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25

Mar

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[ARTIGO] O Coronavírus seria o reset que muitos pediam?

*Por Arturo Arruda Câmara

Passados os primeiros dias do impacto da pandemia que para o mundo, é hora de refletirmos sobre os recados e oportunidades que podem estar por trás desse acontecimento histórico, científico e econômico. Quantos de nós não ouvimos em grupos de amigos, mesas de bares, discussões intelectuais ou até mesmo em pregações religiosas que o mundo estava precisando de um RESET, de um recomeço? Será que o CORONAVÍRUS não é a oportunidade que precisávamos para recomeçar tudo aquilo que tanto desejávamos?

O mundo já testemunhou a Gripe Espanhola (1918/1919), maior pandemia de gripe da história - com um terço da população do planeta infectada e 50milhões de vítimas fatais - a tuberculose, a cólera, o HIV (AIDS), já sofreu com as I e II Guerra Mundial, a nossa geração já se chocou com os desastres naturais (Terremotos, Furacões, Tsunamis, etc), já choramos com os ataques terroristas (11 de setembro), já discutimos sobre o capitalismo X Socialismo, já nos indignamos com as injustiças sociais, e porque não dizer que já nos cansamos da maior chaga de todas: a corrupção.

Corrupção que diferente daquilo que a maioria da população pensa ou julga, não é apenas aquele gesto ou atitude do político em se beneficiar das suas funções para conquistar vantagens próprias, corrupção que está bem mais presente na vida de cada um de nós do que podemos imaginar ou aceitar. Falo daquela corrupção que está por trás no “jeitinho brasileiro” de sempre querer se dar bem em tudo, seja furando uma fila, seja fingindo uma doença não existente para faltar ao trabalho, seja espalhando fake News, ou até mesmo se arvorando na guarda da legalidade para descumprir a lei em busca de um reconhecimento da categoria ou mesmo da nação.

O mundo, através do CORONAVÍRUS, está dando uma oportunidade a essa nova geração (a geração Z, os Nativos Digitais) para recomeçar tudo de novo, RESETAR, corrigir tudo aquilo que nos incomodava. Não adianta pedir para parar o mundo, se nós não temos aonde descer. Vamos nos inspirar nos inúmeros bons exemplos, nos gestos de cidadania, na preocupação com o próximo, na dedicação dos profissionais da saúde (colocando em risco suas próprias vidas em prol da humanidade), na cordialidade, na cumplicidade das relações comerciais que se preocupam em salvar a economia, na esperança... Vamos ser a luz e não o interruptor que apaga a luz.  

*Arturo Arruda Câmara é publicitário e sócio-diretor da Art&C.

1

Mar

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Como prosperar na crise

*Por Fábio San Martin

Onde está a luz do final do túnel? Em 2016 postei no Facebook um pequeno artigo falando sobre a crise que o Brasil está vivendo. Naquele tempo montei um cenário difícil e desafiador, acreditando que essa tormenta não seria “uma marola”, ou melhor, que ela não passaria em alguns meses. Cheguei a ser criticado por alguns amigos, por acharem que eu estava sendo pessimista.

No entanto, se olharmos os dados e o movimento financeiro, econômico, político e social, fica evidente que ainda se trata de uma condição AINDA muito delicada... Dólar superando os R$ 4,30, taxa de desemprego acima dos 11%, estagnação de investimentos, crise política, crise mundial – Corona vírus e gestão e Donald Trump, ceticismo do empresário e da população, economia estagnada... são tantos fatos e dados comprovando o momento de turbulência que nem eu consigo enumerar todos.

O que tudo isso quer dizer de fato? Muito simples, duas coisas... ainda vamos ter que enfrentar a crise em 2020 – até porque, embora as projeções apontem crescimento de 2% em 2020, muitos economistas já estão prevendo um ano de crescimento quase nulo, próximo de 0 (zero). Segundo, a Gestão pública não está conseguindo aprovar todas as reformas necessárias para acelerar a retomada econômica do Brasil. Com esse processo de retomada extremamente lento, faltam recursos para investir em infra estrutura e isso não atrai investidores para o país.

Se analisarmos o impacto das crises nos países e, especificamente no Brasil, veremos que esse tipo de situação causa prejuízos incalculáveis. No entanto, para toda regra existe uma exceção: muitos perderão e uma pequena fatia das empresas ganharão ou prosperarão.

E qual o segredo para em momentos de crise ser próspero? Posso dizer com absoluta certeza que não existe essa porção mágica. Por outro lado, as empresas que prosperaram em tempos de crise tiveram algumas características em comum. São elas:

♣ Foram resilientes... entenderam que o momento difícil exigia uma movimentação diferente da empresa. Revisaram planejamento estratégico, processos, produto, necessidades do marketshare, etc.;

♣ Investiram em pessoas, através de treinamentos, processos de meritocracia, cultura organizacional... porque via de regra, a mudança acontece na execução e isso tem a ver com gente;

♣ Realizaram trade offs (deixar de fazer coisas), porque é preciso rever produtos e serviços, para que eles estejam em sintonia com a nova necessidade do cliente;

♣ Implementaram ou implantaram um sistema de relacionamento com o cliente, para que suas reais necessidades pudessem ser entendidas; e

♣ Inovaram... descobriram novas formas de fazer negócios e de implementar seus produtos e serviços.

E por onde começar? Segundo Jim Collins – maior consultor da atualidade – primeiro pessoas, todo o resto depois. Sem as pessoas certas e bem preparadas, o planejamento, os processos e todo o resto se torna falho ou limitado. É preciso definir o time. Após isso, dar as ferramentas, alinhar estratégias e planos de ação, investir em treinamentos e CRIAR CONEXÃO com os clientes internos e externos.

Muitas empresas erram em suas estratégias porque realizam implementações pontuais e desconexas, sem um entendimento macro. Isso faz com que essas implementações tenham um efeito bem menor do que ele poderia gerar, causando uma sensação de limitação e impotência. Ou seja, não basta ter a intenção da mudança e a implementação de parte da intenção. É preciso consistência nessas mudanças.

E para começar, sugiro uma pequena reflexão: Como a sua empresa é vista hoje pelos seus clientes (internos e externos)? Como você gostaria que ela fosse vista? Como transformar esse gap em estratégia e ação? Pense nisso, não espere a situação piorar ainda mais. Inicie agora mesmo a mudança, antes que a falta dela acabe com o seu negócio.

*Fabio San Martin é administrador, consultor, Mentor, analista comportamental e diretor da San Martin & Niklas Desenvolvimento Humano e da NOV4 Gestão Empresarial. Também é sócio da All BPO Financeiro.

12

Jan

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Irã reconhece: “erro humano” derrubou avião da Ukraine Airlines

*Por João José Forni

Por trás das grandes crises, quase sempre há um “erro humano”. Assim a teoria de gestão de crises classifica os graves problemas que afetam as organizações, quando provêm de decisões humanas equivocadas. Após três dias de controvérsias sobre as causas do acidente, que derrubou o avião da Ukraine Airlines, com 176 pessoas a bordo, em Teerã, na 4ª feira, o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã reconheceu que o avião foi atingido por um míssil de defesa, culpando o “erro humano” e o "aventureirismo americano" pelo acidente. Ele apenas confirmou o que desde o início autoridades americanas e canadenses já tinham insinuado, após informações da inteligência dos dois países.

"A República Islâmica do Irã lamenta profundamente esse erro desastroso", escreveu o presidente iraniano, Hasan Rowhani, no Twitter. "Meus pensamentos e orações vão para todas as famílias de luto".

A queda do Boeing 737, voo PS752, quando decolava, no momento em que o Irã atacava bases americanas no Iraque, agravou um cenário da aviação, que não consegue se livrar da crise, principalmente nos últimos dois anos. O voo Teerã-Kiev tinha acabado de decolar do aeroporto iraniano. Após atingir cerca de 2.400 metros, aparentemente o avião pega fogo, tenta uma inflexão para a esquerda, numa tentativa de voltar, mas logo em seguida explode e cai em pedaços. Sabe-se agora que o piloto se comunicou com a Torre do aeroporto, pedindo para voltar. As imagens do acidente, vistas por várias câmeras, mostravam luzes que se aproximavam da aeronave, o que sugeria um objeto não identificado, como agora se confirma. Era um míssil lançado pela defesa iraniana.

As 176 pessoas que morreram no acidente, eram de várias nacionalidades: 82 iranianos, 57 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos

A terrível coincidência

A decolagem do avião ocorreu exatamente no momento em que o Irã lançava mísseis em direção ao Iraque, para atacar as bases americanas. No mínimo, uma ação imprudente do controle de voo iraniano, bem como das companhias aéreas, pois não são obrigadas a decolar.

O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse na entrevista que pediu que todos os voos comerciais no Irã fossem suspensos até que as tensões com os EUA esfriassem. Mas os membros das Forças Armadas autorizadas a fazer tal pedido do governo e da autoridade da aviação optaram por não fazê-lo. Outra dúvida, por que outras aeronaves decolaram naquela noite e não foram atacadas? Mesmo assim, as empresas aéreas, por segurança, deveriam ter tomado a decisão de não autorizar decolagens ou pousos naquele horário. Isso implicaria custos, naturalmente. Teria a Ukraine Airlines incorrido também num grave erro estratégico, ao autorizar a partida no momento do ataque?

A queda do Boeing 737 800 no Irã ocorre num momento extremamente delicado para a fabricante e a própria aviação. O grave acidente esteve por três dias envolto num grande mistério, com a causa do acidente se dividindo entre duas hipóteses: falha técnica do avião, logo após a decolagem, sem esquecer que a Ukraine Airlines assegurou ser um aparelho novo, revisado na semana passada. Nem se cogitou também em erros da tripulação, apontada pela empresa como bastante experiente.

A outra hipótese, mais plausível, o avião ter sido atingido erradamente por um míssil de defesa do Irã, no momento em que o país atacava bases americanas no Iraque. Alguns órgãos da imprensa americana e canadense divulgaram amplamente a versão do míssil, até mesmo com imagens. Segundo o jornal americano The New York Times, que deu o “furo” do míssil iraniano, o vídeo divulgado tinha sido confirmado por especialistas. Versão essa corroborada por algumas autoridades e que somente neste sábado o Irã confirmou.

Não bastasse a interminável crise com o 737 MAX, de forma confusa e pouco transparente conduzida pela Boeing, o acidente no Irã coloca em evidência a fragilidade com que um avião lotado de passageiros explode sem que o país onde ocorreu o acidente, o fabricante e a empresa aérea tivessem uma explicação pelo menos coerente sobre o que ocorreu. Sabemos que a transparência nunca é uma virtude cultivada pelos envolvidos nas grandes tragédias. E para agravar as dúvidas, o comandante iraniano, na entrevista, reconheceu que desde 4a. feira (8) sabia que o acidente tinha sido provocado por um míssil e avisou o seu governo. Foram três dias de omissão, quando todo o mundo já suspeitava de um ataque involuntário.

A princípio, o Irã ameaçou não liberar as famosas “caixas pretas”, que armazenam os últimos dados e gravações dos voos dos aviões. Com isso, ele estava desrespeitando leis internacionais que preveem a participação do país onde ocorreu o acidente, do fabricante e a da empresa responsável pelo avião, na apuração completa dos acidentes. Como ocorreu na investigação bastante demorada do trágico acidente do voo Air France 447, em maio de 2009, no Brasil, no trajeto Rio-Paris. A apuração envolveu também a França e o fabricante do avião. Nesse acidente, morreram 228 pessoas, sendo que as equipes levaram dois anos para localizar as caixas-pretas e apenas metade dos corpos dos passageiros pôde ser resgatada do mar, onde o avião caiu.

Lentidão e transparência

No caso do acidente da Air France, dez anos depois, o processo de investigação não terminou. A Justiça francesa rejeita acusação contra a Air France e culpa pilotos pelo acidente no voo Rio-Paris. Essa disputa jurídica só aumenta a dor das famílias que perderam os entes queridos. Assim também com o avião da Malaysia Airlines, atingido por um míssil russo, quando sobrevoava a Ucrânia (na época em disputa bélica com a Rússia), em viagem de Amsterdam para Kuala Lumpur, em 2014. Só agora, cinco anos depois, a investigação aponta rebeldes russos como culpados pelo lançamento do míssil que abateu o avião e matou 298 pessoas. Enquanto isso, as famílias, maioria de origem holandesa, continuam na briga jurídica.

Há uma terrível coincidência entre esse acidente ocorrido num conflito de guerra entre Ucrânia e Rússia e o atual. O FBI havia recomendado as empresas aéreas evitarem utilizar o espaço aéreo da Ucrânia, naquela época, exatamente por causa dos conflitos que utilizavam mísseis para atacar os adversários. A Malaysia Airlines optou por manter a perigosa rota. Quando o avião da Malaysia passava sobre a Ucrânia – e foi atingido por um míssil – vários outros aviões estavam aumentando o tempo da viagem (e o custo) para fugir do espaço aéreo ucraniano. 

Lentidão e pouca transparência parece ser a tônica dos acidentes aéreos, principalmente aqueles que incluem agravantes, como atentados, sabotagem ou desaparecimento. As exigências para o voo e as cobranças cada vez mais draconianas das empresas aéreas, de refeições, malas, assentos, limitação de peso e número de bagagens não parecem ter acompanhado o investimento no ativo mais precioso das companhias aéreas e dos fabricantes de aviões: a segurança e a transparência na relação de negócio entre empresa, clientes e órgãos reguladores. Definitivamente, a aviação mundial não está voando num céu de brigadeiro. 
 

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

7

Jan

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A verdade vencerá os vendedores ambulantes de Fake News

*Tradução e notas por João José Forni

O ano de 2019 se despediu sob o estigma das “fake news”.  Comandado pelo presidente da maior potência econômica do mundo, o termo “fake news” foi vulgarizado, sob o argumento de que tudo que não for “bom para mim” ou para “meu governo”, trata-se de "fake news". Com isso, confundindo a cabeça dos leitores, até a mídia começou a entrar em parafuso. E chegamos a 2020, um ano de eleição no Brasil, desconfiados de que isso vai piorar. Vai ficar difícil distinguir o que é verdade e o que é notícia falsa?  Dependerá muito de quem produz a notícia e de quem a dissemina.

O tema foi objeto de um instigante artigo no jornal The Times, de Londres, assinado pelo colunista Daniel Finkelstein. A linha do autor é que terminamos a década ameaçados por mentiras travestidas de notícias. Mas que nem tudo está perdido.

“Ignore os pessimistas que dizem que estamos presos em uma névoa de mentiras e distorções - nossa sede por fatos nunca foi tão forte. Esta foi a década da pós-verdade. A década de teorias de conspiração nas redes sociais, de Donald Trump e do ônibus do Brexit (1), dos envenenamentos da família Skripal (2) e dos russos na eleição de Hillary Clinton; de anúncios publicitários no Facebook e das “fake news”.”

“De qualquer forma, esse é o consenso. Quem sabe mais o que é e quem se importa? Mas não é um consenso do qual eu faça parte. Não é que eu não possa ver os perigos. Eu escrevi sobre notícias falsas e como é fácil passar. Só que estou fundamentalmente mais otimista. Acho que essa foi a década da verdade e acho que a próxima década continuará esse trabalho”.

Finkelstein está otimista com a nova década e recorda que aprendemos muito nos últimos anos. “Eu acho que estamos vendo isso de maneira totalmente errada. Essa foi a década em que começamos a acordar com as mentiras, a entender como elas são difundidas, a começar a desafiá-las e a ensinar uns aos outros como identificar a falsidade. Uma década em que começamos a reconhecer coisas para as quais fechamos os olhos, uma década em que começamos a perceber e parar de fingir”.

No início do século XIX, antes de os primeiros editores o estabelecerem como o jornal de registro, o The Times, de Londres (fundado em 1785) se financiou, em parte, ameaçando publicar fofocas sem controle, a menos que o interessado concordasse em pagar uma taxa de supressão, o que significa que, pagando, a fofoca não seria publicada. Não muito diferente do que hoje, dois séculos depois, acontece com certos blogs de jornalistas ou pseudojornalistas inescrupulosos, que literalmente “vendem” notinhas positivas para políticos e empresários ou trocam dinheiro pela retirada de eventuais “fofocas” negativas, plantadas por adversários. O The Times londrino construiu sua reputação a partir de 1817, abandonando essas práticas e aderindo à verdade, enquanto outras publicações continuaram sendo menos exigentes.

Segundo o autor, “Isso, é claro, supunha que o jornal pudesse estabelecer qual era a verdade. O maior inimigo da precisão era a ignorância, e não a facada. Havia uma verdade que podia ser estabelecida, mas que permanecia fora do alcance (poderia levar semanas para que um despacho chegasse do exterior e os correios talvez precisassem ser subornados para entregá-lo) e havia uma verdade que permanecia desconhecida porque o conhecimento científico requeria revelá-lo que não existia”.

“E havia o fato de que muitas pessoas não podiam avaliar a verdade porque não sabiam ler ou que não tinham acesso aos livros ou tempo para aprender com eles”.

O que o autor tenta demonstrar é que, portanto, as "fake news" sempre existiram, facilitadas pela obsessão pelo “furo” e a incapacidade crítica da maioria dos leitores. “Não foi apenas a ignorância que desviou as pessoas da verdade. Também era convenção social. É surpreendente agora ler sobre a vida de Jimmy Savile (3), por exemplo, e apreciar o quão aberto ele era sobre seu comportamento sexual predatório e os abusos de meninas menores de idade. No entanto, sua fama e poder o protegiam das consequências. As portas dos hospitais e palácios foram abertas para ele, enquanto a polícia o investigava." Finkelstein se refere ao comediante que durante anos era recebido nos altos escalões londrinos e, descobre-se anos depois, era um contumaz abusador de crianças e mulheres.

“Da mesma forma, um olho cego se voltou para o assédio sexual no local de trabalho, como ficou demonstrado a partir de 2017, pelo movimento Me Too, mesmo que tenha sido a experiência (traumatizante) de milhões de mulheres”.

A década da mudança

“Esta foi a década em que começamos a abrir os olhos para a verdade. Somos menos ignorantes, menos respeitosos, mais céticos. Apreciamos melhor como é fácil dizer algo falso na política e fugir impune, uma apreciação que é em si uma parte da verdade que surgiu da ciência política. Somos menos capazes e menos dispostos a varrer a verdade desconfortável para debaixo do tapete. Desafiamos mais”, diz o autor.

“Sim, Donald Trump é notavelmente descuidado com os fatos. Mas ele dificilmente é o primeiro presidente de quem isso pode ser dito. Ler as transcrições das fitas Watergate do presidente Nixon deve nos deixar de boca aberta na escala e extensão da mentira. A mesma atitude ocorre na conduta de Lyndon Johnson, na Guerra do Vietnã. Ou as façanhas de Bob Kennedy", completa o autor.

 “Algumas pessoas se convencem de que as mentiras de Trump não importam ou que suas mentiras são realmente a verdade. Mas não é verdade dizer que suas mentiras não têm consequências para ele. Seus índices de aprovação pessoal estão muito aquém dos créditos que os eleitores lhe dão por administrar a economia, o que o faz se destacar entre seus antecessores. Também vale ressaltar que, quando Trump nega a mudança climática e milhões concordam, houve décadas em que a verdade sobre a mudança climática foi ignorada por todos, porque simplesmente não sabíamos disso”.

“O ônibus famoso no referendo do Brexit (que circulava com informação falsa, como se descobriu depois) pode ter usado números duvidosos, mas isso é verdade para todas as eleições em que eu lutei. Dados dúbios sobre possíveis aumentos de impostos trabalhistas, números dúbios sobre cortes de gastos dos conservadores. O que mudou é que esses números e reivindicações políticas estão sendo contestados, verificados e refutados com mais vigor do que nunca”.

Diríamos que hoje está mais difícil mentir. E o exemplo pode ser tirado do novo governo brasileiro, no ano que passou. Quanta informação foi tentada ser passada como verdade e imediatamente contestada por formadores de opinião ou mesmo pelo público, fazendo o governo recuar? Pode-se até admitir que está muito fácil emplacar “fake news” com números ou informações que poucos irão checar. Mas também está muito fácil conferir e verificar se o que foi publicado é verdadeiro. Espalha “fake news” quem quer. 

“É claro que existem mentiras e mentirosos, preconceitos e distorções, escândalos que não podemos ver, comportamento pessoal inaceitável que ainda temos que desafiar, partes do nosso passado que ainda não enfrentamos. Mas foi nessa década que começamos a ver como a verdade central é para uma sociedade civil em funcionamento e uma democracia liberal ativa. Foi a década em que, com hesitação e com toda a falibilidade que temos, renovamos a luta em direção à luz. Aqui está uma nova década da verdade”.

Notas:

(1) Onibus do Brexit. Esse ônibus ficou famoso, por ter circulado ostensivamente durante a campanha pelo Brexit com a informação de que o Reino Unido enviava por semana para a União Europeia 350 milhões de libras (R$ 1.820 milhões), como transferência de renda, sendo que o sistema de saúde britânico era deficitário. A informação, como se comprovou depois e foi desmentida, era falsa. Mas, o estrago já havia sido feito. 

(2) O caso do envenenamento do ex-agente russo Sergei Skripal e de sua filha Yulia é uma tentativa de assassinato, através de um ataque químico, ocorrida às 16:15, em 4/02/2018, em Salisbury, Inglaterra, Reino Unido. A suspeita sempre foi de que os russos tentaram assassiná-los. 

(3) O escândalo do comediante Jymmy Saville, um famoso comediante que se apresentava na TV e em teatros, na Grã-Bretanha, apareceu em 2012, quase um ano após seu falecimento, quando centenas de vítimas de abusos sexuais começaram a denunciá-lo, apesar do prestígio que desfrutava na mídia (era contratado da BBC) e outras instituições. Crianças e mulheres vulneráveis e doentes foram abusados. Os britânicos se perguntaram como foi possível durante anos o comediante abusar de crianças e mulheres, inclusive na BBC, aproveitando sua popularidade, e ninguém ter descoberto ou denunciado?  

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas".

Fake News Gráfico

2

Set

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Natal será a capital da aliança entre Brasil e Alemanha

*Amaro Sales de Araújo

O Rio Grande do Norte será, em 2019, entre os dias 15 a 17 de setembro, sede do 37º Encontro Econômico Brasil-Alemanha! Natal, terra de tantos encantos, será também a capital da aliança entre os dois países, suas instituições e empreendedores. O EEBA, realização da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs e com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, trabalha, em síntese, para estreitar, ainda mais, as relações institucionais e de comércio entre as duas nações. Evento que será, para o Nordeste e, em especial, para o Rio Grande do Norte, um marco relevante nas relações comerciais internacionais, reconhecida a importância que tem a Alemanha, sob diferentes aspectos, para a economia brasileira.

Aliás, “escapando para o mundo” é uma das estratégias indicadas no Projeto MAIS RN, que ofereceu diagnóstico e linhas de atuação para o planejamento de desenvolvimento socioeconômico do nosso estado até 2035. Os negócios internacionais eram difíceis e complexos. O mundo mudou. Hoje os negócios são feitos com maior frequência e, apesar da burocracia brasileira, em um ambiente que tende a melhorar, considerando as medidas já anunciadas pelo Governo Federal de estímulo à produção e a pauta exportações/importações que se tornou imprescindível para o desenvolvimento nacional.

Juntamente com as instituições representativas dos empreendedores potiguares – FECOMERCIO, FETRONOR, FAERN – como também o SEBRAE e os Poderes Públicos, nos diferentes níveis de governo, vamos apresentar as potencialidades do Rio Grande do Norte e tentar atrair investidores, instituições e outros interessados em investimentos em nosso estado e na região Nordeste. Já temos uma caminhada persistente e de resultados nas relações com a Alemanha.

O Rio Grande do Norte, em particular, tem reiterado diálogo e aproximação com o estado da Renânia-Palatinado. O SENAI, casa que integra a FIERN, tem sido, por sua vez, um importante interlocutor com instituições alemãs no âmbito da inovação, tecnologia e qualificação profissional, além de outras perspectivas e providências de cooperação já efetivadas, a exemplo do projeto “Casa Passiva”.

Vamos, em resumo, estimular, trabalhar, articular para que o EEBA 2019 gere mais resultados, tornando Natal ainda mais conhecida dos alemães e com fundadas possibilidades de que o Estado consiga atrair investimentos diretos ou em parceria com grupos locais. O Nordeste e o Rio Grande do Norte devem ser considerados as novas fronteiras para o desenvolvimento nacional, considerando o extraordinário potencial turístico e a matriz econômica diversificada. A aposta por aqui, tendo apoio, segurança jurídica, ambiente destravado, é muito promissora! Façamos o que nos cabe e vamos em busca de bons parceiros. Com a Alemanha, no caso concreto, a aliança tem fundamentos de segurança, respeito e prosperidade.

*Amaro Sales de Araújo, industrial, Presidente da FIERN e Secretário da CNI.

21

Jun

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É hora de darmos as mãos, sob pena de ser tarde demais!

*Sílvio Bezerra

Na semana passada, participei de um seminário como presidente do SINDUSCON, sobre as “Perspectivas e desafios das carreiras públicas no terceiro milênio: como conciliar medidas para enfrentar a crise fiscal e financeira x proteção aos direitos fundamentais”.

Fiquei surpreso ao verificar que eu era o único empresário na plateia, composta 100% por autoridades públicas e pessoas do meio jurídico. Pensei comigo: será que estou sendo um intruso? O que eu tenho a ver com o tema?

As exposições iniciaram e para minha alegria pude constatar que todos os palestrantes demonstraram preocupação em reduzir os custos atuais das suas instituições, além de abordarem formas e ações que estão sendo implementadas objetivando a redução das despesas.

Também foi ponto pacífico entre todos que não há espaço para se propor aumento da carga tributária para cobrir esse déficit.

Senti falta da participação da iniciativa privada no debate. Quase ninguém lembrou que podemos e devemos ser parte importante nessa discussão. Afinal de contas, somos grandes pagadores de impostos e geradores de empregos.

O crescimento do empreendedorismo passa definitivamente pela melhoria do ambiente de negócios em nosso Estado. É preciso derrubar preconceitos contra os empresários. Não consigo ver um Estado/País próspero sem empresas saudáveis e pujantes e instituições públicas ágeis e enxutas.

Não faz sentido o Estado demandar dezenas de estudos pra licenciar um empreendimento, onerando absurdamente os custos, e após meses, e algumas vezes anos de trabalho e de espera pelas licenças, estas terem suas validades questionadas pelo próprio Estado.

De que valeram os estudos e as análises? O tempo e os recursos empregados? Para que foram apresentados?

Essa falta de sincronia e respeito entre os poderes públicos está destruindo o setor produtivo. Todo mundo sabe disso e ninguém faz nada! Qualquer documento expedido por um órgão oficial deveria ser respeitado e ter validade. E as fraudes punidas exemplarmente. Tenho convicção de que a maioria dos projetos é elaborada dentro da lei.

A maior parte da indústria da construção civil e imobiliária está em sérias dificuldades. Diante dessa gravíssima realidade, não faz sentido demandar o Judiciário para discutir assuntos pequenos que deveriam ser objeto de entendimento no âmbito administrativo. Acreditem, é isso que tem ocorrido! É comum funcionários públicos sugerirem que requeiramos na justiça as licenças para evitar que eles respondam processos judiciais, mesmo havendo o reconhecimento por eles dos nossos direitos. Chegamos a esse ponto!

Por que não dialogamos em busca de um entendimento? Há algum crime nisso? Não seria mais produtivo e benéfico do que apelar para os famigerados embargos que maculam a credibilidade e inviabilizam para sempre os empreendimentos?

O tempo urge! Em nome do crescimento do nosso estado/país, do desenvolvimento sustentável e do combate à crise em que nos encontramos, proponho uma “trégua definitiva” às entidades públicas que interagem com a iniciativa privada no dia a dia dos negócios, um pacto pela paz e pelo fim do preconceito contra o empreendedorismo.

Ser correto ou corrupto não é inerente à atividade exercida, mas sim ao ser humano. Existem bons e maus empresários e profissionais em todas as áreas. Em todas elas, os bons devem prevalecer. Precisamos de um voto de confiança pelo bem do empreendedorismo em nosso Estado/País. O diálogo franco e transparente é fundamental.

Queremos nos juntar às instituições públicas, para fazermos parte da solução a ser apresentada à sociedade como plano para o nosso Estado/País sair da crise.

*Sílvio Bezerra é Presidente do SINDUSCON-RN e Vice-presidente da FIERN - Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte.

 

21

Jun

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Coluna Turismo em Foco: Lei Geral do Turismo

Na Pauta: A diretoria da ABIH-RN acompanhada de alguns hoteleiros, reuniu-se  hoje com o senador Styvenson Valentim, na pauta,  a Lei Geral do Turismo, onde dois itens relacionados à hotelaria têm chamado a atenção: a  cobrança do Ecad nas áreas comuns e nos quartos de hotéis, onde esta é considerada de natureza privada; o outro item que tem chamado a atenção é o percentual exigido para quartos adaptados. A Lei estabelece que todos os hotéis devem ter 10% dos quartos acessíveis, e que esta adaptação deve ser realizada no período de 2 anos.

Entidades relacionadas aos meios de hospedagem, entregaram no dia 27 de maio, em Brasília um parecer técnico, que exclui a compatibilização do percentual exigido para quartos adaptados com a estatística oficial do IBGE. 

Comparando a outros destinos turísticos, nos EUA o percentual é de 2%, na França 4%, em Londres é de 5%, podendo chegar a 7,5% das unidades habitacionais a ser executada até 2030. Vale destacar que o fluxo turístico de Londres gira em torno de 18 milhões de pessoas anualmente, já o Brasil recebe cerca de 6 milhões. 

Próxima reunião
Na próxima semana, a hotelaria irá se reunir com os senadores Jean Paul Prates e Zenaide Maia.

Hotelaria assumirá pedágio em Foz do Iguaçu: Com o objetivo de atrair cada vez mais turistas, Foz do Iguaçu apresentou uma iniciativa inédita, a campanha “Vem pra Foz que o Pedágio é por nossa conta”.

A ação vale para operadoras, agências de viagens e empresas de transporte turístico de todo o país que comercializarem pacotes turísticos exclusivamente por ônibus, com hospedagem mínima de três diárias no hotel participante, terão o valor do pedágio pago pelo estabelecimento. A iniciativa começará a partir do mês de agosto. Mais de 20 hotéis e pousadas aderiram à campanha. 

Lei das Piscinas

Publicada essa semana no Diário Oficial do Município, a Lei Complementar que estabelece normas de segurança, obrigatórias, destinadas as piscinas coletivas e públicas do Município do Natal, visando a prevenção de acidentes. 

- Exigências: As exigências vão desde a utilização de capas de proteção que cubram toda a superfície,  barreiras, como grades e cercas, além das bordas das piscinas e as áreas de circulação em seu entorno, que deverão ser projetadas com o uso de material que aumentem a aderência, diminuindo as riscos de quedas, a colocação de placas indicando a profundidade.

- Prazo e sanções: Os estabelecimentos terão o prazo de 180 dias, a contar da publicação Lei (17.06), para se adequarem as novas exigências. O descumprimento, acarretará notificações, multa no valor de R$ 5.000,00, e até a suspensão do alvará de funcionamento e até interdição.

 A publicação completa está disponível no https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=378611

Novo regime tributário - QAv

A governadora Fátima Bezerra assinou o decreto que estabelece as novas regras para a redução da cobrança de impostos no querosene de aviação. O novo regime de concessão especial de tributação para as companhias aéreas estipula cinco alíquotas do ICMS que incide sobre o QAv, partindo dos atuais 12% e podendo chegar a até 0%. A concessão do benefício está vinculada ao cumprimento de metas, que inclui aumento e regularidade de voos, inclusive internacionais.

Caso as empresas não cumpram as exigências após um ano do pedido de concessão do benefício elas terão de devolver aos cofres do estado o montante que deixou de ser repassado no período em função da redução da alíquota.

Fortaleza dos Reis Magos: Na última quarta-feira (19) o Governo do Estado apresentou o projeto “Parque da Fortaleza dos Reis Magos”, que irá remodelar o entorno do Forte. O projeto irá dá um novo tratamento urbanístico e paisagístico na área.

O planejamento é de que a obra seja executada com R$ 19 milhões ainda disponíveis no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas.

Sustentabilidade

A Emirates firmou o compromisso de reduzir o consumo de plásticos de uso único a bordo de todas as suas aeronaves. Desde o dia 1º de junho a companhia aérea já substituiu, em alguns de seus voos, os canudos de plástico por itens de papel. Além dos canudos de plástico, mexedores de coquetéis de plástico também serão substituídos por alternativas ecológicas até o final do ano. Desde 2017, a companhia tem trabalhado em iniciativas de sustentabilidade de longo prazo, começando pelo uso das mantas ecoThread, que são feitas a partir de garrafas plásticas.

Chegaram ao Brasil os primeiros turistas com isenção de visto

Entrou em vigor, nessa segunda (17), a isenção de vistos para entrada no Brasil de moradores de quatro países: Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão, para fins de turismo, negócios, artes e esportes. A estadia dos estrangeiros que preencherem esse quesito sem visto será de 90 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90.

Os primeiros turistas dos Estados Unidos beneficiados com a isenção chegaram ao Rio de Janeiro no dia 17, e foram recepcionados pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e o secretário de Estado de Turismo do Rio de Janeiro, Otavio Leite.

Contato da coluna: gabiduartern@gmail.com

22

Mar

Artigos

Jovens “nem-nem”: Nem estudam e nem trabalham. De quem é a culpa?

Por Jaqueline Barbosa

Se você tem entre 15 e 24 anos, não estuda e nem trabalha, saiba que agora faz parte das estatísticas, 23% (2 a cada 10) dos jovens brasileiros não exercem nenhuma das funções citadas. A maior parte desse grupo é formado por mulheres de baixa renda. O número coloca o Brasil como um dos países com maior incidência de jovens "nem-nem", como são popularmente chamados, em toda a América Latina e do Caribe. Ficando atrás apenas do México, com 25% e El-Salvador, com 24%.

Os dados são do estudo "Millennials na América e no Caribe: trabalhar ou estudar?" realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, em dezembro de 2018. A palavra “millennials” faz referência a geração nascida após os anos 2000 em que se encontram a maioria dos mais de 15 mil jovens entrevistados. A pesquisa aponta como principais motivos da situação, problemas com habilidades cognitivas e socioemocionais, incluindo o capacidade de liderança, autoconfiança e trabalho em equipe, falta de políticas públicas, além de obrigações com a família.

Mesmo com os conflitos apontados, a pesquisa demonstra que os jovens nem-nem não estão completamente ociosos, 31% deles estão procurando trabalho, principalmente os homens e 64% se dedica a trabalhos de cuidado doméstico e familiar, principalmente as mulheres.

Diante desses dados, seria o mercado de trabalho que ao exigir cada vez mais habilidades, impede que os jovens estejam inseridos? Ou o governo que não oferece políticas públicas que oportunizem os adolescentes se capacitarem de forma correta? O desemprego no Brasil chegou a 11,9% ano passado, a educação é listada com um dos piores índices do mundo ocupando o 53º lugar entre 65 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), fatos que estão diretamente ligados.

Políticas públicas de incentivo, que se antecipem aos principais problemas enfrentados pelos jovens, como falta de experiência e gravidez/paternidade precoce, são necessárias e urgentes para que esta realidade, que atinge 17% da população do País, não continue aumentando e até comprometendo outros índices no futuro, como taxa de população ativa, que atualmente ainda é maior que a de dependentes.

Além da melhoria na educação, para que os professores tenham mais chance de ensinar e os alunos mais motivação para aprender, diminuindo assim a evasão escolar, medidas para reduzir a taxa de gravidez na adolescência, além uma maior oferta de creches, possibilitando as mulheres uma chance de conciliar trabalho e estudo, são algumas alternativas que podem diminuir as estatísticas em curto prazo.

Se tratando da oportunidade de se familiarizar com uma profissão e de obter experiência profissional, programas como o PRONATEC - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego - precisam ser fortalecidos e incentivados pelo poder público. Como também, a maior adesão do Programa Jovem Aprendiz pelo setor privado, que de 2012 a 2015 teve a participação de 1.3 milhões de jovens quando, na verdade, este é o número previsto para apenas um ano.

Tudo isso constata que, apesar de haverem oportunidades, elas ainda estão longe de atingir a todos os jovens, e além de desigualdade social, educacional e econômica, a situação causa privação de melhorias para todo o País, mas principalmente na vida de cada um deles. Mesmo que a falta de políticas públicas seja a maior responsável pelo quadro, em alguns casos, também é necessário que os pais, escolas e lideranças comunitárias se esforcem, dentro de suas realidades, para ajudar a reverter essa realidade.

Jaqueline Barbosa é Jornalista, especialista em Comunicação Digital, CEO da Pirâmide Conteúdo Digital e colaboradora do Blog da Juliska

8

Mar

Artigos

Nova Previdência já

*Amaro Sales de Araújo

A reforma da Previdência tem sido o tema mais discutido nos últimos dias e com merecida razão. Segundo dados do próprio Governo Federal a Previdência deve chegar, ao final de 2019, com um “rombo previsto em R$ 292 bilhões”. É muito dinheiro!

Ao anunciar as principais mudanças, o Governo admite que o Congresso Nacional deve melhorar a proposta, mas a economia nacional pede celeridade e equilíbrio. O debate, mesmo acalorado, não pode ser contaminado pela crença ideológica. O ponto focal é matemático, ou seja, como viabilizar uma Previdência que não leve o país à completa falência?

Os argumentos técnicos precisam ser, portanto, bem abalizados e ouvidos com atenção. Por outro lado, o sacrifício, realmente, precisa ser de toda a sociedade brasileira. Não será justo que apenas alguns paguem uma conta que é de todos. Neste sentido, é devido registrar que os empreendedores e suas instituições representativas acompanharão o assunto, mas já há um sentimento consolidado de colaboração para que a Reforma seja viabilizada. Não será fácil, mas é necessária.

As medidas agora tratadas serão fundamentais para o futuro. Estamos vivendo mais. Aliás, está é a boa notícia que marca o debate. No Brasil, em 1980 a esperança de vida ao nascer era de 62,52 anos. Em 2016, já era superior a 75 anos. Com a evolução tecnológica, a pesquisa para o enfrentamento de doenças e, sobretudo, a busca pela qualidade de vida, a pirâmide populacional vem mudando e a faixa de idosos é cada vez maior.

Assim, buscando uma Previdência equilibrada, vamos garantir que as próximas gerações terão, não apenas suas próprias aposentadorias, mas um Estado com condições de honrar suas obrigações. Por oportuno, obrigações que sejam razoáveis e sustentáveis. Para cada benefício ou direito que gere despesas para o Estado é importante que tenhamos, com clareza, o seu financiamento. Não é sustentável inserir na vida nacional direitos e obrigações que não sejam lastreados por um transparente modelo de financiamento.

A proposta do Governo Federal em relação a Previdência propõe duas colunas distintas: seguridade e assistência social. A política de assistência social é necessária, vital. Deve ser aperfeiçoada em tópicos que os especialistas já discutem: transparência, portas de saída, financiamento, regulação, dentre outros. A distinção, contudo, é relevante para que cada setor tenha clareza dos investimentos feitos e das metas que precisam ser alcançadas.

Se a reforma não tiver êxito no Congresso Nacional vamos ter um retrocesso imenso, gerador de uma crise mais aguda, com fundadas perspectivas de recessão econômica. Estamos vivendo um momento onde a economia emite sinais de vitalidade, apesar das turbulências políticas. É hora de aproveitarmos o início de um ciclo que pode ser virtuoso e aprovarmos a Reforma da Previdência para que o Brasil, de fato, se torne o país do futuro.

*Industrial, Presidente da FIERN e Secretário da CNI

Fonte: FIERN, disponível em: https://www.fiern.org.br/artigo-presidente-sistema-fiern-nova-previdencia-ja/

22

Fev

Artigos

Por que ainda (alguns) insistem no uso do papel?

*Gláucio Brandão

Fundado em 1891, o Jornal do Brasil foi o primeiro jornal 100% digital em todo o país, ao criar em 28 de maio de 1995 o JB Online. Antecipando a tendência mundial, cinco anos mais tarde tornou-se 100% digital. Há alguns dias atrás o mais influente jornal do mundo, o The New York Times, também virtualizou-se integralmente. O dinheiro, que na verdade é só uma ordem de pagamento, está com seus dias contados, dado o avanço das criptomoedas.

Os cartórios, que atuam apenas como chaves de autenticação, já apresentam suas versões made in matrix. Escolas na Dinamarca já distribuem seus conteúdos em tablets, assim como colhem os resultados dos alunos. Curso de Ciência da Computação 100% online, criado por professor de Stanford, já apresenta maior índice empregabilidade do que seu dual presencial. A Wikipedia é tida hoje como a enciclopédia mais confiável do mundo. Exemplos não faltam para validar o que a grande rede provocou na humanidade: conexão.

A conexão, a despeito de várias atributos associados, existe nesses casos citados por causa de um elemento essencial: confiança na fonte. Sim, esta é a cola. Para esse nosso texto, chamarei o ente que baliza toda esta conexão simplesmente de lastro.

O lastro, no caso dos jornais, está ancorado em seus jornalistas. Para as criptomoedas, um algoritmo forte, chamado blockchain, impede que qualquer flutuação na rede passe despercebida. Os cartórios virtuais ancoram-se em leis acessíveis neste meio, questionadas também por quem as conhece, de que forma? Online, óbvio. Os centros de educação validam todos os seus materiais e os atualizam de acordo com a opinião de professores e da própria comunidade. E, no caso da Wikipedia, centenas, milhares de pessoas, tentam derrubar informações “instáveis” o tempo todo, como que em um grande jogo de caça ao tesouro. O que percebemos nestes critérios de validação? Respondo: todos são critérios dinâmicos. 

Acrescentamos o dinamismo à cola que identificamos e chegaremos ao mais poderoso elemento, aquele que faz com que estes serviços existam e tendam a liquidar de vez o velho papiro: o lastro dinâmico.

Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, afirmou que "neste novo mundo não é o peixe grande que come o peixe pequeno; é o peixe rápido que come o peixe lento". O Papel é o “peixe” lento e, contendo a informação errada, não terá chance de utilizar o Ctrl Z, pois estará com o erro cristalizado. Nunca ouvi falar em recall de jornal impresso. 

O jornal online, mesmo com a grande proliferação das famosas fake news, consegue se corrigir em um tempo rápido suficiente e anterior à queda de sua credibilidade, quando percebe que a coisa “não foi bem assim”. É o “peixinho” rápido.

A verdade não é mais absoluta, pois os lastros são dinâmicos. Passamos a viver em um mundo de verdade estatística. Meu conselho aos agora “velhos” jornais: o papel congela tudo, principalmente o erro. Dinamizem-se!E outra:  os ecologistas agradecem!

*Professor Associado da UFRN. Gerente Executivo da incubadora INPACTA-UFRN. Tem por missão transformar a Escola de Ciências e Tecnologia em uma Escola de Negócios.

15

Fev

Artigos

O que poderemos fazer para salvar as livrarias?

*Carlos Kelsen

Depois de alguns meses sem escrever nesse espaço, uma manchete do Jornal Tribuna do Norte do último dia 01 de fevereiro de 2019, impôs-me a obrigação de restabelecer o nosso contato. E você deve perguntar: que manchete tão importante foi essa que o fez voltar a escrever?

Segue o texto: “As livrarias estão desaparecendo do Brasil”

Com certeza você já deve ter ouvido alguém afirmando que não está conseguindo ler pois o tempo anda curto, embora o dia permaneça tendo 24h, as semanas 7 (sete) dias, os meses com média de 30 (trinta) dias e os anos com 12 (doze) meses.

Sem dúvida, a vida moderna incorporou algumas características que, certamente, irão provocar problemas em um futuro próximo. A conexão 24h à internet, através de um smartphone, ampliou o nosso acesso à informação, possibilitou termos respostas para tudo, porém, ao mesmo tempo, retirou-nos o importante hábito da leitura continua e detalhada, fazendo com que as pessoas tenham opinião sobre tudo, em que pese de modo quase sempre superficial.

Percebemos claramente quanto tempo as pessoas passam vidradas nas telinhas de um celular e, o que tem sido ainda mais grave, como é difícil ficar longe dele.

Como professor universitário, tenho insistido em cobrar dos alunos o restabelecimento do hábito da leitura, acompanhado da afirmação de que “quem não gosta de ler, com certeza terá dificuldade de escrever.”

Em pesquisas feitas sempre no primeiro dia de aula, em uma breve apresentação da disciplina, das perspectivas profissionais da área jurídica e dos próprios alunos, tenho me deparado com afirmações que apontam que a leitura deixou de ser prioridade. Daí surgiu a necessidade de pensar o que fazer para mudar esse quadro.

Adaptando uma experiência que tive durante o mestrado, no início do semestre do ano de 2018, lancei um desafio às turmas para que os alunos escolhessem um livro para leitura durante a minha disciplina. Detalhe: o assunto e o tamanho ficariam à critério do aluno. Apenas para forçar a escolha imediata e, naturalmente, estabelecer um marco inicial, disponibilizei um formulário para que todos indicassem o livro, o autor, o ano, a editora e o número de páginas. Por fim, aprazei a última aula para que fosse possível fazermos uma mesa redonda, com apresentação de uma pequena resenha dos livros lidos.

Passados aproximadamente 4 (quatro) meses, reuni a turma para a prometida mesa redonda e, apesar da surpresa de saber que apenas 20% (vinte por cento) dos alunos haviam cumprido o desafio, as resenhas apresentadas e, em especial, a informação relativa ao tempo utilizado para a leitura, levou-me à conclusão de que ainda vale a pena lutar para restabelecer ou até mesmo criar o hábito da leitura.

Acredito que isso tenha sido um bom começo, no entanto, reconheço que ainda é muito pouco. Afinal, sempre tenho tido a sensação de que, apesar da produção literária e científica no Brasil ser considerada imensa, as bibliotecas, as livrarias e os cebos têm diminuído com o tempo. Recentemente, inclusive, a imprensa nacional noticiou a crise financeira das principais editoras do país.

Exatamente por isso decidi renovar o desafio da leitura para as turmas do semestre 2019.1 e, tomando emprestado o subtítulo da coluna de José Francisco Botelho, da Revista Veja da semana, ratificar que “A cura do cibervício está em uma invenção ancestral: o livro”, que também servirá para salvar as livrarias.

*Carlos Kelsen Silva dos Santos é advogado Sócio do Lucio Teixeira dos Santos advogados, Professor Universitário - UNP, Mestre em Administração pela Universidade Potiguar, Especialista em Direito Privado: Civil e Empresarial e Autor do Livro: Planejamento Estratégico em Escritórios de Advocacia: a importância de planejar a prestação de serviços.

8

Fev

Artigos

As 3 coisas mais importantes a fazer quando a crise chega

*João José Forni

O Brasil começou 2019 com uma das maiores crises corporativas dos últimos anos, com o rompimento da barragem de Brumadinho. O tamanho dessa crise ainda não foi dimensionado, mas apenas pelas perdas humanas, pode-se classificá-la como a maior tragédia do país, junto com o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, em 1961, com mais de 500 mortos (70% crianças) e com o desastre dos deslizamentos no Rio de Janeiro, em 2011, que deixou mais de mil mortos.

Uma pergunta que vem à mente, sempre que se fala em crise, é o que se faz na hora em que ela chega. O especialista em Crisis Management nos Estados Unidos Erik Bernstein,publicou no site Bernstein Crisis Management um post bem objetivo, enumerando três ações importantes para tomar no momento em que uma crise chega na organização. Essa decisão pode parecer simples, antes de enfrentar uma crise. Mas não são raras as empresas que, diante de uma situação de crise, é tomada por um sentimento de paralisia.  Não sabe o que fazer. Ou porque nunca teve uma crise grave. Ou porque nunca levou a sério a possibilidade de enfrentá-la. E, neste caso, estamos diante da iminência de uma organização se dar mal e se perder na gestão dessa crise.

O que diz o especialista?

“Quando você se depara com uma situação que ameaça atrapalhar as operações, a reputação e seus resultados, uma nova lista “O que fazer agora!” entra em vigor com uma velocidade alarmante. Ao longo de décadas de experiência trabalhando com clientes em quase todos os setores, elegemos algumas etapas mais importantes para começar bem.” Aqui estão as três coisas mais importantes para fazer quando uma crise chegar:

1. Respire

"Sim, há uma necessidade urgente de resposta, sim, você tem 300 coisas diferentes para fazer, mas não vai ajudar se você entrar em pânico. Confie em seu plano, tire um breve momento para se recompor e entre na briga com confiança. Você provavelmente deve cancelar qualquer reserva para o jantar ... você estará aqui (envolvido) por um tempo. (Provavelmente, muito tempo). Se você não tiver um plano, provavelmente o custo da sua recuperação poderá dobrar. Já vimos isso acontecer mais de uma vez.”

Comentário. Esse é um momento decisivo, imediatamente após a crise ter surgido. As ações tomadas nos primeiro minutos poderão definir como vai ser a gestão dessa crise, determinarão se a empresa vai ter sucesso ou se fracassou. Por isso, o maior cuidado com o que você irá fazer. Não confie na experiência. Procure os especialistas e trabalhe em equipe. “Respirar” significa não entrar em pânico; aja com a razão, profissionalmente, não com a emoção. Se o executivo for assíduo nas redes sociais, talvez seja o momento de repensar a estratégia e cair fora, deixando somente a empresa se envolver na crise. Não vá para as redes bater boca com stakeholders.  

2. Reúna sua equipe   

“Toda organização deve ter uma equipe de crise (gabinete ou comitê de crise) com autoridade para tomar decisões capitais em curto prazo. Você precisará de representantes de grupos com poder de decisão, como gerenciamento, jurídico, relações públicas e especialistas de áreas específicas, para que você tenha uma visão completa. É importante que você possa reunir essa equipe rapidamente e, embora a tecnologia continue facilitando isso a cada ano, você precisará levar em consideração a possibilidade de eventos importantes tornarem inutilizáveis ​​até mesmo os telefones.”

Comentário. O Comitê de Crise não é para ser “criado” quando a crise chegar. Ele deve existir antes da crise, com as pessoas discutindo o assunto regularmente e sabendo o que fazer quando a crise chegar. Um grupo pequeno (não mais do que 12 pessoas), que conhece profundamente a organização. O ideal seria ter uma "Sala de Situação". Dependendo da dimensão da crise, como no caso recente da Vale, outros subcomitês terão que ser organizados. Não há com gerenciar uma megacrise como essa de Brumadinho, por exemplo, com apenas um Comitê de Crise. Várias equipes terão que ser formadas. Daqui sairão as diretrizes para gerenciar a crise, com a confiança e o respaldo total da diretoria.

3. Avalie

“O que exatamente estamos olhando, e que nível de resposta é justificável? Embora você não queira reagir, fazer algo como escolher o CEO (ou principal executivo da empresa) para aparecer ao vivo em resposta a um problema menor e localizado pode levar o público a acreditar que existe um problema maior do que realmente existe. Medir isso é mais fácil dizer do que fazer, embora algumas preparações básicas de crise - coisas como definir o que constitui diferentes níveis de crises para sua própria organização - ajudem tremendamente.”

Comentário. Organizado o Comitê de Crise, é hora de saber o que fazer e aí a experiência anterior, os treinamentos e simulações farão a diferença. Se a empresa nunca pensou na possibilidade de uma crise como essa que chegou, a probabilidade de se dar mal e contaminar a reputação é muito grande. Saber quem vai comandar a crise, quem vai ser o porta-voz, ter muito claro o “timing” da crise, quem são os stakeholders que terão de ser contactados; os “influencers” das mídias sociais que podem ajudar ou atrapalhar a gestão da crise são requisitos importantes para o sucesso. Saber dimensionar o tamanho, a extensão da crise. Dê à sua crise o tamanho que ela merece. Não maximize, se for uma crise localizada, pequena. Não minimize, caso a extensão dela nem possa ainda ser dimensionada.

Para Erik Bernstein, “A coisa mais importante a lembrar é que esse conhecimento, juntamente com coisas como planejamento de crises, treinamento e esforços de prevenção, precisam ser incorporados à prática diária. Não é divertido pensar em "O que poderia dar errado?", Mas é muito melhor do que gastar tempo observando lucros perdidos e clientes correndo para a concorrência.”

 

*João José Forni é jornalista, Consultor de Comunicação, autor do livro "Gestão de Crises e Comunicação - O que Gestores e Profissionais de Comunicação Precisam Saber para Enfrentar Crises Corporativas". Erik Bernstein é vice-presidente da consultoria de crise, nos EUA, Bernstein Crisis Management. 

1

Fev

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Novo consumidor mais decidido e super informado pela internet desafia empresas

Nathália Gomes*

Quantas vezes você já se deparou sabendo mais informações de um produto do que o próprio vendedor? Essa situação pode chegar a ser contraditória, mas isso evidencia ainda mais que o perfil do consumidor global sofreu mudanças e a maior parte delas foi impulsionada pelo uso de tecnologia. Nessa banda larga da transformação, a praticidade e as informações estão conectadas em apenas um clique.

Antes, aproximadamente 20 anos atrás, as interações eram feitas exclusivamente na loja física. Hoje, essa realidade é diferente. O número de usuários de internet cresceu 10 milhões em um ano no Brasil. De 2016 para 2017, passou de 64,7% para 69,8% o número de brasileiros com 10 anos ou mais (181 milhões da população) que acessaram a internet nesses dois anos. 

Esses dados que constam no suplemento Tecnologias da Informação e Comunicação da Pnad Contínua, divulgado no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram a importância da tecnologia como facilitadora da jornada de compra. O chamado Consumidor 3.0 é mais criterioso, vai à loja sabendo o que quer e, ainda, todos os detalhes sobre o produto que deseja adquirir.

Se isso pode parecer um problema nas vendas, pelo contrário, gera oportunidade de destaque para empresas se qualificarem e não só alcançarem o cliente, mas estarem um passo à frente dele. Esse estágio mais avançado na compra se depara com uma pessoa já ciente de uma determinada marca, modelo do produto, principais características e análise de preços versus um possível estabelecimento que deve construir experiências em torno disso.

Nesse contexto, o vendedor deve se mostrar disponível para eventuais dúvidas, mostrar agilidade no atendimento e evidenciar os principais diferenciais do produto. Esses requisitos são passos em destaque nesse novo processo de aquisição. Além de surpreender com informações melhores e completas dos que as já pesquisadas. Afinal, o que existe nesse processo não é apenas a busca pelo produto em si, mas toda uma experiência de compra. 

Segundo levantamento conduzido pelo Google, Ipsos MediaCT e Sterling Brands, 71% das pessoas que utilizam seus smartphones para pesquisa online afirmam que estes dispositivos são cada vez mais importantes para a vivência de compra dentro das lojas físicas. Para vender a essa nova geração, as ações das lojas devem tocar os clientes com interações sensoriais que criem uma relação complementar a pesquisa prévia.

Atualmente, é necessário entender que parte dessa relação entre consumidores e empresas envolve identificação e confiabilidade. Levar isso em conta e criar uma estratégia capaz de concretizar a experiência de vendas perfeita é entender a evolução vivida e descobrir o novo poder de compra. 

* Nathália Gomes é Jornalista, especialista em Comunicação Digital, CEO da Pirâmide Conteúdo Digital e colaboradora do Blog da Juliska

25

Jan

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A era da inteligência artificial e as novas tecnologias desenham o futuro da realidade virtual

Por Jaqueline Barbosa

Já não se sabe ao certo onde começa ou termina a parte da nossa vida em rede. Conectados, ou não, todos estamos de alguma maneira interligados pela tecnologia. Da tomada elétrica, estrategicamente pensada na cabeceira da cama, à selfie do cardápio no café da manhã, as redes sociais modificaram o cotidiano da sociedade moderna.

O mais recente episódio dessa novela foi o #10yearchallege. A hashtag desafiava os seguidores a postarem uma foto de 2009 e comparar com uma atual. O que não se sabia era que a brincadeira causaria tanta polêmica com a suspeita que o Facebook estaria testando algoritmos de reconhecimento facial para aprimorar seu sistema.

Em resposta ao Portal G1, o representante da empresa disse que “esse é um meme criado pelos usuários das nossas plataformas que viralizou espontaneamente. O Facebook não começou essa onda e o meme, geralmente, usa fotos que já estão no Facebook. Nós não ganhamos nada com isso, além de nos lembrar das tendências questionáveis de moda de 2009”.

Mas não podemos esquecer que, em 2018, a gigante da tecnologia se envolveu numa série de escândalos sobre a venda de dados pessoais de seus usuários para empresas. Uma reportagem do jornal The Guardian mostrou que até mesmo o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, havia discutido a possibilidade da venda por receita, marcas valiosas ou pagamentos em dinheiro.

Basicamente todas as ações que realizamos hoje envolvem tecnologia: usar o aplicativo do banco, dirigir com o auxílio do GPS, procurar um restaurante para almoçar e a necessidade incessante de mostrar ao mundo o que estamos fazendo. Nunca tivemos uma sociedade tão carente de atenção.

Recém-nascidos com milhões de seguidores, pessoas escondidas atrás de perfis fakes, fanpages e múltiplas funções que aparecem todos os dias garantindo melhorar nosso dia a dia. A sua vida nas plataformas digitais se distingue da realidade? Pesquisadores da área defendem que já não existem distinções entre eles.

Diante disso, não nos preocupamos com a segurança em rede. Nossos dados estão expostos e por não entender quais perigos isso pode causar não analisamos o que é real e o que é virtual. O que sabemos é que já na rotina das pessoas em muitos países desenvolvidos, a inteligência artificial promete ser o futuro da tecnologia e as redes sociais só crescem em número e em cifrão.

Jaqueline Barbosa é Jornalista, especialista em Comunicação Digital, CEO da Pirâmide Conteúdo Digital e colaboradora do Blog da Juliska

7

Jan

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O ensino médio do RN

Professora Cláudia Santa Rosa

Têm sido comum algumas abordagens sobre o ensino médio da rede estadual do RN, comparando-o ao ensino médio dos excelentes institutos federais (IFs). Ora, não podemos esquecer de um detalhe básico: o IFRN leva os melhores estudantes, anualmente, para suas unidades. Leva os mais preparados, inclusive da rede particular, por meio de disputado processo que seleciona e classifica "os que sabem mais" para preenchimento das suas vagas. 

Mantidos com recursos federais, os IFs conseguem oferecer o ensino compatível com o valor pomposo de seu custo-aluno, infinitamente superior ao valor investido no aluno da rede estadual. Sendo assim, com todo respeito, os institutos federais têm obrigação de ser excelentes, de norte a sul do país.

Atentemos: na Rede Estadual ficam os demais jovens, de formação insuficiente para ingressar nos disputados IFs ou os ótimos que residem distantes de uma das unidades. Ainda bem que existe uma rede estadual que universaliza a oferta, que inclui os que a procura, a rede que não é excludente quanto ao acesso e que precisa de mais estrutura e mais qualidade para garantir o direito à educação dos que dela dependem e a tem como única opção. 

Convém não esquecermos, ainda, que o ensino médio da rede estadual recebe estudantes não somente das escolas estaduais, a maioria é oriunda de escolas municipais. Como vemos, melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do ensino médio não depende apenas da rede estadual, mas do fortalecimento do regime de colaboração com os municípios, naquilo que é o essencial. 

Convém indagar: como se esperar IDEB alto no ensino médio estadual se os avanços não ocorrerem desde o ensino fundamental em toda rede pública? 

Finalmente, precisamos atentar para um aspecto importante: o ensino médio do RN sempre foi o último ou penúltimo do ranking elaborado a partir do IDEB. Durante 10 anos - 2005 a 2015 - o RN oscilou entre o último e o penúltimo lugar. Fala-se em terceiro pior com tom de espanto: "como se deixou o estado do RN ser o terceiro pior ensino médio do país?". 

Essas pessoas desavisadas se referem à edição de 2017, justamente a que houve avanço, ainda que tímido. Falam como se o estado já tivesse alcançado posição melhor e em 2017 tivesse despencado para o terceiro lugar, de baixo para cima. Um equívoco!

Além dos projetos de formação e acompanhamento que estão em curso para fazerem frente à situação delicada que muitos vibram ao propagar, decorrente de uma história de pouca atenção ao ensino potiguar, é preciso falarmos em escolas técnicas e escolas de tempo integral, do ponto de partida que o RN se encontra: a rede estadual já conta com 40 escolas de ensino médio e 20 de ensino fundamental em tempo integral, além de 62 unidades ofertando ensino técnico. 

Portanto, estamos a falar de um problema que, há dois anos, vem sendo tratado com a atenção merecida pelos que fazem a educação potiguar - do órgão central às escolas - por meio de estratégias sustentadas por programas, projetos e ações claramente definidas, à luz do Plano Estadual de Educação. 

Cláudia Santa Rosa é professora da rede estadual desde 1990, Especialista em Psicopedagogia, Mestre e Doutora em Educação. Fundadora do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE).