estou com depressão”.

 A Covid 19 pegou o mundo de surpresa, pois a atenção à saúde não é prioridade  em quase todo o planeta. No Brasil, apesar do avanço do SUS, o semi-caos que se instalou nas UPAs e em muitos hospitais, com equipes sob intensa pressão física e psicológica, leva-nos à questão:  esses profissionais são verdadeiros herois, mas, em alguns casos, são verdadeiros mártires(?)

*Reitor do UNI-RN

15

Mar

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[ARTIGO] Como encantar clientes em tempos de pandemia

*Por Alexandre Slivnik 

A pandemia de Covid-19 provocou o fechamento de diversas atividades comerciais com atendimento presencial em todo o mundo. Muitas empresas tiveram de se adaptar e adotar o atendimento digital. Entretanto, na visão de Alexandre Slivnik, especialista em encantamento de clientes, é preciso manter o atendimento humanizado para não só reter, mas estimular os consumidores a comprarem mais.

Slivnik ressalta que o atendimento on-line, por exemplo, não pode ser robotizado e racional, embora cada vez mais os chatbots venham ganhando espaço no pré-atendimento.

Em primeiro lugar, o especialista em encantamento de clientes indica um cuidado especial com o emprego correto da língua portuguesa no atendimento on-line. “É inadmissível as respostas trazerem erros de português”, adverte.

Em seguida, para manter o atendimento humanizado, Slivnik destaca a importância de ter palavras de acolhimento e carinho nas respostas, afinal, é uma pessoa quem está do outro lado querendo solução para seu problema. “Minha recomendação é que não se use um script para copiar e colar um texto, mas ter um roteiro e dar autonomia para o colaborador entender e, dentro de limitações e bom senso, até brincar com cliente, no bom sentido, perguntando coisas relacionadas à vida dele, pois quanto mais humanizado, melhor fica esse atendimento digital”, ensina. 

Segundo Slivnik, em qualquer troca de mensagens, seja via WhatsApp, Messenger ou e-mail, é importante, no primeiro parágrafo, dar boas-vindas com uma palavra de agradecimento. Em seguida, responder às dúvidas da pessoa do outro lado e ao final não só agradecer com um simples obrigado, mas acrescentando frases, como ele mesmo costuma usar no contato com seus clientes: “espero que juntos possamos criar um projeto de sucesso, conte sempre comigo, grande abraço!”, exemplifica. “Quanto mais palavras gentis você colocar no texto, mais conexão emocional faz com o cliente”, atesta.

Atendimento presencial

Diante do fechamento do comércio imposto pelas autoridades por conta do aumento de casos de Covid-19 principalmente no Brasil, Alexandre Slivnik afirma que o atendimento presencial agora deve ser ainda mais personalizado que antes. “É tratar como VIP, mas não o Very Important Person, mas Very Individual Person, que é como a Disney nos ensina. Cada um tem a sua individualidade”, justifica.

O palestrante explica que se a demanda do presencial é menor, mas o cliente continua vindo, é importante os atendentes — e também o dono — doarem o seu tempo genuinamente para o consumidor. “Mesmo por trás das máscaras, conecte o seu olhar com o olhar do cliente, busque uma postura corporal adequada. É importante dar uma ótima impressão de que você está disposto a ajudá-lo a resolver o problema dele, de modo que a personalização é fundamental”, ensina.

Segundo Slivnik, quanto mais o empreendedor e seus colaboradores dedicarem tempo ao cliente para resolver o problema, maior a conexão e maior a chance dele voltar a comprar, e melhor, indicar novos clientes. 

Sobre o investimento em treinamento dos colaboradores, Slivnik afirma ser essencial em todos os processos. E com a digitalização dos treinamentos, o palestrante afirma ser possível treinar a equipe em programas de 15 a 30 minutos, sem a necessidade de tirar as pessoas de seu ambiente de trabalho, inclusive para quem está em regime de home office. “O custo da empresa em treinar os seus profissionais reduziu drasticamente e agora é muito importante capacitar e qualificar porque as organizações que treinam em momento de crise ou de baixa demanda estão na verdade preparando os trabalhadores para um momento de alta, em que as pessoas estarão sedentas por consumo, e é o momento que a equipe tem de estar preparada para encantar esse cliente”, orienta.

Para finalizar as dicas para encantar clientes em tempos de pandemia, Slivnik recomendou atenção especial à política de atendimento com foco em valorizar o cliente e não a empresa.

Ele cita como exemplo a Zappos, grande varejista de vestuário on-line dos Estados Unidos, que tem uma política de aceitar devoluções de produtos por até um ano da compra, na chamada garantia de satisfação. “O cliente depois de um ano de ter comprado um tênis, por exemplo, pode devolvê-lo e não precisa justificar. Simplesmente a Zappos devolve o dinheiro e o consumidor devolve o calçado”, detalha.

Os planos de fidelização por meio de pontuação ou cashback — devolução de parte do valor da compra para ser usada em uma nova aquisição — já é realidade em boa parte do varejo on-line ao redor do mundo. Entretanto, Slivnik ressalta que nada adianta oferecer um estímulo para que o cliente compre e atendê-lo mal. “A junção da melhor experiência com o cashback ou um incentivo para o cliente voltar e pagar menos é sem dúvida alguma muito importante para fidelizar clientes nesse momento de pandemia, mas é fundamental oferecer um atendimento que o encante”, completa. 

*Alexandre Slivnik é reconhecido oficialmente pelo governo norte americano como um profissional com habilidades extraordinárias (EB1). É autor de diversos livros, entre eles do best-seller O Poder da Atitude. É diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, sediado em Orlando / FL (EUA). É Vice-Presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) e diretor geral do Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento (CBTD). É professor convidado do MBA de Gestão Empresarial da FIA / USP. Palestrante e profissional com mais de 20 anos de experiência na área de RH e Treinamento. É atualmente um dos maiores especialistas em excelência em serviços no Brasil. Palestrante Internacional com experiência nos EUA, EUROPA, ÁFRICA e ÁSIA, tendo feito especialização na Universidade de HARVARD (Graduate School of Education - Boston/ EUA). www.slivnik.com.br

15

Mar

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[ARTIGO] Especialização: pós-graduação ou MBA, qual escolher?

*Por Nadia Guimarães

Obter conhecimento é fundamental para as pessoas que querem ter sucesso no mercado de trabalho. Recente estudo realizado pela Catho, aponta que, em cargos de diretoria, a diferença salarial entre executivos que possuem pós-graduação ou MBA, em comparação aos que não possuem, é de 47%. No caso de profissionais que ocupam cargos de coordenação, o aumento salarial pode ser de até 53%.

Com isso, a jornada do conhecimento começa no ensino fundamental, médio até chegar no ensino superior, na qual a escolha da graduação será essencial para a carreira profissional que cada um deseja seguir. Porém, para muitos a vida acadêmica não termina com a conclusão do ensino superior. Há aqueles que desejam continuar estudando para se aprofundarem em setores da profissão escolhida.

Nesse ponto, muitas pessoas acabam se perguntando qual caminho seguir: devo fazer uma pós-graduação ou Master Business Administration (MBA)? A resposta é simples: depende do seu objetivo. Os cursos têm diferentes pontos, desde o foco profissional, até as competências desenvolvidas, além do tempo de duração. Para ajudar na melhor escolha, separei algumas informações sobre cada tipo de especialização.

A pós-graduação, por exemplo, é dividida em duas modalidades voltada para diferentes perfis de aluno: Lato Sensu e Stricto Sensu.

Lato Sensu visa aperfeiçoar o profissional para uma área específica do mercado de trabalho. Esse tipo de formação é ideal para aqueles que querem um diferencial no currículo. Já o Stricto Sensu é voltado para o lado acadêmico e resulta em títulos como mestrado e doutorado. Portanto, o curso é recomendado para os profissionais que desejam seguir carreira acadêmica, seja como professor ou pesquisador.

O MBA, que teve início nos Estados Unidos, é bem parecido com uma pós-graduação Lato Sensu. A única diferença é que as competências desenvolvidas durante o curso são voltadas para as pessoas que querem atuar em negócios, gestão empresarial e cargos de liderança dentro da sua área de atuação. Por exemplo, um desenvolvedor que foi promovido ao cargo de diretor de TI de uma grande empresa, é recomendado a ele fazer um MBA do setor para ter noções empresariais e assim ter sucesso no novo cargo.

Vale destacar também que, segundo dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de setembro de 2020, referentes ao ano de 2019, somente 0,8% dos brasileiros entre 25 e 64 anos investiram em um mestrado, o que mostra o quanto pode ser um diferencial profissional investir em cursos depois da conclusão do ensino superior.

Portanto, qualquer que seja a especialização escolhida, é fundamental analisar os assuntos que serão abordados durante o curso e escolher a instituição que atenda às suas necessidades. Veja também quais são os professores e seus currículos. Com essas dicas, pode ter certeza de que o conhecimento adquirido ao final do curso será de fato recompensador para área de atuação.

*Nadia Guimarães é COO do Grupo Daryus.

14

Mar

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[ARTIGO] O impacto do maior vazamento de dados da história do Brasil

Por Dr Marcio dos Anjos e Dr Bruno Christo 

O vazamento de dados pessoais de mais de 223 milhões de brasileiros foi detectado por uma empresa especializada em segurança digital da startup, a Psafe. A lista de informações vazadas abrange dados pessoais e sensíveis como nome, fotografia pessoal, nível de escolaridade, endereço, estado civil, pontuação de crédito e outras informações econômicas, fiscais e previdenciárias.  

Embora não se saiba ao certo a fonte dos dados, a Serasa Experian vem sendo apontada pelos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon-SP e a Senacon, como a empresa que teve seus dados vazados. A Serasa negou as alegações, dizendo que os dados vazados apresentam “discrepâncias significativas” em relação aos mantidos pela empresa.  

Especialistas em Direito Digital, como Ronaldo Lemos, professor de Direito da Informática da Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, estão tratando o vazamento com gravidade, não sendo, segundo eles, demais afirmar que todo brasileiro já teve seus dados vazados.  Inclusive, acredita-se que as informações já estão sendo comercializadas na deep web por meio de pagamentos em criptomoeda.  

Infelizmente, não é a primeira vez que algo desse tipo acontece. Nos Estados Unidos, em 2017, foram vazados dados de mais de 147 milhões de consumidores americanos, armazenados pela empresa norte-americana Equifax, atuante na área de gestão de crédito. Dois anos depois, a empresa concordou em pagar ao governo americano 650 milhões de dólares pela falha.  

O cenário que se apresenta é pessimista em virtude da impossibilidade de reversão da situação para “desvazar” os dados, bem como das inimagináveis formas de manuseio e utilização das informações. Dentre as consequências possíveis estão os golpes e fraudes dos mais variados tipos, violação dos sistemas de verificação de identidade, roubo de identidade, e o que é chamado de engenharia social na área da segurança da informação.  

Visto que os dados fazem referência à própria identidade das pessoas e a determinados documentos que não podem ser trocados ou substituídos, o impacto desse vazamento poderá durar anos.    

No tocante às medidas de prevenção de fraude, as opções são limitadas. Uma delas é a utilização do Registrato, serviço gratuito disponibilizado pelo Banco Central, para consultar seus empréstimos, financiamentos, relatórios do pix, contas em outros bancos, operações de câmbio, transações internacionais outras informações pessoais. Outra é a via judicial, demandando na Justiça a empresa detentora dos dados, hipótese na qual a vítima da fraude deverá provar o nexo causal entre o vazamento e a lesão ou dano. Mas a melhor opção ainda é preventiva: não divulgar dados pessoais aleatoriamente, respondendo pesquisas, cadastros, fornecendo dados em excesso. 

Com vistas a disciplinar o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, entrou em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras de coleta e tratamento de dados para garantir mais segurança e transparência, o que, acredita-se, inibirá vazamentos como o noticiado.  A lei exige que a empresa utilize os dados, obtidos com o consentimento do titular, apenas para finalidades específicas e expressamente informadas ao consumidor, observado o limite do tratamento ao mínimo necessário para realização dessas finalidades, empregando medidas aptas a proteger os dados de acessos não autorizados e demais situações ilícitas.   

A empresa que descumprir as regras estabelecidas pela LGPD, sujeitar-se-á a multas de até 2% do seu faturamento anual, respeitado o limite de 50 milhões de reais, que poderão ser aplicadas a partir de agosto.  

Com vistas a orientar o mercado nesses casos de violação de segurança, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou, em 22 de fevereiro deste ano, uma nota técnica dizendo que o responsável pelo vazamento deve promover uma avaliação interna sobre o incidente para determinar a natureza, categoria e quantidade de titulares de dados afetados, bem como suas consequências concretas e prováveis. Também deverão ser indicadas as medidas preventivas, exigidas pela LGPD, adotadas.  

Além do próprio órgão, recomenda que sejam informados do vazamento, em caso de risco ou dano relevante os titulares dos dados vazados, além do controlador de dados, a quem a LGPD atribui a competência de decidir sobre o tratamento de dedas pessoais e o encarregado dos dados, a quem compete receber as comunicações dos titulares dos dados e adotar providências. 

*Dr Marcio dos Anjos é advogado e sócio no escritório Maia & Anjos e Dr Bruno Christo é advogado no mesmo escritório que é especializado em Direito Empresarial e Tributário.  

10

Mar

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[ARTIGO] Terapia nutricional do tratamento de doenças hematológicas

*Por Natália Cavalcanti

As doenças hematológicas comprometem a produção dos componentes do sangue, como as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas, geradas na medula óssea. Essas complicações variam entre anemias, linfomas, leucemias e mielomas, podendo ser benignas ou malignas. Os principais sintomas podem aparecer através de cansaço, manchas roxas pelo corpo e palidez.

Entretanto, não é possível realizar uma alimentação específica, voltada para a prevenção desses tipos de doenças. A orientação dietética realizada, é comum para todas as faixas etárias da vida: evitar alimentos ultra processados, que contém ingredientes adicionados, como açúcar, sal, gordura e cores ou conservantes artificiais, como biscoitos recheados, carnes em conserva, achocolatados em pó e líquidos, macarrão instantâneo, temperos e sucos industrializados. Bem como, refrigerantes, iogurtes, refeições congeladas, dentre outros.

Contudo, além de uma alimentação adequada a massa muscular, para melhorar a resposta ao tratamento e recuperação dos pacientes, as crianças e adolescentes, na Casa Durval Paiva, são assistidos por nutricionista, recebendo doações de suplementos, para equilíbrio da imunidade, com vitaminas e minerais e carboidratos, para ganho de massa.

Durante o tratamento da anemia falciforme, o principal cuidado com a alimentação diz respeito ao metabolismo acelerado, pois, nas crises de dor, causadas principalmente pela vaso-oclusão, o gasto de energia é alto, o paciente apresenta falta de apetite e, consequentemente, perda de peso. A ingestão de gorduras em excesso, por exemplo, pode prejudicar a circulação do sangue e favorecer entupimento dos vasos.

Portanto, recomenda-se que a pessoa com doença falciforme tenha uma dieta equilibrada, baseada em todos os grupos de alimentos da pirâmide alimentar, que conta com fontes de energia, como carboidratos (de preferência integrais), alimentos reguladores, que possuem vitaminas e minerais (hortaliças e frutas), e os construtores, fontes de proteínas (frango, ovo e peixe). Outro cuidado fundamental, é manter o corpo hidratado, a água ajuda a minimizar e, muitas vezes, evita as crises de dor, uma maior ingestão de líquidos torna o sangue menos viscoso e melhora a circulação nos vasos.

A doença falciforme é hereditária e pode ser diagnosticada no teste do pezinho, ainda na maternidade, o único tratamento curativo é o transplante de medula óssea, mas o paciente pode levar uma vida “normal”, através de acompanhamento com uma equipe multidisciplinar.

*Natália Cavalcanti é nutricionista (CRN6 11467) da Casa Durval Paiva.

8

Mar

Artigos

[ARTIGO] Quais as consequências trabalhistas do home office permanente pós-pandemia e que atos jurídicos podem resguardar empresas

*Por Francine de Faria

A pandemia da COVID-19 forçou muitas empresas a repensarem seus modelos de trabalho, para que pudessem se manter ativas e amenizar os impactos causados pela paralisação de suas atividades empresariais, decorrentes da necessidade de acatar imediatamente as determinações sanitárias emanadas pelo Poder Público para enfrentamento da pandemia.

Dentre as medidas adotadas, o home office - de longe -, foi a alteração mais profunda na rotina das empresas. Ainda que nossa legislação já assegurasse a possibilidade do teletrabalho, a pandemia foi o gatilho para acelerar essa tendência de mercado que caminhava à passos lentos. Apesar de ter sido um período crítico para o empresariado, que se viu, de uma hora para outra, obrigado a adotar medidas radicais para salvaguardar seus negócios, o desdobramento da adoção do home office foi uma mudança bem recepcionada.

Embora, inicialmente, as empresas tenham enfrentado dificuldades e desafios de implantar home office, em virtude da falta de familiaridade com as ferramentas de comunicação, bem como os receios com adaptação dos empregados ao novo modelo de trabalho, o que se notou de modo geral, foram experiências positivas que encorajaram o empresariado a deixar de pensar no home office como medida temporária e passaram a vislumbrar esse modelo em caráter definitivo.

Entretanto, as mudanças ocorridas nas organizações empresariais que afetaram diretamente a rotina de trabalho dos empregados, naturalmente provocaram preocupações, dúvidas e receios, principalmente em relação aos riscos envolvidos nas alterações unilaterais dos contratos de trabalho. Ainda que a CLT já tivesse previsão expressa quanto ao trabalho remoto, muitos aspectos dessa forma de trabalho não tinham soluções jurídicas objetivas.  Isso demandou das organizações o enfrentamento destas problemáticas, de modo a dar soluções adequadas e céleres para o novo modelo de trabalho, e assim evitar riscos de violações trabalhistas.

Ainda que a MP nº 927/2020 tenha sido revogada, enquanto vigente, apresentou algumas medidas para dar segurança jurídica na implantação do teletrabalho. Entretanto, não foram suficientes para preencher lacunas, tais como, a extensão da responsabilidade do empregador por acidente e doenças do trabalho, aspectos ergonômicos e fiscalização, limites do controle de jornada, fornecimento de infraestrutura, dentre outros.

Passado quase um ano do início da pandemia, essas lacunas ainda permanecem sem regulamentações objetivas, somando-se à demais problemáticas trabalhistas que estão sendo enfrentadas, e isso nos conduz para a seguinte indagação: quais as consequências trabalhistas do home office permanente?

Uma coisa é fato, o indicador que antes eram pautados nas horas trabalhadas, passou a ser norteado pela entrega de resultados, onde o foco deve estar na produtividade do empregado. Tal mudança levou as empresas a direcionar seus esforços na implantação de políticas e mecanismos de monitoramento e controle de produtividade, periodicidade de reuniões, alinhamento de metas. Já na perspectiva subjetiva, o efeito causado foi o estreitamento da relação de confiança entre empregado e empregador.

Contudo, aqui chamamos atenção para um ponto sensível acerca das características do regime de teletrabalho e a adoção de mecanismos de controle de produtividade.

A CLT prevê no inciso III, do art. 62, que empregados em regime de teletrabalho não são submetidos à controle de jornada. Ocorre que, no dia a dia das empresas, dependendo da forma como o controle de produtividade é realizado, pode dar brecha para que seja interpretado como uma forma indireta de controlar a jornada do empregado. E, a partir do momento que a jornada é controlada, ao empregado é garantida a percepção de horas extras.

Por tais razões, se a organização optar por não aderir ao controle de jornada, de modo a se isentar do pagamento de horas extras, deve ficar atenta as abordagens feitas aos empregados, bem como orientar ostensivamente os gestores sobre os controles indiretos de jornada, tais como relatórios de produtividade com indicativos de tempo, horários de início e fim, ou ainda, cobranças de cumprimento de horários realizados por instrumentos tecnológicos (login/logout no sistema interno da empresa, celular, whatsapp, etc).  Enfim, qualquer meio que possibilite o controle.

Ainda que perante a Justiça do Trabalho os mencionados elementos, individualmente, não sejam determinantes para configuração da existência de controle de jornada, importante ficar atento que, se somados com demais provas, podem se transformar em fortes evidências que o empregado tinha sua jornada de alguma forma controlada, aumentando a chance de condenação ao pagamento de horas extras, adicional noturno e intervalos.

Para mitigar riscos, a adoção expressa do controle de jornada é o recomendado, com implantação de mecanismos adequados para os registros, ainda que o empregado trabalhe em home office. Isto evita que o gestor tenha dificuldades em realizar o controle de produtividade do empregado, em razão do receio de que aquela conduta seja confundida com o controle de jornada, reduzindo seu poder de gestão e atraindo riscos trabalhistas.

Outro ponto sensível sendo enfrentado, são os aspectos que envolvem a fiscalização das condições ergonômicas dos empregados em regime de home office, isso porque o colaborador não se encontra nas dependências da empresa, o que dificulta ou impede a fiscalização direta do empregador quanto ao cumprimento das normas de segurança, saúde e ergonomia. 

A CLT atribui ao empregador o dever de instruir seus empregados - expressamente e ostensivamente - quanto às precauções a serem tomadas para evitar doenças e acidentes de trabalho, cabendo ao empregador formalizar termo de responsabilidade, a ser assinado pelo colaborador. Entretanto, importante esclarecer que o termo de responsabilidade não exime o empregador de eventual responsabilidade por danos decorrentes dos riscos ambientais do teletrabalho, conforme sinalizado no Enunciado 72 da 2ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho, promovida pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).

Ainda, na mesma jornada, consolidou-se o entendimento que “o regime de teletrabalho não exime o empregador de adequar o ambiente de trabalho às regras da NR-7 (PCMSO), da NR-9 (PPRA) e do artigo 58, § 1º, da Lei 8.213/91 (LTCAT), nem de fiscalizar o ambiente de trabalho, inclusive com a realização de treinamentos”. Com essa sinalização dada pelo Judiciário, é recomendado às empresas adotarem medidas objetivas para mitigar riscos de saúde e ergonomia dos empregados em home office. Para isso, é imprescindível que as organizações revisem e readaptem os instrumentos que orientam as medidas para segurança da saúde do empregado (PCMSO, PPRA, LTCAT), diante desta nova realidade de trabalho.

Já existem Projetos de Lei em trâmite no Congresso Nacional, que visam regulamentar aspectos do teletrabalho. Entretanto, enquanto não temos elementos objetivos e legais para nortear as práticas trabalhistas, recomenda-se que as empresa sempre tenham a cautela de documentar as medidas adotadas, é importante a elaboração de contratos e aditivos contratuais com previsões expressas e detalhadas, principalmente sobre jornada de trabalho, infraestrutura, reembolsos, fiscalizações, ainda, termos de responsabilidade e termo de sigilo das informações corporativas que transitam dentro do ambiente doméstico. Certamente a adoção de tais medidas trarão para as empresas segurança jurídica para poder desenvolver suas atividades plenamente, aproveitando o melhor dessa modalidade remota de trabalho.

*Francine de Faria é gestora da equipe de Direito do Trabalho no escritório Rücker Curi Advocacia e Consultoria Jurídica.

27

Fev

Artigos

[ARTIGO] Automação e inteligência artificial: qual o papel da tecnologia na redução de custos das empresas e na qualidade do atendimento ao cliente

*Por Marcel Jientara

As soluções de inteligência artificial vieram para revolucionar os processos dentro das empresas em diversos segmentos. Todos os mercados já desenvolvem ações que potencializam e agilizam os procedimentos, fazendo com que as habilidades humanas sejam aplicadas para tarefas mais consultivas e estratégicas. Se no século passado, o petróleo era a força da economia global, impulsionando grandes revoluções no meio empresarial, hoje conseguimos enxergar um movimento semelhante sendo encabeçado pela inteligência artificial. Com o foco voltado para questões como o Machine Learning, a Internet das Coisas, o uso de chatbots no atendimento, os ERPs e outros conceitos que envolvem a tecnologia.

Hoje há uma combinação de softwares com algoritmos avançados e hardwares de alto desempenho que fazem com que a inteligência artificial se potencialize. Foi o tempo em que a empresa definia o que o cliente ia consumir, hoje a decisão é dele, o poder de escolha e de mudança da empresa está na mão do cliente e a transformação digital também ajudou e muito para que o consumidor tenha esse poder.

Falar em Transformação Digital não é só dizer que a empresa se digitalizou, ou está oferecendo produtos pela internet. Os processos de implantação tecnológica dentro das empresas podem impactar muito na gestão dessas organizações. Não só automatizando processos, mas, também melhorando o atendimento ao cliente, organizando departamentos, melhorando a imagem da marca perante o seu público alvo e potenciais consumidores e reduzindo custos. E a inteligência artificial tem papel fundamental em todo esse processo.

A automação vem para transformar etapas que antes eram feitas de forma estritamente manual e repetitiva em áreas onde a tecnologia pode ser utilizada. E com isso agregar benefícios como a otimização de tempo, padronização das tarefas, aumento na produtividade e gestão eficaz e segura, independente do tamanho da sua empresa. No setor fiscal por exemplo, a inteligência artificial pode contribuir para que a empresa cumpra os requisitos necessários e realize os processos fiscais previstos na legislação brasileira

Dentro desse contexto também podemos destacar o Machine Learning, que é implementado por meio de técnicas em que as redes neurais artificiais funcionam de forma similar ao cérebro humano. Desse modo, as máquinas desenvolvem capacidades cognitivas e podem aprender a desenvolver atividades por conta própria, ajudando chatbots a ganhar mais eficiência no atendimento aos clientes. Esse recurso é cada vez mais utilizado por empresas de diversos segmentos. Os chatbots são precisos e atuam diretamente para que a empresa possa reduzir custos com a utilização da inteligência artificial de forma estratégica.

Outra tendência que pode ser utilizada para redução de custos é o Big Data. A administração eficiente dos dados gerados pela empresa pode ajudar muito os profissionais humanos no conhecimento da realidade empresarial. É possível ter mais controle sobre pontos como o desempenho dos colaboradores, o nível de satisfação dos clientes e com isso, é possível que as tomadas de decisão sejam mais claras, estratégicas e rentáveis.

Segundo uma pesquisa da Gartner, em poucos anos, as soluções digitais gerenciarão 85% das relações com os clientes nas empresas. A Inteligência Artificial tem cada vez mais se instaurado na vida das pessoas. É cada vez mais comum observarmos interações sociais sendo realizadas com a utilização desse artifício, e isso tem gerado um grande impacto no setor de relacionamento com o cliente.

Por que aderir à automação?
Apesar de ainda ser um pensamento muito comum entre as pessoas, a automação não vem para substituir totalmente a mão de obra humana – muito pelo contrário, vem para auxiliar, otimizar recursos e auxiliar os colaboradores. O que será necessário por parte da mão de obra humana, é uma constante adaptação para lidar com áreas novas que podem surgir com a inserção da tecnologia em meio aos processos.

Ao iniciar a automação dentro de sua empresa, os funcionários são forçados a trabalhar junto com o processo, o que faz com que determinadas informações não se percam. Caso um vendedor que não tenha o processo automatizado saia, por exemplo, a empresa tende a perder os clientes, justamente por este não ser cliente da empresa, mas sim do funcionário.

Como iniciar a automação na sua empresa
A base de qualquer automação são os processos a serem definidos. Quando o que foi planejado é realizado de maneira adequada em um processo repetitivo, isso impede que ele se quebre e cause danos a empresa – um dos principais benefícios da automação. Os humanos são suscetíveis a erros, especialmente quando colocados em um processo que com o tempo pode se tornar maçante.

Para prevenir erros, o ideal é mapear e entender como as tarefas são executadas da melhor forma possível, , além de dispor metas e KPIs corretos, para que nada se perca e para que os objetivos sempre estejam claros.

Além disso, observar como a automação está sendo aplicada dentro da sua empresa e entender como extrair o melhor dos colaboradores.

Até onde vale a pena automatizar os processos?
Apesar da tecnologia estar sempre evoluindo, ainda não é recomendado que se automatize 100% um processo, afinal o intuito é que a tecnologia seja uma aliada dos humanos para que a empresa possa otimizar tempo e ter seu desempenho potencializado. Dentro desse contexto o ideal é automatizar algumas etapas, como o input, output e a criação devem ser mantidas. Gerentes de projetos, redatores, revisores e designers, além de quem cuida da parte de analytics são alguns dos perfis que sempre serão necessários nas empresas que estão em constante evolução.

Outro exemplo que a automação se mostra eficaz é no nível 1 do pós-venda, nessa situação a automação é essencial, pois, é possível que a tecnologia cuide disso e traga ótimos resultados, A ideia é que a automação possa colaborar e estabelecer uma união produtiva entre humanos e máquinas, gerando assim segurança e organização precisa no arquivamento de informações.

O grande desafio na hora de inserir a inteligência artificial em processos automatizados dentro de uma empresa é a integração dos processos. Algumas tarefas como analytics preditivo, descritivo e geração de linguagem de conteúdo para análise de textos simples nas organizações são algumas tarefas que podem ser automatizadas.

*Por Marcel Jientara - CEO da ALANA AI e especialista em inteligência artificial

20

Fev

Artigos

[ARTIGO] Ensino Híbrido: por que não devemos esperar até 2022 para tornar a tecnologia parte essencial da escola?

*Por Andressa Costa

Um novo ano letivo vai começar e agora temos novos itens inclusos na tadicional lista de materiais: notebooks/tablets, câmeras e microfones, elementos fundamentais no novo normal. Seguimos enfrentando uma pandemia mundial e não se tem perspectiva de quando as aulas presenciais voltarão a acontecer 100%. A forma como essa nova realidade chegou em 2020 foi abrupta e mostrou com clareza o despreparo da maioria das escolas no que se refere à tecnologia: para muitos, foi um longo e penoso período de adaptação.

A questão é que as aulas online continuarão sendo uma realidade mesmo depois que a pandemia acabar. Por isso, será contínuo o processo de adaptação para que as escolas consolidem ambientes virtuais de aprendizagem com conteúdos interessantes e atrativos, capazes de conquistar a atenção e interesse dos alunos.

A tendência para os próximos anos aponta para um ensino híbrido, também conhecido por blended learning, um sistema de formação que mescla momentos de aprendizagem online e offline. Sendo que o modo online pode acontecer tanto a distância quanto presencialmente, dentro de laboratórios da própria escola, por exemplo. Essa é a tendência para todos os níveis de ensino, uma vez que o ensino a distância (EAD) como conhecíamos antes da pandemia, voltado para graduação e pós-graduação, agora é também uma realidade para crianças e adolescentes. 

Até que a situação da pandemia de covid-19 se normalize, as instituições de ensino precisarão encontrar formas de conciliar as duas modalidades de ensino: para respeitar as regras de distanciamento social e, ao mesmo tempo, voltar a receber os alunos, que sem dúvida estão ávidos por voltar à sala de aula – ainda que apenas algumas vezes por semana.

Porém, em um futuro bem próximo as aulas poderão ser totalmente híbridas. Isso porque mesmo quando o rodízio de turmas acabar e o ensino presencial voltar para todos, diferentes tecnologias e plataformas online ainda serão aliadas no processo de ensino e aprendizagem. As novas gerações são nativas do mundo digital e isso precisa ser potencializado em sala de aula. Além disso, essa pode ser uma importante ferramenta para ajustar a velocidade de aprendizagem de cada aluno e reduzir a defasagem na sala de aula. Com horários e programações flexíveis, os alunos podem absorver melhor os conteúdos.

Fato é que o ano de 2020 trouxe transformações importantes para a educação: a mudança aconteceu nas casas dos alunos, com seus pais se aproximando da rotina escolar dos filhos, conhecendo de perto a dinâmica de estudos e muitas vezes auxiliando em suas tarefas. Mudaram os professores – alguns perderam a resistência que tinham com a tecnologia e aprenderam com seus alunos a usar muitas ferramentas oferecidas pelo mundo digital. E outros que já utilizavam, conheceram muitas outras plataformas, programas e puderam incrementar ainda mais o conteúdo de suas aulas.

O futuro já chegou e agora é a hora de governos e instituições de ensino realmente entenderem os desafios que precisam ser superados para que o ensino híbrido seja uma realidade. A questão da conectividade, por exemplo, parece ser um dos maiores obstáculos em um país tão desigual quanto o Brasil, assim como questões relativas ao investimento em infraestrutura. 

O momento exige uma reorganização na vida de professores, alunos e pais, bem como no ambiente familiar e escolar. Pais seguirão orientando seus filhos e participando mais ativamente da vida escolar das crianças. E os professores, mais que ensinar, dar provas e notas, serão mediadores do aprendizado e da experiência de estudo dos alunos, atuando como agentes de mudança e incentivadores de pensamento crítico, oferecendo aos alunos possibilidades de enxergar o mundo por diferentes olhares.

A educação a distância, que era um diferencial há alguns anos e que foi se consolidando como tendência, passa a ser uma necessidade atualmente. E com a ajuda das mais modernas plataformas digitais que surgem a cada dia teremos um futuro lindo à nossa espera, onde cada um de nós poderá participar de forma efetiva do processo educacional de nossas crianças. Sabemos que a educação é o maior instrumento de transformação do mundo, e a parceria família-escola, pontecializada pelo uso da tecnologia, se tornará um grande agente ativo nessa transformação. Este é o meu desejo!

*Andressa Costa é graduada em Gestão Financeira, Pós-graduada em Psicopedagogia, Educadora financeira, Sócia e Diretora Pedagógica da Tindin Educação & Finanças.

16

Fev

Artigos

[ARTIGO] Papel da Inteligência Artificial no marketing hoje e no futuro

*Por Cr. Andrade

A Inteligência Artificial (AI – de Artificial Intelligence) avança a passos largos a cada ano, hoje está presente em vários aspectos de nossas vidas, desde uma lista de reprodução criada por um aplicativo com base em nosso gosto musical, até uma visita a um produto em determinado website. Temos televisões com conexão sem fio, casas interligadas aos nossos aparelhos telefônicos e carros com tecnologia espacial. 

Vê-se um abastecimento constante de nossas caixas de e-mail, cada uma dessas tarefas automatizadas, e elas são pequenas predições. Justamente o que o Marketing precisa fazer, todos os dias. 

A praticidade para fazer executar essas tarefas, o profissional do marketing encontra nas mais variadas ferramentas disponíveis que utilizam a AI. Palavras-chave, perfil de seu público, anúncios relacionados, músicas, cores, além de estratégias oferecidas por software para descobrir horários mais visitados e com maiores visualizações, por exemplo. 

Há mais de uma década nesse mercado, posso dizer que o setor está mudando bastante, hoje, contamos com a ajuda da AI, até mesmo na confecção de anúncios gráficos e vídeos, que podem ser feitos somente fornecendo alguns dados básicos, a AI irá fazer o trabalho mais pesado, em poucos minutos, às vezes, em segundos. 

Posso contar com uma equipe reduzida por conta da AI, meus técnicos, e eu mesmo, podemos focar em outras atividades do negócio, enquanto ela prepara envios, orçamentos, landing pages, traça perfis e segue meus clientes por toda a internet, tudo em conformidade com a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados. 

A escalada da AI na última década trouxe simplicidade na utilização de ferramentas de estratégia, em especial no Marketing Digital. Em 2010, podíamos especular sobre elas, poucas funções realmente podiam ser utilizadas, hoje, em fevereiro de 2021, estão em pleno funcionamento e a cada dia estão mais aperfeiçoadas e independentes.

Mas, em breve, será que teremos espaço no Marketing? Nós, meros mortais? Creio que sim, a parte criativa ainda caberá aos humanos por um bom tempo, pelo menos, mais uns cinco anos. Não adianta termos um perfil se não tivermos algo que atraia a atenção do público, certo? Talvez.

Tenho certeza de que isso mudará após esse período. Analisemos os anúncios digitais, a AI irá produzi-los sozinhos e on-demand com base nos websites e locais visitados pelos usuários, além de outros dados fornecidos com sua anuência (Google e Alexa, por exemplo). Sejam eles simples banners ou vídeos, nesse futuro vindouro, serão personalizados para você.

Teremos um marketing mais pontual, mais assertivo, dentro do possível, será algo pessoal e com um apelo íntimo para o consumidor, resultando em muito mais vendas.

E é justamente isso que o profissional de Marketing deve esperar, ou melhor, buscar. O conhecimento das ferramentas existentes e daquilo que pode mudar o jogo a seu favor deve fazer parte de suas atividades diárias. 

Torne a predição uma de suas habilidades, faça análises de tudo, não seja o último da fila, o setor avança tão rápido que se você não se empenhar o suficiente pode precisar mudar de carreira, mas, calma, a AI poderá indicar o caminho a ser seguido. 

*Cr. Andrade é CEO da CLIKSS BRASIL e trabalha com consultoria de marketing digital. Desde 2005 no mercado, acumula na bagagem ótimas experiências em diversos segmentos. Como empreendedor, CR.Andrade é focado em resultados reais e para isso conta com um time de alta performance para trazer as soluções práticas e efetivas em vez de um milhão de relatórios.

14

Fev

Artigos

[ARTIGO] A transformação digital na saúde depende também da transformação cultural

*Por José Luciano Monteiro Cunha

A Saúde Digital é um fenômeno definido por uma transformação cultural onde as tecnologias disruptivas desempenham um papel crucial no fornecimento de dados digitais acessíveis tanto para os profissionais de saúde, como para os pacientes. Essa distribuição equivalente de informações leva a uma segunda etapa de mudança na relação médico-paciente, onde a democratização do cuidado e participação em decisões com empoderamento do paciente são características cada vez mais presentes.

Desde o surgimento do primeiro estetoscópio, até o desenvolvimento de vacinas e antibióticos, a inovação tecnológica faz parte do processo natural de evolução da medicina. Contudo, no século XIX, a prática da medicina ainda era baseada exclusivamente na experiência profissional, o que precisava de anos e anos de experiência. Durante todo o século XX e início do século XXI, houve um crescimento gradativo da prevalência de doenças crônicas, com um aumento da expectativa de vida da população. No entanto, o número de profissionais de saúde não conseguiu crescer na mesma proporção, chegando a ter um déficit de 4,5 milhões de profissionais no mundo, segundo a OMS.

A partir dos anos 2000, quando então a velocidade da internet, juntamente com as tecnologias móveis foram mais disseminadas, a informação passou a ser também democratizada. Com um clique no Google e poucas palavras, já temos algo para ler sobre determinado assunto. Temos vídeos em todas as plataformas de streaming disponíveis, além de grupos diversos formados nas mais variadas redes sociais para tirar dúvidas e dar orientações específicas para qualquer tema em saúde. Esse é um dos pilares do mundo digital. O pilar das pessoas e comunidades. Importante reforçar que é fundamental observar as fontes e a procedência do que lemos na internet.

Chegamos em 2021 com um novo ‘status quo’ estabelecido plenamente. A virtualização, e digitalização dos mais variados processos, nas diversas indústrias existentes, se tornou um fato necessário, e não apenas inovador. A saúde, uma das poucas indústrias que ainda continuava trabalhando de uma maneira totalmente analógica, em uma sociedade voltada para o digital, se mantinha intacta, num pedestal prestes a cair do penhasco. Cuidar da saúde é burocrático, sem resultados práticos rápidos e sem felicidade imediata. Todas essas características fazem com que o modelo antigo, não seja apenas obsoleto para a era em que vivemos, mas também perigoso. O digital pode salvar vidas, através do engajamento sem invasão, do estímulo sem opressão, e do aconselhamento sem virtuosismo médico.

Não acredito, sinceramente, que a tecnologia seja o ponto mais importante nessa equação. A inteligência de empregar a tecnologia certa, na hora certa, lugar certo e com a pessoa certa, na verdade vem de uma série de estudos detalhados feitos por humanos, e de resultados interpretados por humanos. Não adianta darmos de "presente" um biossensor wearable para um paciente, sem medidas educacionais adequadas, sem aplicativos que o ajudem no engajamento, sem orientações sobre seu funcionamento, e sem suporte humano à disposição. Por exemplo, diversos programas de telemonitoramento têm sido realizados, e na maioria das vezes a grande questão continua sendo a seguinte: o que fazer com os dados, e como gerenciar as pessoas com esses resultados? Não seria melhor utilizar o termo telegerenciamento?

A saúde digital tem ainda muitos desafios. A maioria das organizações de saúde ainda está num período prévio à era digital e não iniciaram sequer um processo de digitalização. Primeiro, devemos procurar digitalizar, para depois sermos, de fato, digitais. A cultura do pensamento digital dos gestores atuais ainda é bastante deficitária. Insistimos por diversas vezes, e muitas delas sem perceber, em escanear processos analógicos e transferi-los para o mundo digital. Isso geralmente cria problemas sérios de gestão e de resultados. Não temos nem mesmo coleta estruturada de dados na grande maioria das organizações de saúde. Portanto, a jornada para a saúde digital plena, ainda precisa de muito trabalho. A outra questão é como evitar a criação de abismos entre os nativos digitais, e aqueles que se relacionam de forma bem menos simbiótica com a tecnologia? Como melhorar cada vez mais a transparência e a experiência digital?

Para finalizar, gostaria de deixar aqui uma mensagem importante. Os gestores da saúde, e os profissionais médicos e não médicos, têm um papel crucial no desenvolvimento da transformação digital na saúde, e precisam perceber isso o quanto antes. Esse não é um movimento tecnológico. Para aqueles que ainda não perceberam essa característica, ainda há tempo. O movimento de transformação digital na saúde, é social, cultural e humano.

*José Luciano Monteiro Cunha é diretor corporativo de telemedicina do Sistema Hapvida