“Não dá para pensar a prática docente e a sala de aula sem se preocupar com o aluno, sem se colocar no lugar deste aluno”. É assim que a professora Edkalb Mariz responde ao ser questionada sobre a sua prática escolar em ensinar e reforçar com os alunos a importância dos direitos humanos. Baseada em uma política de empatia em sala de aula, a professora de história há 7 anos prepara os estudantes da rede estadual à serem, não apenas destacados profissionais e acadêmicos, como também, em se tornarem bons cidadãos. 

Professora da rede estadual de ensino desde 2012, atualmente leciona no Centro de Educação de Jovens e Adultos Senador Guerra, em Caicó, Seridó do Rio Grande do Norte. A docente explica para os estudantes as noções básicas sobre direitos humanos, com foco no combate ao racismo.  Pensando em identificar as raízes do racismo no Brasil e como ele se propaga na sociedade, a professora desenvolveu o projeto “Café com história - Um diálogo entre a história e a literatura: existe racismo no Brasil?”, que explorou de obras literárias até debates em que os estudantes expuseram as suas ideias e conclusões sobre a existência do preconceito racial na sociedade brasileira.

O resultado da atividade repercutiu de maneira tão positiva que os estudantes assumiram o protagonismo do processo de aprendizagem e levaram, até o público externo, o conhecimento construído por eles. “Assim, os alunos por meio de um Café com História, tiveram a oportunidade de conduzir as apresentações de seus trabalhos e desconstruir preconceitos e interpretações sobre o homem e a mulher negra, na História do Brasil, desde o processo de colonização aos dias de hoje”, explica Edkalb. A atividade realizada pela professora permitiu a aceitação e empoderamento feminino da juventude negra.  “Vejo que por meio dessa discussão sobre racismo, a qual venho sempre trazendo para meu campo de trabalho, muitas alunas negras passaram a se ver, aceitar e se empoderar”, comenta a professora ao relembrar do feedback recebido desses alunos.